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16 de março de 2018

Projeto Mar sem Fim

Em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, realizado no dia 17 de agosto no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, no IFSC-USP, o tema intitulado Projeto Mar sem Fim foi magistralmente apresentado pelo palestrante convidado, o jornalista João Lara Mesquita.

A palestra consistiu na apresentação de algumas viagens realizadas através do Projeto Mar Sem Fim pela costa brasileira, argentina, chilena e antártica, entremeadas com dados a respeito das descobertas que estas viagens proporcionaram. O palestrante mostrou os ecossistemas da costa brasileira, sua ocupação desordenada, os aspectos positivos da legislação ambiental e como os brasileiros, infelizmente, deram as costas ao mar. Finalizando, João Lara Mesquita falou e mostrou aspectos das viagens feitas para a Antártica, a importância daquele continente para o clima mundial, a cadeia da vida marinha em todos os oceanos e o trabalho que os cientistas brasileiros fazem no continente gelado.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação do IFSC, João Mesquita explicou o fundamento do projeto, cujo  objetivo é trazer à tona a discussão da questão do ecossistema marítimo. Como jornalista e ambientalista, Mesquita é sagaz ao ponto de detectar que, de cada dez matérias que saem sobre o meio ambiente, sete ou oito são continentais: Eles se esquecem de falar do mar e nós temos todos os motivos para falar do mar. Ele é a placenta que nos deu cria, somos fruto da aventura portuguesa, uma aventura marítima fabulosa. Fico triste de ver como ela é desconhecida no Brasil, como ela é pouco valorizada. Nós temos um litoral vastíssimo e as pessoas não sabem a importância do mar. A maioria das pessoas associa mar com lazer (praia, fim de semana, férias etc). O objetivo deste projeto é, sinteticamente, mostrar que nossos oceanos são muito mais do que isso; são importantíssimos para a vida no planeta Terra: é o ecossistema mais importante que existe e o objetivo do projeto é justamente levantar essa questão na mídia, focar e mostrar essa importância.

Para o palestrante, o litoral brasileiroestá, infelizmente, ao Deus dará: Nós temos uma legislação ambiental que é considerada por muitos especialistas como uma das mais completas do mundo, mas ela é inexequível, pois não há fiscalização, não se sabe quem deve fazer o quê: a legislação ambiental brasileira delega umas vezes para o município, outras para o estado, e muitas das vezes até para a federação, critica Mesquita: E você percebe que não se sabe que o poder público, que está em atuação no litoral brasileiro, não entende o que concerne e o que não concerne ao poder estadual e assim por diante: o estado não permite, o município vai lá e permite, ou seja, há um constante conflito e há um conflito de interesse no litoral a empreendedores que querem construir e devem e podem construir desde que respeitem certas regras – pela fragilidade do ecossistema e por uma série de outras coisas. Isso não é, de forma alguma, observado pelo poder público, não existe multa: quando as pessoas infringem leis, demoram anos para serem cobradas e menos de 1% delas acabam sendo efetivamente cobradas.

Para o palestrante, essa é tônica de sua afirmação que os brasileiros deram as costas ao mar, porque, segundo ele, a população, ao não exigir, apenas demonstra não saber a importância do litoral. O poder público no Brasil só age sobre pressão. Quando houve muita pressão sobre as queimadas na Amazônia, diminuiu, depois a sociedade afrouxa, aumenta de novo. O povo saiu para a rua em Junho último: o poder recuou, mas depois a população relaxou. E se você não sabe a importância dessa faixa do litoral, que depende de 90% da cadeia da vida marinha, se o público não exige, é aí que não acontece mesmo. Eu reivindiquei meu trabalho para isso porque percebi, ao longo dos anos, esta falta de importância, comenta João Lara.

Outra observação feita por João Lara Mesquita foi o trabalho que os cientistas brasileiros estão fazendo na Antártica. De uma forma geral, é um trabalho tido como muito bem feito, é um trabalho que dizem ser um dos melhores que existem nas Américas e é um trabalho que, para nosso entrevistado, é feito com muita abnegação e com poucos recurso. Até muito recentemente, o recurso era praticamente mínimo, próximo do zero. O Brasil tem apenas uma base próxima da Antártica. A Argentina e o Chile possuem cerca de dez bases. Mas, mesmo assim, o trabalho é feito com muita abnegação: Estuda-se o clima, o impacto que a atividade humana pode gerar na Antártica, uma vez que esta é considerada a base do clima. Então, estuda-se, por exemplo, as queimadas da Amazônia, na Antártica, através de tubos que você introduz na neve e ela registra o que aconteceu cem, duzentos, trezentos anos atrás. Estudam também as queimas da Antártica, utilizando este método, onde descobrem cinzas de queimadas, fumaças das queimadas etc.

Dando um exemplo concreto, João Lara refere que os cientistas extraem pequenas quantidades de sangue dos mamíferos marinhos e percebem que existem compostos que não são originados na Antártica, mas que são utilizados na agricultura, farmacologia etc: Então, se no mínimo 5% das pessoas que assistem aos meus documentários ou ouvem minhas palestras pensarem nisto, eu já me sinto feliz. É uma paixão. Nunca haverá um movimento em massa; é de grão em grão, é um gesto que já percebo nas crianças, hoje em dia. Nós não tivemos esse estudo na escola, porém, meus filhos já aprendem que o lixo deve ser guardado e reciclado, por exemplo. Eu sou otimista, acredito que a nova geração conseguirá fazer essa parte, concluiu João Lara Mesquita.

(Rui Sintra – jornalista)

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