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16 de março de 2018

Prof. Sergio Machado Rezende disserta sobre ciência e tecnologia para o desenvolvimento do Brasil

Em mais um programa “Ciência às 19 Horas”, realizado no IFSC-USP, no dia 14 de setembro, pelas 19 horas, o Prof. Sergio Machado Rezende, docente e pesquisador da UFPE – Universidade de Pernambuco, abordou o tema intitulado “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”, numa palestra que traçou a história da ciência no nosso país.

Pessoa simples, afável e bom conversador, Sergio Machado Rezende ocupou o cargo de ministro da pasta da Ciência e Tecnologia no segundo mandato do Presidente Lula (2006-2010), sendo que, atualmente, considera seu laboratório, na UFPE, o seu reduto, o seu cotidiano reinventado na sua paixão, mas nem por isso negando sua participação em inúmeras palestras para dissertar, principalmente perante jovens estudantes universitários, um tema que para ele é muito querido: “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”.

Na conversa amena que mantivemos com Sergio Rezende, o ex-ministro referiu que o Brasil começou tarde no desenvolvimento das áreas de Ciência e Tecnologia, mas sublinhou que seu desenvolvimento tem sido constante. Na opinião do pesquisador, o Brasil teve algumas épocas onde as dificuldades imperaram, com diversos imobilismos e retrocessos em algumas questões, como, por exemplo, orçamentos e políticas, mas o certo é que, de maneira geral, o Brasil evoluiu bastante nas últimas décadas:

Para citar apenas um número, em 1987 o país formou cerca de quatro mil mestres e cerca mil doutores, enquanto que, em 2010, o número total de formados ultrapassou cinquenta mil – cerca de quarenta mil mestres e dez mil doutores. Multiplicar por dez, no espaço de vinte anos, o número de jovens formados, é uma façanha. Tanto é, que hoje o Brasil começa a despertar a atenção internacional e muitos países – mesmo do designado primeiro mundo – mostram interesse em entender como é que a ciência no Brasil cresceu tanto em tão curto espaço de tempo, afirma Sergio Rezende.

Para o ex-ministro, uma das explicações está no aparecimento de inúmeros líderes que surgiram nas universidades – na pós-graduação e na pesquisa universitária – e que deram outras perspectivas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação: Eu costumo dizer isso nas palestras que profiro, principalmente aos jovens, pois eles desconhecem que há vinte anos não havia praticamente nada no nosso país, em termos de pesquisa – não havia laboratórios, equipamentos, pessoal qualificado. Mesmo que a situação de hoje não seja ainda considerada ideal e que ainda exista muito para fazer, o certo é que nós estamos fazendo um grande progresso: ele é notável e é notado no exterior, já que a ciência e tecnologia são áreas fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país -salienta o ex-ministro.

De fato, se repararmos com atenção, há muita coisa acontecendo em ciência, tecnologia e inovação no Brasil e, segundo Sergio Rezende, o país irá ser completamente diferente daqui a dez ou vinte anos, quando o sistema estiver todo implantado e disseminado. Para o ex-ministro, a ciência brasileira tem que ser tratada que nem futebol: o Brasil é bom no futebol porque em todas as cidades existem escolinhas de futebol e campos para os mais novos aprenderem e praticarem. Para Rezende, acontece o mesmo com a ciência e tecnologia, já que estamos construindo agora mais escolas e universidades e o nosso país tem tudo para ser muito bom na geração de conhecimento e de inovação.

Um dos temas que não poderia faltar nesta conversa foi a experiência que Sergio Rezende teve à frente do MCT e na possível nostalgia que o pesquisador sentiu quando regressou à UFPE: Eu me considero uma pessoa com muita sorte e sinto uma felicidade extrema em ter encontrado os parceiros certos na época certa. Fui para Recife ainda jovem, em grande parte porque o Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP) me convenceu. Eu era professor no Rio de Janeiro, recém formado doutor, e havia uma proposta de se construir um departamento de Física, com pesquisa, em Recife: claro que eu achava aquele desafio uma completa “doideira”: sair do Rio de Janeiro e ir para o Nordeste era coisa de doido. Mas o Prof. Sergio Mascarenhas insistiu, dizendo que ele próprio tinha ido para São Carlos (SP) para contribuir para a implantação de um instituto da USP, e que a cidade não tinha nada – e era verdade. Se prestarmos alguma atenção, a cidade de São Carlos é, hoje, um importante pólo de tecnologia, formando pessoas para todo o Brasil e inclusive para o exterior, e muitos estudantes de países da América do Sul escolhem São Carlos para completar seus estudos, já para não falar que a cidade tem um importante pólo de empresas tecnológicas. Por exemplo, eu estive na empresa “Opto”, cuja criação eu acompanhei na década de 80, e é impressionante sua evolução ao longo do tempo. Esse é um excelente exemplo de uma empresa de tecnologia nacional, formada dentro do IFSC-USP. Bem, voltando ao Prof. Sérgio Mascarenhas, ele tanto insistiu que acabei indo para Recife. Em Pernambuco, além de ter conseguido alcançar uma carreira de professor e de pesquisador, também tive a oportunidade de desempenhar diversos cargos como gestor, conciliando bem todas essas atividades. Fui, durante muitos anos, chefe de departamento, depois fui diretor de centro, diretor científico da FAPESPE, secretário de estado e secretário municipal – recorda o ex-ministro.

Sergio Rezende confessou que a única motivação que teve para ocupar esses cargos foi a enorme vontade que sentiu em poder contribuir com algo para o bem público e, refira-se, conseguiu fazer tudo isso sem abandonar as suas atividades de pesquisa. Quando entrou pela primeira vez no governo federal, (2003-2005 – primeiro mandato do Presidente Lula), foi no cargo de Presidente da FINEP, tendo sido convidado, em 2005, a assumir o MCT (segundo mandato do Presidente Lula): Realmente, aceitei esse desafio não pelo cargo, mas sim pelo fato de poder fazer coisas novas e  emocionantes pelo Brasil. Claro que, após determinado tempo, o sacrifício pessoal começa a pesar nos nossos ombros, a família começa a ficar cada vez mais distante e tudo isso começou a me desgastar, inclusive em termos de saúde. Assim, no meio de 2010, iniciei o planejamento do meu retorno à universidade, ao meu laboratório de Física, e aí juntei todo material que eu dispunha e escrevi o livro intitulado Livro Azul, uma publicação que é a síntese das propostas colhidas durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, visando um período de dez anos e, ainda, a parte de conteúdo documental que conta com um livro com a história  do MCT, outra publicação com todas as entidades que compõem a pasta e, ainda, um com o mapeamento dos mestres e doutores do País – sublinha o pesquisador.

Numa breve pausa de sua fala e com o olhar momentaneamente fixado no vazio, Sergio Rezende afirmou que a partir desse momento sentiu que tinha feito alguma coisa de útil a favor do Brasil: dei o melhor de mim, tive um grande apoio do Presidente Lula, não só no aumento do orçamento do ministério, como, também, na implantação das políticas. Estou plenamente realizado – desabafou Rezende – Agora, estou usufruindo de coisas que ajudei a implantar, como, por exemplo, poder fazer ciência com recursos. O que eu sinto do passado é uma grande satisfação de ter contribuído para fazer algo de bom em prol do desenvolvimento do nosso país. Acredite que me sinto muito mais saudável, completou Rezende, esboçando um largo e repentino sorriso.

Questionado sobre a hipótese de voltar ao MCT, Sergio Rezende disse que chegou a ser sondado em meados do ano passado, mas respondeu que já tinha feito o que podia e sabia fazer, tendo sublinhado que mais do que fez seria impossível e que precisava voltar para meu laboratório, precisava regressar às suas origens: O plano de ciência e tecnologia que elaboramos em 2007 foi integralmente cumprido e isso me dá uma enorme satisfação e um sentimento de… Dever cumprido.

(Rui Sintra – Jornalista)

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