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16 de março de 2018

O papel do venture capital no desenvolvimento tecnológico

Qual é o papel do venture capital no desenvolvimento tecnológico? Bem, para responder a essa pergunta eu vou levar, no mínimo, cinquenta minutos. Foi desta forma descontraída e bem humorada que o Prof. Fernando Reinach iniciou sua breve conversa com a Assessoria de Comunicação do IFSC, um pouco antes de iniciar sua palestra, ocorrida no dia 1º de outubro em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, um evento que esteve inserido na 3º SIFSC – Semana Integrada do Instituto de Física de São Carlos.

Graduado em Biologia, pela USP (1978), Fernando Reinach fez seu Mestrado em Histologia e Embriologia (1980) também na USP, e o PhD em Biologia Molecular (1984) no Cornell University Medical College (USA), tendo sido um dos mais destacados docentes da USP. Atualmente, Reinach é Gestor do Fundo Pitanga de Investimento.

Na verdade, o venture capital é um dos instrumentos que visa transformar o conhecimento científico – aquele que é feito nas universidades e nos centros de pesquisa – em algo produtivo, por intermédio da ação de empresas criadas pelos próprios cientistas: ou seja, transformar o conhecimento em dinheiro, converter as ideias científicas em empresas. E, segundo Reinach, na maior parte dos países desenvolvidos, o financiamento para este tipo de ação vem dos fundos de venture capital. É claro que estamos falando do que acontece no exterior, já que no Brasil ainda existe algum preconceito dos cientistas darem esse passo, sendo raro encontrarmos essa realidade em nosso território: Existem pouquíssimas empresas de cientistas no nosso país, até porque ainda não existe essa cultura: os cientistas vêm esse caminho como uma espécie de prostituição. Mas, nas sociedades desenvolvidas a criação dessas empresas está indelevelmente ligada ao desenvolvimento econômico e social, que justifica grande parte do investimento em pesquisa, refere Reinach.

Para o nosso entrevistado, o gargalo está no fato da universidade ter ficado parada no tempo: Durante toda a época da ditadura, em nosso país, a universidade ficou isolada do setor privado. Nessa época, eu estava na universidade e nós tínhamos uma reação enorme contra o governo. O governo era um “inimigo” que matava nossos amigos, que os torturava etc. Então, a universidade ficou como sendo um centro de resistência, com um pensamento mais livre na época da ditadura, pontua nosso entrevistado. Na interpretação de Fernando Reinach, quando acabou o período militar e uma nova realidade despontou no Brasil, a universidade continuou sua marcha lenta, conservadora, mantendo-se ainda lenta para se abrir a uma sociedade em crescente desenvolvimento, motivo pelo qual a academia ainda vê as ações do setor privado e do governo com certa desconfiança.

Para Fernando Reinach, a academia precisa de dar um grande salto em frente, não só em relação ao tema do capital venture, como também em relação à sua própria postura, tendo dado o exemplo prático de quando idealizou e coordenou o Projeto Genoma – Sequenciamento do Genoma da bactéria Xylella fastidiosa, que foi o ponto de partida para o desenvolvimento de novas pesquisas em genômica: De fato, quando nós publicamos o Genoma Xyllela, ficamos monitorando quem baixava a sequência e descobrimos, por incrível que possa parecer, que, só na primeira noite após a publicação, todas as multinacionais e companhias agrícolas americanas e europeias tinham baixado essa sequência, sem a participação de nenhum brasileiro. Então, concluímos que tínhamos gasto um dinheirão para gerar essa sequência em proveito de estrangeiros. O que adianta a gente ficar fazendo muita ciência, aqui, se você publica essa ciência e nós não temos alguém para dar o próximo passo para transformar essa ciência em alguma coisa prática? Por isso eu digo, o Brasil está despreparado para o sucesso, enfatiza o pesquisador.

Na sua perspectiva da ciência para o século XXI, Reinach afirma que ela é cada vez mais importante para a sociedade moderna, embora, em contraponto, o pesquisador saliente que agora, com tudo muito mais transparente graças às novas tecnologias de informação, um dos problemas da ciência é como é que ela vai justificar os seus gastos para quem paga os impostos: De fato, ainda não tem um questionamento se o gasto com ciência justifica o caso de ter um país pobre: Nós, cientistas, acreditamos que sim. Por outro lado, há quem diga que o que se gasta com ciência é um investimento. Então, se é um investimento, isso tem que ter um resultado, além da formação de recursos humanos. Dando o exemplo da Califórnia (EUA), onde constantemente são criadas empresas de base científica e tecnológica que geram riquezas para o estado e para o país, Fernando Reinach lamenta o caso particular de São Carlos, onde existem poucas e pequenas empresas: No Brasil, você não fala que uma empresa enorme é resultado de investimento científico. Então, se você tiver que justificar com números de impostos gerados, o ideal era que, por exemplo, você investisse dez em ciência, para que os conhecimentos resultantes dessa mesma ciência gerassem vinte em PIB. Meu amigo, estamos muito longe disso, conclui o pesquisador.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Prof. James Waterhouse disserta sobre: Dirigíveis na sociedade moderna: uma volta ao passado?

O programa “Ciência às 19 Horas”, promovido mensalmente pelo IFSC, trouxe na sua edição do dia 11 de junho um tema que habitualmente desperta a curiosidade do público: “Dirigíveis na sociedade moderna: uma volta ao passado?”. Magistralmente apresentada pelo Prof. James Rojas Waterhouse, docente da Escola de Engenharia de São Carlos (USP), a palestra sobre dirigíveis trouxe uma explicação de como funciona a tecnologia que é mais leve que o ar e sua reintrodução na atualidade. Falar de dirigíveis é quase a mesma coisa que falar da aviação, já que ambos os temas se diluem num só. Embora seja um assunto que nos remete a um passado que não é muito distante – estamos falando das duas primeiras décadas do século XX -, o certo é que a eventual (re)introdução do novo (velho) dirigível, na versão transporte de carga, poderá revolucionar muitas áreas, como, por exemplo, logística de transportes, movimentação de cargas pesadas, comunicações e vigilância, entre outras.

A história recente nos mostra que, embora envolto em inúmeras experiências fracassadas ao longo dos anos, o dirigível não morreu por completo. Sabendo-se que os primeiros protótipos que cruzaram os céus foram os balões de ar quente, coube ao padre jesuíta português, Bartolomeu de Gusmão, ser um dos pioneiros nesse tipo de aventura, no ano 1709. Com efeito, Gusmão, nascido no Brasil, conseguiu fazer um balão de ar quente, batizado de “Passarola”, e subir nele nos céus.

Já em pleno século XX, o dirigível começou a ser utilizado para o transporte de passageiros, ficando registrada a construção do dirigível LZ 127 Graf Zeppelin, construído em 1928, com os seus 213 metros de comprimento e 5 motores, com capacidade para cerca de sessenta pessoas, entre passageiros e tripulação. O Zeppelin, conforme era conhecido, foi o primeiro objeto voador a dar a volta ao mundo, calculando-se que, durante sua vida útil, tenha transportado perto de 20 mil pessoas.

Em meados da década de 1930, o velho Zeppelin deu lugar ao LZ 129 Hindenburg, considerado o orgulho da engenharia alemã, com os seus 245 m de comprimento e 41,5 m de diâmetro, com capacidade de voar a uma velocidade de 135 km/h, com autonomia de 14 mil quilômetros: o “monstro” da engenharia alemã tinha capacidade para cerca de 100 pessoas. A vida do Hindenburg, bem como a era dos dirigíveis, terminou subitamente no dia 06 de maio de 1937, quando o aparelho explodiu perto do aeroporto de Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, matando todos seus ocupantes. Para James Waterhouse, a explicação para que este projeto fosse abandonado mundialmente teve a ver com a fragilidade e periculosidade dos materiais que constituíam estes modelos: “Naquela época, o gás utilizado nos dirigíveis era o hidrogênio que, como sabemos, é altamente inflamável: se adicionarmos a periculosidade desse gás ao tipo de material que era utilizado na construção dos dirigíveis – também ele altamente inflamável e pesado – achamos a fórmula para o insucesso do projeto. A explosão do Hindenburg teve um impacto extraordinariamente negativo na sociedade. As imagens da explosão e do incêndio que se seguiu foram exibidas em todos os cinemas do mundo, na forma de documentário, e, claro, foi o fim de um sonho, principalmente no capítulo dedicado ao transporte de passageiros”, comenta Waterhouse.

A partir de 1938, trocou-se o hidrogênio por outro gás, não inflamável – o hélio -, que apresentou desde logo um aspecto negativo, que era a perda aproximada de 11% em termos de capacidade de sustentação: foi uma opção adotada para recuperar a imagem do dirigível, mas os dados estavam lançados e o projeto estava condenado, sendo que o golpe de misericórdia foi dado com o aparecimento do avião. Desde então, a utilização do dirigível ficou basicamente reduzida a exibições de propaganda e a passeios turísticos, tornando o projeto economicamente inviável para outros fins.

A evolução científica e tecnológica verificada nas últimas décadas ressuscitou o velho dirigível, dando-lhe novas aplicações e utilizações ao serviço da sociedade: “Com a descoberta e desenvolvimento de novos materiais, mais leves, e com as inovações operadas nos motores e estruturas, também menos pesadas e compactas, o dirigível começa a fazer sentido em múltiplas aplicações, do nosso cotidiano, tornando-se mesmo uma alternativa viável, principalmente para transporte de carga. Os dirigíveis são apenas a ponta do iceberg da tecnologia que é conhecida como “mais leve que o ar”, canalizando-se uma de suas utilizações para o transporte de cargas pesadas. Por exemplo, você tem cargas extremamente pesadas e/ou volumosas, que não podem ser divididas e que precisam ser deslocadas em curtas distâncias, por exemplo, colunas de destilação para refinarias de petróleo, entre um porto e uma usina. Esse transporte precisa de carretas especiais, condicionamento ou mesmo interrupção no trânsito, a escolha de pistas e de estradas que comportem o peso e o volume da carga, a resolução para a transposição de pontes, etc., tudo isso colocando em risco a viabilização de projetos industriais. Então, você tem a possibilidade de utilizar balões de carga amarrados a caminhões e assim “rebocar” essas cargas suspensas”, explica Waterhouse.

Por outro lado, a eventual utilização dos dirigíveis poderá compreender outras situações, como, por exemplo, a vigilância da fronteira brasileira, através de pequenos aeróstatos presos em terra, elevados a dois ou três quilómetros de altura, conseguindo-se assim monitorar, 24 horas por dia, uma faixa ampla de terreno com o mesmo desempenho de um avião, mas sem o custo que ele acarreta para fazer a operação. Outras situações estão já equacionadas – segurança pública, monitoramento militar (no Afeganistão os dirigíveis já estão sendo utilizados para esse fim), busca e salvamento, e inclusive na área das telecomunicações, como explica Waterhouse: “Em vez de termos antenas de celulares implantadas em torres, no meio das cidades, com todos os custos e riscos para a saúde, podia-se retirar a ponta da antena que está no topo da torre e colocá-la num dirigível localizado a 200 metros de altura, preso em terra. Só com essa antena você consegue cobrir uma cidade inteira, sem qualquer consequência ambiental e com custos muito reduzidos”, comenta o pesquisador.

Podia-se pensar na eventualidade dos dirigíveis recuperarem a sua antiga função – transporte de passageiros em longas distâncias -, mas James Waterhouse desmistifica o assunto, alegando que esse projeto não teria sucesso, já que os dirigíveis apenas atingem uma velocidade de 130 Km/hora. Segundo o pesquisador, a melhor opção, nesse capítulo, é usá-los para passeios turísticos, como acontece, por exemplo, na Turquia, aproveitando para dar a conhecer as paisagens e riquezas naturais deslumbrantes que o nosso país possui.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Prof. Sergio Machado Rezende disserta sobre ciência e tecnologia para o desenvolvimento do Brasil

Em mais um programa “Ciência às 19 Horas”, realizado no IFSC-USP, no dia 14 de setembro, pelas 19 horas, o Prof. Sergio Machado Rezende, docente e pesquisador da UFPE – Universidade de Pernambuco, abordou o tema intitulado “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”, numa palestra que traçou a história da ciência no nosso país.

Pessoa simples, afável e bom conversador, Sergio Machado Rezende ocupou o cargo de ministro da pasta da Ciência e Tecnologia no segundo mandato do Presidente Lula (2006-2010), sendo que, atualmente, considera seu laboratório, na UFPE, o seu reduto, o seu cotidiano reinventado na sua paixão, mas nem por isso negando sua participação em inúmeras palestras para dissertar, principalmente perante jovens estudantes universitários, um tema que para ele é muito querido: “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”.

Na conversa amena que mantivemos com Sergio Rezende, o ex-ministro referiu que o Brasil começou tarde no desenvolvimento das áreas de Ciência e Tecnologia, mas sublinhou que seu desenvolvimento tem sido constante. Na opinião do pesquisador, o Brasil teve algumas épocas onde as dificuldades imperaram, com diversos imobilismos e retrocessos em algumas questões, como, por exemplo, orçamentos e políticas, mas o certo é que, de maneira geral, o Brasil evoluiu bastante nas últimas décadas:

Para citar apenas um número, em 1987 o país formou cerca de quatro mil mestres e cerca mil doutores, enquanto que, em 2010, o número total de formados ultrapassou cinquenta mil – cerca de quarenta mil mestres e dez mil doutores. Multiplicar por dez, no espaço de vinte anos, o número de jovens formados, é uma façanha. Tanto é, que hoje o Brasil começa a despertar a atenção internacional e muitos países – mesmo do designado primeiro mundo – mostram interesse em entender como é que a ciência no Brasil cresceu tanto em tão curto espaço de tempo, afirma Sergio Rezende.

Para o ex-ministro, uma das explicações está no aparecimento de inúmeros líderes que surgiram nas universidades – na pós-graduação e na pesquisa universitária – e que deram outras perspectivas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação: Eu costumo dizer isso nas palestras que profiro, principalmente aos jovens, pois eles desconhecem que há vinte anos não havia praticamente nada no nosso país, em termos de pesquisa – não havia laboratórios, equipamentos, pessoal qualificado. Mesmo que a situação de hoje não seja ainda considerada ideal e que ainda exista muito para fazer, o certo é que nós estamos fazendo um grande progresso: ele é notável e é notado no exterior, já que a ciência e tecnologia são áreas fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país -salienta o ex-ministro.

De fato, se repararmos com atenção, há muita coisa acontecendo em ciência, tecnologia e inovação no Brasil e, segundo Sergio Rezende, o país irá ser completamente diferente daqui a dez ou vinte anos, quando o sistema estiver todo implantado e disseminado. Para o ex-ministro, a ciência brasileira tem que ser tratada que nem futebol: o Brasil é bom no futebol porque em todas as cidades existem escolinhas de futebol e campos para os mais novos aprenderem e praticarem. Para Rezende, acontece o mesmo com a ciência e tecnologia, já que estamos construindo agora mais escolas e universidades e o nosso país tem tudo para ser muito bom na geração de conhecimento e de inovação.

Um dos temas que não poderia faltar nesta conversa foi a experiência que Sergio Rezende teve à frente do MCT e na possível nostalgia que o pesquisador sentiu quando regressou à UFPE: Eu me considero uma pessoa com muita sorte e sinto uma felicidade extrema em ter encontrado os parceiros certos na época certa. Fui para Recife ainda jovem, em grande parte porque o Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP) me convenceu. Eu era professor no Rio de Janeiro, recém formado doutor, e havia uma proposta de se construir um departamento de Física, com pesquisa, em Recife: claro que eu achava aquele desafio uma completa “doideira”: sair do Rio de Janeiro e ir para o Nordeste era coisa de doido. Mas o Prof. Sergio Mascarenhas insistiu, dizendo que ele próprio tinha ido para São Carlos (SP) para contribuir para a implantação de um instituto da USP, e que a cidade não tinha nada – e era verdade. Se prestarmos alguma atenção, a cidade de São Carlos é, hoje, um importante pólo de tecnologia, formando pessoas para todo o Brasil e inclusive para o exterior, e muitos estudantes de países da América do Sul escolhem São Carlos para completar seus estudos, já para não falar que a cidade tem um importante pólo de empresas tecnológicas. Por exemplo, eu estive na empresa “Opto”, cuja criação eu acompanhei na década de 80, e é impressionante sua evolução ao longo do tempo. Esse é um excelente exemplo de uma empresa de tecnologia nacional, formada dentro do IFSC-USP. Bem, voltando ao Prof. Sérgio Mascarenhas, ele tanto insistiu que acabei indo para Recife. Em Pernambuco, além de ter conseguido alcançar uma carreira de professor e de pesquisador, também tive a oportunidade de desempenhar diversos cargos como gestor, conciliando bem todas essas atividades. Fui, durante muitos anos, chefe de departamento, depois fui diretor de centro, diretor científico da FAPESPE, secretário de estado e secretário municipal – recorda o ex-ministro.

Sergio Rezende confessou que a única motivação que teve para ocupar esses cargos foi a enorme vontade que sentiu em poder contribuir com algo para o bem público e, refira-se, conseguiu fazer tudo isso sem abandonar as suas atividades de pesquisa. Quando entrou pela primeira vez no governo federal, (2003-2005 – primeiro mandato do Presidente Lula), foi no cargo de Presidente da FINEP, tendo sido convidado, em 2005, a assumir o MCT (segundo mandato do Presidente Lula): Realmente, aceitei esse desafio não pelo cargo, mas sim pelo fato de poder fazer coisas novas e  emocionantes pelo Brasil. Claro que, após determinado tempo, o sacrifício pessoal começa a pesar nos nossos ombros, a família começa a ficar cada vez mais distante e tudo isso começou a me desgastar, inclusive em termos de saúde. Assim, no meio de 2010, iniciei o planejamento do meu retorno à universidade, ao meu laboratório de Física, e aí juntei todo material que eu dispunha e escrevi o livro intitulado Livro Azul, uma publicação que é a síntese das propostas colhidas durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, visando um período de dez anos e, ainda, a parte de conteúdo documental que conta com um livro com a história  do MCT, outra publicação com todas as entidades que compõem a pasta e, ainda, um com o mapeamento dos mestres e doutores do País – sublinha o pesquisador.

Numa breve pausa de sua fala e com o olhar momentaneamente fixado no vazio, Sergio Rezende afirmou que a partir desse momento sentiu que tinha feito alguma coisa de útil a favor do Brasil: dei o melhor de mim, tive um grande apoio do Presidente Lula, não só no aumento do orçamento do ministério, como, também, na implantação das políticas. Estou plenamente realizado – desabafou Rezende – Agora, estou usufruindo de coisas que ajudei a implantar, como, por exemplo, poder fazer ciência com recursos. O que eu sinto do passado é uma grande satisfação de ter contribuído para fazer algo de bom em prol do desenvolvimento do nosso país. Acredite que me sinto muito mais saudável, completou Rezende, esboçando um largo e repentino sorriso.

Questionado sobre a hipótese de voltar ao MCT, Sergio Rezende disse que chegou a ser sondado em meados do ano passado, mas respondeu que já tinha feito o que podia e sabia fazer, tendo sublinhado que mais do que fez seria impossível e que precisava voltar para meu laboratório, precisava regressar às suas origens: O plano de ciência e tecnologia que elaboramos em 2007 foi integralmente cumprido e isso me dá uma enorme satisfação e um sentimento de… Dever cumprido.

(Rui Sintra – Jornalista)

13 de março de 2018

O papel do venture capital no desenvolvimento tecnológico

Esta palestra incidirá no papel do venture capital, com vistas ao desenvolvimento tecnológico.
O Prof. Fernando Reinach é Gestor do Fundo Pitanga de Investimento e com certeza defenderá várias teses para que o desenvolvimento tecnológico do Brasil atinja os patamares desejados para poder competir com o exterior.

 

 

 

 

 

 


Resenha

Prof. Fernando Reinach

Qual é o papel do venture capital no desenvolvimento tecnológico? Bem, para responder a essa pergunta eu vou levar, no mínimo, cinquenta minutos. Foi desta forma descontraída e bem humorada que o Prof. Fernando Reinach iniciou sua breve conversa com a Assessoria de Comunicação do IFSC, um pouco antes de iniciar sua palestra, ocorrida no dia 1º de outubro em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, um evento que esteve inserido na 3º SIFSC – Semana Integrada do Instituto de Física de São Carlos. Graduado em Biologia, pela USP (1978), Fernando Reinach fez seu Mestrado em Histologia e Embriologia (1980) também na USP, e o PhD em Biologia Molecular (1984) no Cornell University Medical College (USA), tendo sido um dos mais destacados docentes da USP. Atualmente, Reinach é Gestor do Fundo Pitanga de Investimento.

Na verdade, o venture capital é um dos instrumentos que visam transformar o conhecimento científico, aquele que é feito nas universidades e nos centros de pesquisa, em algo produtivo, por intermédio da ação de empresas criadas pelos próprios cientistas: ou seja, transformar o conhecimento em dinheiro, converter as ideias científicas em empresas. E, segundo Reinach, na maior parte dos países desenvolvidos, o financiamento para este tipo de ação vem dos fundos de venture capital. É claro que estamos falando do que acontece no exterior, já que no Brasil ainda existe algum preconceito dos cientistas darem esse passo, sendo raro encontrarmos essa realidade em nosso território: Existem pouquíssimas empresas de cientistas no nosso país, até porque ainda não existe essa cultura: os cientistas vêm esse caminho como uma espécie de prostituição. Mas, nas sociedades desenvolvidas a criação dessas empresas está indelevelmente ligada ao desenvolvimento econômico e social, que justifica grande parte do investimento em pesquisa, refere Reinach.

13 de março de 2018

Dirigíveis na sociedade moderna: uma volta ao passado?

A palestra abordará o retorno da tecnologia denominada mais leve que o ar e seus possíveis desdobramentos em nossa sociedade. A tecnologia mais leve que o ar pode ser considerada a reinvenção da aviação, pois introduzirá no Brasil um novo modo de transporte, complementar aos modos atuais, bem como os diversos usos possíveis para nossa sociedade. A correta reintrodução dessa tecnologia tem potencial de mudar o paradigma logístico nacional, com enormes benefícios para toda sociedade, e com mínimo impacto ambiental, quando comparado aos outros modos de transporte.Os tópicos abordados nesta palestra, serão:

1 –    Breve histórico da tecnologia mais leve que o ar;

2 –    Razões do desaparecimento dos dirigíveis do cenário mundial;

3 –    Os novos fatos e tecnologias que permitem a reintrodução da tecnologia;

4 –    Breve apresentação do atrito com o ar e a capacidade de carga de dirigíveis, mostrando porque a busca de grandes dirigíveis;

5 –    A iniciativa alemã mal sucedida para reintrodução de dirigíveis (case Cargolifter);

6 –    As vantagens do novo modal para o Brasil;

7 –    Os outros usos da tecnologia mais leve que o ar no Brasil;

8 –    As barreiras tecnológicas a serem vencidas para a iniciativa.

Download da apresentação


Resenha

James Rojas Waterhouse

O programa Ciência às 19 Horas, promovido mensalmente pelo IFSC, trouxe na sua edição do dia 11 de junho um tema que habitualmente desperta a curiosidade do público: Dirigíveis na sociedade moderna: uma volta ao passado? Magistralmente apresentada pelo Prof. James Rojas Waterhouse, docente da Escola de Engenharia de São Carlos (USP), a palestra sobre dirigíveis trouxe uma explicação de como funciona a tecnologia que é mais leve que o ar e sua reintrodução na atualidade. Falar de dirigíveis é quase a mesma coisa que falar da aviação, já que ambos os temas se diluem num só. Embora seja um assunto que nos remete a um passado que não é muito distante, já que estamos falando das duas primeiras décadas do século XX, o certo é que a eventual (re)introdução do novo (velho) dirigível, na versão transporte de carga, poderá revolucionar muitas áreas, como, por exemplo, logística de transportes, movimentação de cargas pesadas, comunicações e vigilância, entre outras.

A história recente nos mostra que, embora envolto em inúmeras experiências fracassadas ao longo dos anos, o dirigível não morreu por completo. Sabendo-se que os primeiros protótipos que cruzaram os céus foram os balões de ar quente, coube ao padre jesuíta português, Bartolomeu de Gusmão, ser um dos pioneiros nesse tipo de aventura, no ano 1709. Com efeito, Gusmão, nascido no Brasil, conseguiu fazer um balão de ar quente, batizado de Passarola, e subir nele nos céus.

Já em pleno século XX, o dirigível começou a ser utilizado para o transporte de passageiros, ficando registrada a construção do dirigível LZ 127 Graf Zeppelin, construído em 1928, com os seus 213 metros de comprimento e 5 motores, com capacidade para cerca de sessenta pessoas, entre passageiros e tripulação. O Zeppelin, conforme era conhecido, foi o primeiro objeto voador a dar a volta ao mundo, calculando-se que, durante sua vida útil, tenha transportado perto de 20 mil pessoas.

Em meados da década de 1930, o velho Zeppelin deu lugar ao LZ 129 Hindenburg, considerado o orgulho da engenharia alemã, com os seus 245 m de comprimento e 41,5 m de diâmetro, com capacidade de voar a uma velocidade de 135 km/h, com autonomia de 14 mil quilômetros: o monstro da engenharia alemã tinha capacidade para cerca de 100 pessoas. A vida do Hindenburg, bem como a era dos dirigíveis, terminou subitamente no dia 06 de maio de 1937, quando o aparelho explodiu perto do aeroporto de Lakehurst, New Jersey, Estados Unidos, matando todos seus ocupantes. Para James Waterhouse, a explicação para que este projeto fosse abandonado mundialmente teve a ver com a fragilidade e periculosidade dos materiais que constituíam estes modelos: Naquela época, o gás utilizado nos dirigíveis era o hidrogênio que, como sabemos, é altamente inflamável: se adicionarmos a periculosidade desse gás ao tipo de material que era utilizado na construção dos dirigíveis ? também ele altamente inflamável e pesado ? achamos a fórmula para o insucesso do projeto. A explosão do Hindenburg teve um impacto extraordinariamente negativo na sociedade. As imagens da explosão e do incêndio que se seguiu foram exibidas em todos os cinemas do mundo, na forma de documentário, e, claro, foi o fim de um sonho, principalmente no capítulo dedicado ao transporte de passageiros, comenta Waterhouse.

A partir de 1938, trocou-se o hidrogênio por outro gás, não inflamável, o hélio, que apresentou desde logo um aspecto negativo, que era a perda aproximada de 11% em termos de capacidade de sustentação: foi uma opção adotada para recuperar a imagem do dirigível, mas os dados estavam lançados e o projeto estava condenado, sendo que o golpe de misericórdia foi dado com o aparecimento do avião. Desde então, a utilização do dirigível ficou basicamente reduzida a exibições de propaganda e a passeios turísticos, tornando o projeto economicamente inviável para outros fins.

A evolução científica e tecnológica verificada nas últimas décadas ressuscitou o velho dirigível, dando-lhe novas aplicações e utilizações ao serviço da sociedade: Com a descoberta e desenvolvimento de novos materiais, mais leves, e com as inovações operadas nos motores e estruturas, também menos pesadas e compactas, o dirigível começa a fazer sentido em múltiplas aplicações, do nosso cotidiano, tornando-se mesmo uma alternativa viável, principalmente para transporte de carga. Os dirigíveis são apenas a ponta do iceberg da tecnologia que é conhecida como mais leve que o ar, canalizando-se uma de suas utilizações para o transporte de cargas pesadas. Por exemplo, você tem cargas extremamente pesadas e/ou volumosas, que não podem ser divididas e que precisam ser deslocadas em curtas distâncias, por exemplo, colunas de destilação para refinarias de petróleo, entre um porto e uma usina. Esse transporte precisa de carretas especiais, condicionamento ou mesmo interrupção no trânsito, a escolha de pistas e de estradas que comportem o peso e o volume da carga, a resolução para a transposição de pontes, etc., tudo isso colocando em risco a viabilização de projetos industriais. Então, você tem a possibilidade de utilizar balões de carga amarrados a caminhões e assim puxar essas cargas suspensas, explica Waterhouse.

Por outro lado, a eventual utilização dos dirigíveis poderá compreender outras situações, como, por exemplo, a vigilância da fronteira brasileira, através de pequenos aeróstatos presos em terra, elevados a dois ou três quilômetros de altura, conseguindo-se assim monitorar, 24 horas por dia, uma faixa ampla de terreno com o mesmo desempenho de um avião, mas sem o custo que ele acarreta para fazer a operação. Outras situações estão já equacionadas, como, por exemplo, segurança pública, monitoramento militar (no Afeganistão os dirigíveis já estão sendo utilizados para esse fim), busca e salvamento, e inclusive na área das telecomunicações, como explica Waterhouse: Em vez de termos antenas de celulares implantadas em torres, no meio das cidades, com todos os custos e riscos para a saúde, podia-se retirar a ponta da antena que está no topo da torre e colocá-la num dirigível localizado a 200 metros de altura, preso em terra. Só com essa antena você consegue cobrir uma cidade inteira, sem qualquer consequência ambiental e com custos muito reduzidos, comenta o pesquisador.

Podia-se pensar na eventualidade dos dirigíveis recuperarem a sua antiga função ? transporte de passageiros em longas distâncias -, mas James Waterhouse desmistifica o assunto, alegando que esse projeto não teria sucesso, já que os dirigíveis apenas atingem uma velocidade de 130 Km/hora. Segundo o pesquisador, a melhor opção, nesse capítulo, é usá-los para passeios turísticos, como acontece, por exemplo, na Turquia, aproveitando para dar a conhecer as paisagens e riquezas naturais deslumbrantes que o nosso país possui.

(Rui Sintra – jornalista)

12 de março de 2018

Ciência e tecnologia para o desenvolvimento do Brasil

Na década de 1960 o Brasil tinha pouquíssimos cientistas e pesquisadores, não havia regime de tempo integral para docentes nem ambiente de pesquisa nas universidades. Também não haviam engenheiros ou especialistas em setores básicos da indústria, nosso parque industrial era incipiente e não existia cultura de inovação nas empresas. Na palestra abordaremos aspectos históricos e geopolíticos da ciência e tecnologia no mundo e apresentaremos uma breve história da ciência no Brasil contextualizando o grande progresso feito nas últimas décadas.

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Resenha

Sergio Machado Rezende

Em mais um programa “Ciência às 19 Horas”, realizado no IFSC-USP, no dia 14 de setembro, pelas 19 horas, o Prof. Sergio Machado Rezende, docente e pesquisador da UFPE – Universidade de Pernambuco, abordou o tema intitulado “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”, numa palestra que traçou a história da ciência no nosso país.

Pessoa simples, afável e bom conversador, o Prof. Sergio Machado Rezende, ocupou o cargo de ministro da pasta da Ciência e Tecnologia no segundo mandato do Presidente Lula (2006-2010), sendo que, atualmente, considera seu laboratório, na UFPE, o seu reduto, o seu cotidiano reinventado na sua paixão, nem por isso negando participar em inúmeras palestras para dissertar, principalmente perante jovens estudantes universitários, um tema que para ele é muito querido: “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”.
Na conversa amena que mantivemos com Sergio Rezende, o ex-ministro referiu que o Brasil começou tarde no desenvolvimento das áreas de Ciência e Tecnologia, mas sublinhou que seu desenvolvimento tem sido constante. Na opinião do pesquisador, o Brasil teve algumas épocas onde as dificuldades imperaram, com diversos imobilismos e retrocessos em algumas questões, como, por exemplo, orçamentos e políticas, mas o certo é que, de maneira geral, o Brasil evoluiu bastante nas últimas décadas:
Para citar um número, em 1987 o país formou cerca de 4 mil mestres e mil doutores, enquanto que, em 2010, o número total de formados ultrapassou 50 mil – cerca de 40 mil mestres e 10 mil doutores. Multiplicar por dez, no espaço de vinte anos, o número de jovens formados é uma façanha. Tanto é, que hoje, o Brasil começa a despertar a atenção internacional e muitos países – mesmo do designado primeiro mundo – mostram interesse em entender como é que a ciência no Brasil cresceu tanto em tão curto espaço de tempo -afirmou Sergio Rezende.
Para o ex-ministro, uma das explicações está no aparecimento de inúmeros líderes que surgiram nas universidades – na pós-graduação e na pesquisa universitária – e que deram outras perspectivas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação:
Eu costumo dizer isso nas palestras que profiro, principalmente aos jovens, pois eles desconhecem que há vinte anos não havia praticamente nada no nosso país, em termos de pesquisa – não havia laboratórios, equipamentos, pessoal qualificado. Mesmo que a situação de hoje não seja ainda considerada ideal e que ainda exista muito para fazer, o certo é que nós estamos fazendo um grande progresso: ele é notável e é notado no exterior, já que a ciência e tecnologia são áreas fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país -salientou o ex-ministro.
De fato, se repararmos com atenção, há muita coisa acontecendo em ciência, tecnologia e inovação no Brasil e, segundo Sergio Rezende, o país irá ser completamente diferente daqui a
dez ou vinte anos, quando o sistema estiver todo implantado e disseminado. Para o ex ministro, a ciência brasileira tem que ser tratada que nem futebol:
O Brasil é bom no futebol porque em todas as cidades existem escolinhas de futebol e campos para os mais novos aprenderem e praticarem. Acontece o mesmo com a ciência e tecnologia, já que estamos construindo agora mais escolas e universidades e o nosso país tem tudo para ser muito bom na geração de conhecimento e de inovação – acrescenta Sergio Rezende.
Um dos temas que não poderia faltar nesta conversa foi a experiência que Sergio Rezende teve à frente do MCT e na possível nostalgia que o pesquisador sentiu quando regressou à UFPE:
Eu me considero uma pessoa com muita sorte e sinto uma felicidade extrema em ter encontrado os parceiros certos na época certa. Fui para Recife ainda jovem, em grande parte porque o Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP) me convenceu. Eu era professor no Rio de Janeiro, recém formado doutor, e havia uma proposta de se construir um departamento de Física, com pesquisa, em Recife: claro que eu achava aquele desafio uma completa “doideira”: sair do Rio de Janeiro e ir para o Nordeste era coisa de doido. Mas o Prof. Sergio Mascarenhas insistiu, dizendo que ele próprio tinha ido para São Carlos (SP) para contribuir para a implantação de um instituto da USP, e que a cidade não tinha nada – e era verdade. Se prestarmos alguma atenção, a cidade de São Carlos é, hoje, um importante pólo de tecnologia, formando pessoas para todo o Brasil e inclusive para o exterior, e muitos estudantes de países da América do Sul escolhem São Carlos para completar seus estudos, já para não falar que a cidade tem um importante pólo de empresas tecnológicas. Por exemplo, eu estive na empresa “Opto”, cuja criação eu acompanhei na década de 80, e é impressionante sua evolução ao longo do tempo. Esse é um excelente exemplo de uma empresa de tecnologia nacional, formada dentro do IFSC-USP. Bem, voltando ao Prof. Sérgio Mascarenhas, ele tanto insistiu que acabei indo para Recife. Em Pernambuco, além de ter conseguido alcançar uma carreira de professor e de pesquisador, também tive a oportunidade de desempenhar diversos cargos como gestor, conciliando bem todas essas atividades. Fui, durante muitos anos, chefe de departamento, depois fui diretor de centro, diretor científico da FAPESPE, secretário de estado e secretário municipal – recorda o ex-
ministro.
Sergio Rezende confessou que a única motivação que teve para ocupar esses cargos foi a enorme vontade que ele sentiu em poder contribuir com algo para o bem público e, refira-se conseguiu fazer tudo isso sem abandonar as suas atividades de pesquisa. Quando entrou pela primeira vez no governo federal, (2003-2005 – primeiro mandato do Presidente Lula), foi no cargo de Presidente da FINEP, tendo sido convidado, em 2005, a assumir o MCT (segundo mandato do Presidente Lula):
Realmente, aceitei esse desafio não pelo cargo, mas sim pelo fato de poder fazer coisas novas e  emocionantes pelo Brasil. Claro que, após determinado tempo, o sacrifício pessoal começa a pesar nos nossos ombros, a família começa a ficar cada vez mais distante e tudo isso começou a me desgastar, inclusive em termos de saúde. Assim, no meio de 2010, iniciei o planejamento do meu retorno à universidade, ao meu laboratório de Física, e aí juntei todo material que eu dispunha e escrevi o livro intitulado Livro Azul, uma publicação que é a síntese das propostas colhidas durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, visando um período de dez anos e, ainda, a parte de conteúdo documental que conta com um livro com a história  do MCT, outra publicação com todas as entidades que compõem a pasta e, ainda, um com o mapeamento dos mestres e doutores do País – recorda o pesquisador.
Numa breve pausa de sua fala e com o olhar momentaneamente fixado no vazio, Sergio Rezende afirmou:
A partir desse momento senti que tinha feito alguma coisa de útil a favor do Brasil: dei o melhor de mim, tive um grande apoio do Presidente Lula, não só no aumento do orçamento do ministério, como, também, na implantação das políticas. Estou plenamente realizado – desabafou Rezende – Agora, estou usufruindo de coisas que ajudei a implantar, como, por exemplo, poder fazer ciência com recursos. O que eu sinto do passado é uma grande satisfação de ter contribuído para fazer algo de bom em prol do desenvolvimento do nosso país. Acredite que me sinto muito mais saudável – completou Rezende, esboçando um largo e repentino sorriso.
Questionado sobre a hipótese de voltar ao MCT, Sergio Rezende disse:
Cheguei a ser sondado em meados do ano passado, mas eu disse que já tinha feito o que podia e sabia fazer: mais do que fiz era impossível e precisava voltar para meu laboratório, precisava regressar às minhas origens. O plano de ciência e tecnologia que elaboramos em 2007 foi integralmente cumprido e isso dá uma enorme satisfação e um sentimento de… Dever cumprido.
(Rui Sintra – Jornalista)
12 de março de 2018

Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

Comemora-se os 25 anos de criação do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) em Março de 2010.

Na ocasião aproveita-se para discutir a história , os caminhos e descaminhos do desenvolvimento socioeconômico do Brasil frente aos grandes desafios da globalização no séc. XXI. O papel do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação emerge como fundamental para todos os problemas avassaladores de nossa sociedade heterogênea, assimétrica e com altos índices de violência, corrupção e baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), Soluções para os grandes desafios do séc. XXI: fome, saúde, energia, água, mudanças climáticas, explosão demográfica, convergem lodos para fatores ligados ao sistema de ciência, tecnologia e inovação se conjugado virtuosamente ao desenvolvimento cultural e humanístico .Essa denominada Terceira Cultura (segundo C.P.Snow) é então discutida como fecho filosófico e histórico da palestra, num viés de esperanças e realidades.

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2 de março de 2018

A arte de voar: aventura, saber e tecnologia

Como voa um avião?
Quão seguro é voar?
Onde e como a sociedade civil atual usa aviões?

Estas e outras questões serão tratadas nesta palestra que visa dar ao leigo uma interessante visão da arte de voar.

Serão discutidas também as tecnologias atuais e futuras dos aviões, a contribuirão do Brasil a industria aeronáutica mundial, e as perspectivas da região de São Carlos nesta área tecnológica tão importante para a sociedade atual.

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26 de fevereiro de 2018

O Segredo da vida

Fruto da mutação radical do saber cientifico no âmbito biológico e suas tecnologias vem perpetrando uma virada da época na sociedade e principalmente no modo como o homem vê a si mesmo.

A interação entre biologia e tecnologia, tornou possível intervir sobre os organismos vivos do modo como antes se intervia sobre a matéria inerte, o homem descobriu a via para remodelar os seres vivos. A tecnológica encampa a vida.

Conduzidos pelos personagens da descoberta que disparou esta virada, lançamos uma reflexão, imagética mais que textual sobre homens e genes. Ao tirarem o véu da estrutura da molécula do DNA, Francis Crick e James Watson torraram-se personagens de uma trama que revela não só a natureza da ciência e da sociedade, mas do próprio homem. Da natureza a o espanto da sociedade, a complexibilidade dos fatos e da vontade humana do homem, atitudes.

Na revolução do gene, provocados pelo saber que emana da na1ureza revelada, posicionam os personagens.

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