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16 de março de 2018

Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer

“Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer”

“Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer” foi o tema abordado em mais uma edição do programa “Ciência às 19 Horas”, organizado pelo IFSC/USP, e que ocorreu no último dia 25 de Abril, no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas”, com a participação da Dra. Anamaria A. Camargo (PhD), Coordenadora do Centro de Oncologia Molecular do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Hospital Sírio-Libanês (SP).

Em sua apresentação, Anamaria Camargo abordou o fato de o Câncer ser, de fato, um nome usado para definir mais de 100 doenças distintas, que tem em comum o crescimento descontrolado das células de um determinado tecido, situação que afeta os tecidos adjacentes e distantes formando as metástases.

Recordamos que o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 8.8 milhões de mortes em 2015.

Um pouco antes de sua apresentação, Anamaria Camargo conversou com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP e fez uma espécie de resumo do tema que se mantém, infelizmente, atual.

Para assistir a essa pequena entrevista, clique na imagem abaixo:

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Doença Arterial Coronária: Treinamento Físico e Reabilitação Cardíaca

Doença Arterial Coronária: Treinamento Físico e Reabilitação Cardíaca, foi o título da palestra apresentada, no último dia 19 de maio, inserida em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, evento promovido mensalmente pelo IFSC/USP, tendo- se contado, desta vez, com a participação do conhecido e respeitado médico cardiologista da cidade de São Carlos e professor do Departamento de Ciências Fisiológicas, Laboratório de Fisiologia do Exercício, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Dr. Roberto M. M. Verzola.

Verzola abordou o papel do exercício físico na prevenção de doenças cardiovasculares (prevenção primária) e na reabilitação dos pacientes que já apresentaram eventos coronarianos, bem como na prevenção de novos eventos (prevenção secundária), tendo mostrado que o treinamento físico adequado também é benéfico para pacientes com insuficiência cardíaca crônica.

Sabe-se que o exercício físico contribui para essa prevenção, mas, contudo, existe a necessidade de se transmitir ao público os seus reais benefícios. Neste aspecto, o Dr. Roberto Verzola é enfático ao afirmar que o exercício físico atua de diversas formas, como, por exemplo, na circulação coronária, já que quanto mais precocemente for iniciado, mais ele aumenta a circulação da lateral coronária e aumenta o índice de vasos que irrigam a mesma região, sendo, por isso, um benefício enorme. Quando algum desses vasos tem problema de esclerose ou obstrução e o paciente aumenta a capacidade física, esse exercício eleva a capacidade aeróbica máxima, ou seja, o consumo máximo de oxigênio. Então, o indivíduo desenvolve uma capacidade de captar e usar esse oxigênio com maior eficiência na produção do ATP, que é utilizado no exercício: são inúmeras as vantagens, elucida Verzola, acrescentando que, com isso, o aumento da capacidade de gasto de oxigênio no próprio músculo cardíaco contribui, igualmente, para o aumento da capacidade de bombeamento do músculo.

Com o avanço da idade, tudo isso beneficia o paciente, que fica com menos instabilidade no andar, sofre menos quedas e beneficia-se no sentido de que a solicitação muscular aumentada previne a osteoporose, sendo que é a melhor opção para a prevenir, tanto no idoso, quanto na mulher e no homem. O exercício físico é benéfico antes e após qualquer episódio coronário. Se for executado após o citado episódio, não existe qualquer dúvida que todos os benefícios colhidos anteriormente irão ter grande utilidade para a recuperação do paciente, que durante esse estágio deverá imediatamente ser sujeito a uma prevenção secundária, desta feita executada por fisioterapeutas especializados em reabilitação cardíaca, alerta Verzola, ressaltando que esse trabalho requer algumas preocupações com relação aos resultados que irão ser colhidos daí para a frente: o paciente tem uma cicatriz decorrente do infarto e ela diminui o desenvolvimento e a performance cardíaca, mas os benefícios continuam para a vida toda.

Muitas pessoas têm dúvidas em relação ao grau de reabilitação atingida por um paciente, após um acidente cardiovascular. Na verdade, a reabilitação começa na fase hospitalar, ainda dentro da UTI. Vinte e quatro horas após o incidente, o paciente deverá começar a fazer exercícios com os membros, orientado por um fisioterapeuta cardiovascular. Depois que ele sai da UTI, da terapia intensiva/unidade coronária, o paciente vai para o quarto e continua fazendo fisioterapia: a esses dois momentos, seguidos, dá-se o nome de Fase-1. A seguir a essa fase aparece a Fase-2, onde o paciente, já em processo ambulatório, é sujeito a exercícios físicos supervisionados, sendo que após três ou quatro meses ele entra nas designadas Fase-3 e Fase-4, em que está livre, mas com a obrigatoriedade de fazer atividade física para o resto da vida.

Outro aspecto que vale abordar, neste contexto, é o chamado paciente com insuficiência cardíaca crônica, que é uma insuficiência cardíaca estável, portanto tratada, e que já tem um tempo de evolução, como explica o nosso convidado. Por exemplo, depois do infarto, você pode ter uma insuficiência cardíaca aguda, porque o episódio foi agudo. Mas esse infarto pode decorrer de uma doença valvular, cardiopatia isquêmica, doença de Chagas ou febre reumática. Esse aspecto é importante. Até há cerca de quinze ou vinte anos, era um tabu pensar em fazer atividade física aeróbica e, pior ainda, assistida, porque se pensava que isso aumentava a mortalidade: nada mais falso. É óbvio que existe um risco transitório durante a execução de exercício físico, mas, em longo prazo, o benefício é muito maior, a qualidade de vida melhora muito. A insuficiência cardíaca crônica é uma insuficiência cardíaca instalada já há algum tempo, explica o médico.

Por outro lado, muitas pessoas têm receio de fazer exercício físico, principalmente quando vêem notícias relacionadas com indivíduos que morrem em academias, ou praticando algum esporte. Para Verzola, é necessário ver, em primeiro lugar, se essas pessoas estavam sendo bem orientadas, de que forma estavam fazendo determinadas cargas de exercícios, se fizeram atividades prévias monitorizadas para garantir que determinada carga não acarretasse nenhum risco. Essas mortes, em geral, não são devidas a doença coronária. Essas pessoas têm cardiomiopatia hipertrófica, que não foi diagnosticada, ou miocardite, ou seja, são doenças derivadas de causas cardíacas – não coronárias. Por vezes, eles têm alguma síndrome arritmogênica não diagnosticada… A maioria desses atletas, com vinte e poucos anos, tem morte súbita fazendo um desempenho ou jogando uma partida de futebol… não é doença coronária. As pessoas fazem confusão com muitas coisas. Por exemplo, qualquer demência senil, hoje, é sinônimo de Alzheimer. O Alzheimer virou um guarda-chuva: as pessoas acham que tudo é Alzheimer! Quando se trata do coração, as pessoas pensam que tudo é igual, conclui o palestrante.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Termografia: importante aliada na medicina

O Programa Ciência às 19 horas despediu-se do ano 2014 com a realização da palestra intitulada Termografia: a detecção do infravermelho no corpo humano para auxílio na medicina, um tema que foi abordado no dia 18 de novembro pelo Dr. Antonio Carlos de Camargo Andrade Filho, Coordenador da Rede Lucy Montoro – Unidade de Jahú.

Nesta palestra, Andrade Filho salientou o fato dos corpos animados e inanimados poderem emitir, ou absorver radiação infravermelha, sendo esta oriunda de movimentos rotacionais moleculares. Como o corpo humano é composto por células vivas e dependendo do tecido, órgão, ou localização que ocupam, ele emite mais, ou menos radiação eletromagnética. Essa radiação pode, portanto, ser medida com muita precisão e daí poder-se aferir e conferir desvios da normalidade do corpo humano como um auxílio para a área médica. Essas mensurações das radiações infravermelhas servem para pesquisas médicas, testes de novas drogas, prevenção de doenças ou epidemias, além de poderem controlar a evolução de tratamentos com bastante frequência, uma vez que esse tipo de exame é destituído de qualquer risco para o paciente.

Contudo, é interessante conhecer a história – embora resumida – de como apareceu essa técnica, que remonta ao período do declínio da II Guerra Mundial, quando os aliados buscavam um método que pudesse detectar movimentos suspeitos das forças do Eixo – navios, aviões e comboios de veículos -, principalmente em locais com pouca visibilidade ou mesmo em períodos noturnos, o que de fato conseguiram fazer.

Contudo, segundo Andrade Filho, o domínio da tecnologia, naquela época, era bastante primitivo, o que postergou o desenvolvimento da técnica em cerca de vinte anos, com o advento da guerra fria e com o aparecimento dos mísseis intercontinentais. Rússia, EUA, Suécia, Japão, além de países mais próximos da então União Soviética, temiam o aparecimento súbito de mísseis que não pudessem ser abatidos, devido às suas velocidades, e foi a partir daí que a detecção precoce desses mísseis, no momento do seu lançamento, passou a ser possível com a tecnologia que se desenvolveu nessa época, que, entretanto, cresceu e evoluiu muito. Simultaneamente, a classe médica que trabalhava ao serviço das forças armadas na Europa ocidental e oriental, junto com seus colegas asiáticos e americanos, começou a pensar no uso civil e pacífico dessa técnica no campo da medicina, principalmente voltada para a detecção precoce de doenças, ou no auxílio de diagnósticos clínicos. Embora a intenção fosse altruísta e importante, o certo é que essa tecnologia, por ser extremamente sensível para fins militares, ficou vedada á classe médica, daí o fato dos clínicos terem avançado muito pouco na utilização da detecção do infravermelho do corpo humano para fins de diagnóstico. Só com a queda do Muro de Berlim e com a pulverização da ex-URSS, essa tecnologia passou a ser mais divulgada no meio civil, tendo começado, então, a existir um interesse crescente no uso da detecção das anomalias do infravermelho do corpo humano, uma tecnologia que é considerada muito sensível e que auxilia bastante o médico, só que de baixa especificidade.

O Dr. Andrade Filho explicou o significado do termo baixa sensibilidade: Por exemplo, uma ressonância magnética tem uma especificidade maior na área anatômica e morfológica, mas baixa especificidade na área metabólica: por outro lado, a termografia tem uma alta sensibilidade para detectar qualquer anomalia de emissão do infravermelho do corpo humano. Qualquer doença, por menor acometimento que possa causar, já acusa uma anomalia na emissão do infravermelho – para mais ou para menos – e isso a ressonância magnética, a tomografia, a cintilografia, bem como outros exames subsidiários médicos, não têm essa sensibilidade, mas têm especificidades maiores em cada área, de tal maneira que a termografia médica situa-se como um exame de triagem, mostrando se o paciente tem alguma anomalia, ou não.

Contudo, segundo nosso entrevistado, outra importância desse exame é na prevenção de epidemias. Por exemplo, ao nível de aeroportos, portos, estações ferroviárias e estações rodoviárias, uma câmera termográfica colocada nos locais de embarque e desembarque pode detectar, com muita sensibilidade e rapidez, alguém que esteja iniciando um quadro infeccioso – por exemplo, pelo vírus ebola, gripe aviária, gripe suína, etc. Ao nível de centro cirúrgico, a termografia também se mostra quase que imprescindível nos dias de hoje: Por exemplo, pode auxiliar um cirurgião cardíaco que esteja fechando uma artéria coronária de um paciente e queira saber se essa artéria vai funcionar – ou não – após a sua religação. Antigamente, só se sabia esse resultado depois que o cirurgião fechava o peito do paciente, sem se poder antever ou acompanhar em tempo real a eventual ocorrência de uma trombose. Se algo corresse mal, havia a necessidade de abrir o peito desse paciente novamente. Hoje não, explica Andrade Filho, que acrescenta: Hoje, um cirurgião, com uma câmera de termografia, conecta-se à artéria coronária, solta o fluxo sanguíneo e em tempo real vê se o músculo está recebendo toda a irrigação necessária ou se a artéria está profundindo normalmente, não tendo a necessidade de reabrir o paciente novamente. Na Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão, essa técnica já se encontra bastante difundida, ao contrário do que acontece no Brasil, que só agora começa a ter uma expansão exponencial: Eu estudo isso há quase 29 anos e, no início, éramos apenas dois médicos que utilizavam essa tecnologia no Brasil. Atualmente, o nosso país já conta com uma sociedade médica com titulação para isso, além de cursos específicos de formação para essa área, comenta Andrade Filho.

Sendo uma aliada da medicina, a termografia já está num curso de desdobramento de suas capacidades e, neste momento, ela já participa nos chamados exames acoplados, como, por exemplo, a utilização do Raio-X acoplado à termografia, da ressonância magnética acoplada à termografia e, mais recentemente, o próprio software da ressonância magnética está conseguindo fazer, no mesmo momento, a termografia de todos os planos dos tecidos, de tal maneira que a Ressonância Magnética Termográfica torna-se um exame muito mais completo, mais específico e mais sensível: A termografia, desdobrando-se na sua utilização ao nível de pronto-socorro e de centro cirúrgico, pode salvar muitas vidas, principalmente pela sua facilidade de uso e de sua grande sensibilidade, conclui Andrade Filho.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

O Físico Médico: uma atividade profissional onde a Física e Medicina andam juntas

Chegou ao fim a programação estipulada para o ano de 2012 do programa Ciência às 19 Horas. Na última edição, realizada no dia 13 de novembro, que decorreu no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC), foi dado destaque ao tema Onde a Física e a Medicina se encontram: Física Médica e Neurofísica, uma palestra apresentada pela Profa. Dra. Gabriella Castellano, docente Grupo de Neurofísica do Instituto de Física Gleb Wataghin (UNICAMP).

Nesta interessante palestra, a convidada incidiu seu olhar sobre a atividade de um físico médico – ainda pouco conhecida entre nós -, bem como o entrelaçamento que existe entre as áreas da Física e da Medicina nesse seu trabalho.

As áreas mais importantes da designada física médica são a radioterapia, medicina nuclear e a radiologia ou radiodiagnóstico, sendo que todas elas envolvem o manuseamento de equipamentos complexos, lidando com radiação ionizante. Daí a necessidade, segundo a palestrante, de se ter um profissional que tenha conhecimento, aptidão e especialização neste tipo de radiação, sabendo como ela interage com os tecidos do corpo humano e que danos e benefícios ela pode causar nas pessoas: esse profissional é o físico médico.

Sempre que uma estrutura hospitalar possua equipamentos desse tipo, torna-se necessária a presença de um físico médico. Atualmente, os hospitais têm investido na compra de equipamentos de radioterapia, que servem, principalmente, para o tratamento de câncer: daí que os físicos médicos sejam considerados uma peça fundamental nesses procedimentos, porque uma vez que o médico diagnostica qual é o tipo de câncer que um paciente tem, prescrevendo um tratamento, quem irá fazer o planejamento desse mesmo tratamento, juntamente com o médico, será o físico médico, cabendo a este sugerir qual será o melhor tipo de terapia que irá ser utilizado para tratar esse tumor, de que forma é que a radiação irá ser canalizada, se haverá riscos de reações adversas, quais os ângulos que deverão ser aplicados na radiação, qual a intensidade dela, etc. E o objetivo é sempre tentar destruir o tumor sem danificar ou comprometer todo o tecido que se encontra em redor dele e que está são. Sobre o enquadramento legal desta atividade profissional, Gabriela Castellano explica que, atualmente, existe uma legislação que obriga os centros de radioterapia a terem, no seu quadro de recursos humanos, a figura do físico médico. Contudo, para outras áreas, como a medicina nuclear e o radiodiagnóstico, ainda não existe legislação, mas está-se caminhando nesse sentido. Na medicina nuclear, o usual é utilizarem-se radiofármacos, que são moléculas que possuem elementos radioativos, e que ao serem ingeridas ou injetadas nos pacientes, essas moléculas emitem radiações internas que podem ser utilizadas para se fazerem imagens de determinadas partes do corpo humano. É óbvio que toda a manipulação desses radiofármacos precisa ser feita por profissionais altamente qualificados e especializados, que possam calcular a dose certa que pode ser administrada em determinado paciente, exatamente para que se possa fazer determinada imagem e não outra coisa qualquer que possa prejudicar esse paciente. Por outro lado, como os radiofármacos geralmente são feitos nos próprios centros de medicina nuclear, existe a necessidade de existirem físicos médicos nesses locais, por forma a que o trabalho deles tenha uma sequência lógica, principalmente na interligação com o pessoal de radiofarmácia.

A formação de um físico médico e sua saída para o mercado de trabalho

A física médica é uma disciplina multidisciplinar, onde o físico tem que ter conhecimentos vários, não só no aspecto da física comum, como também nas áreas de medicina, biologia, química e, inclusive, conhecimentos profundos de matemática e computação, porque esse profissional irá lidar  com softwares extremamente complexos e com algoritmos complicados, principalmente para captura e tratamento de imagens com definições de alto padrão, que nada têm a ver com as usuais imagens da radiologia convencional – os tão conhecidos Raios-X. Há quem questione se este profissional é um físico, ou se é um médico: na verdade, ele é um físico e não um médico, mas trabalha lado-a-lado com os médicos, em parceria estreita com eles. Quanto à formação destes profissionais, a Profa. Gabriela Castellano informa:

Vou dar o exemplo da UNICAMP, onde existe um curso de graduação em física médica, em que o aluno faz a maioria de suas disciplinas dentro da área da física básica, passando depois para disciplinas específicas: biologia, medicina, física aplicada à medicina, física de radioterapia, física de me3dicina nuclear, física de radiologia, etc., tudo isso já canalizado, como se vê, para a área médica. São quatro anos de curso, acrescido de um ano de estágio em um hospital ou clínica, e mais um período de residência em física médica num centro de radioterapia, para depois ingressar definitivamente em um hospital ou centro. Contudo, um dos problemas no Brasil, nesta área, é que existem pouquíssimos centros que oferecem esse tipo de residência na área de física médica, mas há a esperança de que esse panorama possa mudar, já que foi lançado recentemente um edital, tendo em vista a possibilidade de serem oferecidas mais bolsas destinadas à residência; como informação complementar, essas residências têm uma carga horária pesada – cerca de 60 horas semanais –, o que demonstra o quanto um físico médico fica preparado para exercer sua atividade.

No Brasil, a demanda por esses profissionais está crescendo muito, mas ainda existem dois problemas que necessitam ser resolvidos: o primeiro, diz respeito à legislação, porque embora seja importante a ação do trabalho do físico médico, esta profissão tem ainda que ser reconhecida legalmente na área específica da radioterapia e essa falta de reconhecimento faz com que muitas clínicas e hospitais ainda prescindam da contratação desses profissionais, o que, para nossa entrevistada, é um erro. O segundo problema diz respeito aos próprios médicos, que são proprietários ou possuem cargos de administração em hospitais, que ainda não perceberam a importância de ter um físico médico ao seu lado, até para gerir e manusear, de forma correta, equipamentos que são extremamente sensíveis e fidedignos, dependendo deles e dos resultados alcançados o sucesso dos diagnósticos e tratamentos, tendo em vista o bem-estar dos pacientes. Fazendo uma comparação com a realidade norte-americana, nesta área o Brasil ainda está engatinhando.

Nos Estados Unidos, o físico médico é o profissional mais bem pago em todas as áreas da Física Aplicada e tem uma demanda muito grande. Por exemplo, no Brasil existem alguns (poucos) equipamentos de ressonância magnética e outros mais dedicados à medicina nuclear, enquanto que nos Estados Unidos existem largas centenas desses equipamentos que estão distribuídos pelos principais hospitais e clínicas. Por outro lado, no Brasil existe apenas um técnico – designado de Cientista Clínico – cuja sua missão – conjuntamente com os pesquisadores – é desenvolver protocolos específicos em ressonância magnética, principalmente no capítulo de geração de imagens: não só ele é o único no Brasil a fazer esse trabalho, como também ele é o único com essa especialidade abaixo da linha do Equador. Comparativamente, só nos Estados Unidos existem cerca de trinta cientistas clínicos para esse objetivo. Agora, imaginemos quantos equipamentos de ressonância magnética existem nos Estados Unidos e quantos existem no nosso país, sublinha a pesquisadora.

O programa Ciência às 19 Horas regressará em março de 2013 com uma programação ainda mais interessante, não só dedicada à comunidade acadêmica e científica, como também, e principalmente, dirigida à sociedade de São Carlos e região.

(Rui Sintra – Jornalista)

16 de março de 2018

Pesquisa e Inovação em Medicamentos no Brasil: Os desafios para reduzir nossa dependência externa

O programa “Ciência às 19 horas” retomou sua atividade neste ano de 2012, recebendo a visita do Prof. Dr. João Calixto, docente e pesquisador do Centro de Ciências Biológicas – Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, que proferiu a palestra intitulada “Pesquisa e Inovação em Medicamentos no Brasil: os desafios para reduzir nossa dependência externa”, evento que decorreu pelas 19 horas, no auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), no dia 20 de março.

Sabendo-se que o Brasil está entre os dez maiores mercados mundiais na área de medicamentos, existe algo contraditório, já que as empresas farmacêuticas nacionais ainda dependem da importação de princípios ativos, principalmente vindos da Índia, China e Coréia, na maior parte das vezes de origem laboratorial duvidosa. João Calixto concorda com essa afirmação, acrescentando que essa é uma questão que não é só aplicada à área dos medicamentos, sendo, também, um problema que acontece em diversas áreas relacionadas com a média e alta tecnologia:

São problemas que ficam claros quando se observa o déficit comercial brasileiro em quase todas essas áreas. Quanto à área dos medicamentos, que é considerada um bem essencial, envolve uma tecnologia altamente complexa e importante. As grandes empresas que fabricam medicamentos encontram-se sediadas, basicamente, em seis países, mas isso não justifica que o Brasil tenha ficado para trás nessa corrida ou nessa disputa. Extrair petróleo do fundo do mar é mais fácil do que fazer um medicamento: então, porque é que um dá certo e outro não? É tudo uma questão de política de Estado. Principalmente a partir da época do governo militar, foram definidas algumas estratégias consideradas como prioridades do Estado – Petrobrás, Embraer e Embrapa – e que duram até afora, com sucesso. Nesse período, quer a área de medicamentos, quer algumas áreas dedicadas à eletrônica não foram entendidas como prioritárias. Curiosamente, a ciência evoluiu bastante e, hoje, o Brasil ocupa uma posição estratégica em nível mundial, na área científica, mas não conseguiu acompanhar esse ritmo de desenvolvimento. Por outro lado, as empresas brasileiras, embora tenham parques fabris importantes, ainda têm um peso excessivo de empreendedorismo familiar, ou seja, trabalham em nichos de mercado, sobrevivendo, em grande parte, dos designados medicamentos genéricos, que foram criados há dez anos – refere o pesquisador.

Com efeito, e segundo a opinião do Prof. João Calixto, o Brasil possui grandes empresas farmacêuticas – principalmente no Estado de São Paulo -, com capital nacional, mas elas não possuem laboratórios de pesquisa, fazem pouca inovação e quase não se articulam com o meio acadêmico. Sabendo-se que o mercado brasileiro de medicamentos ocupa o sétimo ou oitavo lugar, no mundo, é curioso verificar que existe um déficit – recorde-se que o medicamento é um bem essencial, de caráter estratégico. A população vai envelhecendo, vai necessitando de mais cuidados, e o Brasil está com déficit na balança comercial na ordem dos US$ 11 bilhões nas áreas médica e hospitalar. Em comparação, a Índia continua a dar cartas, como explica o pesquisador:

Porque é que a Índia exporta toneladas de princípios ativos? Em 1996/97 houve uma pressão internacional muito forte através da lei de patentes e, nessa época, o Brasil tinha uma dívida externa monumental, quase impagável, e essa questão da lei foi negociada de forma quase impositiva, no nosso país. O Brasil aceitou a pior lei de patentes que se podia imaginar, com implantação imediata, mas retroagindo. Por sua vez, a Índia também foi pressionada, mas ela conseguiu condicionar a sua participação na lei até 2006, ou seja, ela ficou copiando formulações, chamou especialistas do exterior e teve tempo de se modernizar, transformando-se, por fim, num polo importante, jogando o Brasil lá para trás. Daí que tenha sobrado para as empresas brasileiras o conhecido medicamento genérico, mas de uma forma algo desarticulada, sem se ter tido determinados cuidados com sua fabricação. O Brasil importa os princípios ativos, mas depois existem problemas de qualidade do produto, incertezas nas dosagens, variação de preços, etc. Estamos numa situação difícil; somos a sexta economia mundial, um dos países no topo do desenvolvimento científico e, por outro lado, temos estas descompensações – comenta o pesquisador.

As relações entre empresas e universidades

Ao longo dos anos e até ao atual momento, as universidades e as empresas continuam de costas voltadas, cada uma falando seu idioma: não há uma interação plena, não há diálogos, apenas monólogos, fato que também tem contribuído para espécie de estagnação no setor. João Calixto não sabe se esse problema é uma causa ou uma consequência do que foi dito acima. Na opinião do pesquisador, para algumas pessoas a desculpa poderá estar no fato da ciência brasileira ser ainda muito jovem, mas segundo ele isso não é justificativa, já que a ciência pode ser jovem mas nascer moderna.

No Brasil, a ciência virou uma mercadoria de luxo, uma plataforma para enriquecer currículos, um status, em que as pessoas olham para o seu próprio umbigo e não estão nem aí para o país. Dizem, apenas “eu sou um cientista” e isso não existe em nenhum outro país. O cientista tem que estar inserido socialmente onde vive. A ciência não tem pátria, mas o cientista tem: ele tem um compromisso com seu país, que o está financiando. Essa falta de relacionamento e de diálogo entre universidades e empresas teve origem no falso conceito de que o cientista era dominado pelos interesses econômicos e produtivos das empresas; não há muito tempo atrás, qualquer grupo de pesquisa que trabalhasse com empresas era imediatamente rotulado por seus colegas como “mercenário”, e isso é uma ideia completamente retrógrada. O mundo mudou e a visão tem que ser abrangente, moderna e flexível e temos que deixar de construir clones de nós mesmos (alunos). Todo mundo quer estudar para fazer concurso público, para ter um emprego estável, ninguém, quer ser inovador, ninguém quer arriscar; o próprio cientista não quer arriscar. E, não tendo riscos, esta nova geração de estudantes, de doutores, vai trilhar os mesmos caminhos de seus mestres e esses caminhos a gente sabe onde vão dar – a uma ciência sem inovação. Para que as ideias, projetos e ações não fiquem amorfos, sempre tem que existir a crítica, salutar e pertinente, construtiva. Já reparou que nosso modelo científico e tecnológico não tem crítica há longos anos? Parece um clube que só quer ter elogios, onde todos querem dinheiro mas ninguém fala que é necessário mudar o rumo da ciência do país, que é preciso mais comprometimento, mais e melhor avaliação, mais inserção social, da necessidade de ter o setor produtivo do lado dos cientistas. O que todo o mundo quer é ter uma zona de conforto, escrever “papers” ou ver seu nome inserido em alguns, para falsamente engrossar seu currículo: só isso não basta – desabafa João Calixto.

A Burocracia do Estado

A burocracia das agências de fomento à pesquisa é um apêndice da burocracia do Estado e, por isso, muita coisa no Brasil foi feita para não funcionar. Esta humorística afirmação de João Calixto foi feita com um sorriso de tristeza, ao exemplificar, de seguida, casos verdadeiramente impensáveis:

Vou dar para você um exemplo relacionado com biodiversidade, onde os cientistas recebem dinheiro do Estado para desenvolver pesquisa e que, na sequência, esses cientistas estão proibidos, por lei, de aplicá-la. Temos casos de indústrias que foram recentemente punidas pelo Estado, porque fizeram experimentos sérios na área de biodiversidade, desenvolvendo produtos inovadores, na sequência de pesquisas subsidiadas. Assim não dá! Por outro lado, a burocracia do Estado cobre e protege muita incompetência de todo esse processo; contudo, a burocracia não é culpada de tudo o que acontece. Há no Brasil uma série de leis que justificam aquilo que não devia ser justificado e a burocracia é uma delas. Não se pode reclamar que não existe dinheiro. Existe e muito! Só que o dinheiro que é investido não é proporcional aos resultados que se obtém; não há uma verdadeira estratégia nacional, uma política de Estado para as áreas de ciência e tecnologia – pontua João Calixto.

O futuro

Já que o Brasil não possui centros capazes de fazer inovação, o Prof. João Calixto foi desafiado pelo governo federal para ajudar a neutralizar o grande gargalo que existe na área de medicamentos, através da criação e construção de um centro, com padrão internacional, que seja capaz de fazer essa ligação. O desafio foi aceito, o centro está praticamente pronto, mas o pesquisador se confronta agora com algo inusitado:

Você não imagina o quão difícil está sendo apetrechar o centro com recursos humanos de alta qualidade. É um drama! Você chega à conclusão que, apesar do Brasil formar dezenas de milhar de doutores, não existe gente altamente qualificada nas áreas de ponta, ou seja, o país é obrigado a trazer especialistas de fora. As pessoas ficam assustadas, mas o certo é que se o país nunca fez medicamentos, como é que se resolve esse problema? Trazendo especialistas de fora para nos ensinar, para nos atualizar e modernizar. Isto é sério! Os cientistas perdem a noção da realidade, pois não saem de dentro da universidade e perdem o compasso – refere João Calixto.

Para o nosso entrevistado, o futuro não vai ser fácil, até porque o país está adiando muitas decisões que já deveriam ter sido implantadas há pelo menos dez anos. Para o nosso entrevistado, o Brasil está formando doutores clones de seus mestres e a tendência é perpetuar procedimentos:

A área de Ciências Exatas está déficit no país e isso é altamente prejudicial ao desenvolvimento nacional. O país tem que alterar rapidamente o rumo, mas essa mudança de quadrante não vai agradar a muita gente, especialmente aos políticos. Estamos enviando milhares de estudantes para o exterior, através de bolsas de estudo, por forma a se capacitarem, e isso é extraordinariamente positivo, mas levanta uma questão: para que universidades é que esses estudantes e pesquisadores estão indo? Elas são de qualidade? Quando esses estudantes e pesquisadores regressarem, qual será o retorno desse esforço nacional? Não seria mais eficaz e mais barato trazer gente de fora, altamente capacidade, para nos ensinar – como fez a China, Índia e Coreia? Só que os espaços que existem para se fazer estas discussões e reflexões são muito pequenos, ou simplesmente não existem. O futuro está difícil.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Profa. Lygia da Veiga Pereira (IB-USP) disserta sobre realidades e promessas das Células-Tronco

Decorreu no dia 21 de março, pelas 19 horas, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), a primeira edição de 2011 do já conhecido programa Ciência às 19 Horas, tendo como destaque a palestra intitulada Células-Tronco: Promessas e Realidade da Terapia Celular, ministrada pela pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da USP (*), que, de uma forma aberta e completamente decodificada, discutiu os rumos das pesquisas desenvolvidas na atualidade, além das perspectivas futuras e dos desafios desse novo tipo de tratamento.

Com efeito, para Lygia Pereira, a terapia celular vem ocupando, desde há alguns anos, um espaço enorme de divulgação, principalmente na mídia, e, segundo a palestrante, essa mídia tende a apresentar os pequenos avanços que foram feitos nessa área de uma forma muito sensacionalista, até porque existe uma expectativa muito grande da população e dos pacientes em terem resultados positivos e de essas promessas poderem virar realidade. Assim, segundo a pesquisadora, qualquer pequeno avanço é notícia de primeira página e isso faz com que a população – os leigos – tenha uma percepção de que a terapia com células-tronco já seja uma realidade e que já se encontre an execução tratamento para derrames, infartos e diabetes através desse procedimento. Na verdade, tudo isso é ainda uma promessa. Segundo Lygia, as únicas terapias que estão consolidadas, utilizando células-tronco, e que qualquer médico pode aconselhar, são os transplantes de medula óssea, um procedimento clínico que já é feito há cerca de cinqüenta anos; e o transplante de medula óssea é um transplante de células-tronco, células essas que são responsáveis pela fabricação do sangue. Então, quando alguém tem, por exemplo, uma leucemia, uma das formas de tratamento é através do transplante de medula óssea, e desde 950 que isso é feito: Por enquanto, esse é o único tratamento com células-tronco que é consolidado na medicina, esse é o único tratamento com base em células-tronco que um médico pode receitar para seu paciente. Tudo o resto, lesão de medula, doença cardíaca, AVC, ainda é experimental.

Segundo a pesquisadora, para a Doença de Parkinson, por exemplo, ainda se está na fase de testes em camundongos, enquanto que em outras doenças já se avançou um pouco mais, tendo-se entrado na fase de testes em humanos. Enfatizando o tema, Lygia refere que, de vez em quando, aparecem nos jornais – principalmente na TV -títulos como este: paciente cardíaco tratado com células-tronco sai da fila de transplantes. Para a pesquisadora, (…) essa noticia é maravilhosa, contudo, esse paciente faz parte de um grupo grande de pacientes que está sendo testado, ou seja, ele faz parte de um experimento. Um resultado positivo conta pouco, o que temos de ver é quantos pacientes melhoraram com a introdução das células-tronco versus os que não foram tratados com elas. Esse paciente melhorou por coincidência, por mero acaso, ou foi graças às células-tronco?… Tudo isto é muito mais complexo do que aquilo que a mídia divulga (…). Para nossa entrevistada, o importante é as pessoas saberem que, apesar de já se ter avançado muito em algumas áreas, o certo é que nenhum médico sério pode oferecer tratamentos com células-tronco para nenhuma das doenças que falamos atrás, porque isso ainda está em fase de experimentação, de pesquisa, sublinha Lygia Pereira.

Quando questionamos a pesquisadora sobre quanto tempo demorará até se conseguir ter respostas concretas, Lygia foi incisiva, ao referir que isso vai depender da área de pesquisa. Os tratamentos com células-tronco têm diferentes velocidades, conforme o tipo de doença. Por exemplo, no caso da diabetes auto-imune, em que o paciente tem essa doença porque seu sistema imunológico ataca suas células do pâncreas, o Prof. Júlio Voltarelli, da USP de Ribeirão Preto, está tendo resultados muito bons nos testes que estão sendo feitos em humanos, aplicando células-tronco. Então, o tratamento para esse tipo de doença está mais avançado, está mais próximo de uma realidade clínica. Contudo, a pesquisadora adverte: mas, atenção, estar mais próximo não significa que existe uma certeza de que esse tratamento vai virar uma realidade clínica. Contudo, esses estudos do Prof. Voltarelli estão, de fato, muito avançados e estão muito perto de virar tratamento. Outras doenças, como, por exemplo, lesão de medula e paralisia, nós ainda não vimos nenhum resultado animador nos testes feitos em humanos, refere Lygia. Foi aprovado, nos Estados Unidos, recentemente, um ensaio clínico utilizando células-tronco embrionárias e vamos ver se elas funcionam para esses tipos de doenças. As doenças do sistema nervoso são bem mais complexas, daí que você tenha velocidades diferentes na aplicação das células-tronco.

Lygia Pereira não arrisca dizer em quanto tempo se poderá ter respostas concretas e positivas na aplicação de células-tronco para determinadas doenças:

Há dez anos, eu dizia que demoraria dez anos para haver uma evolução concreta… E estamos neste estágio: hoje, eu não vou dizer que espero ter respostas positivas daqui a dez anos. Eu entendo a expectativa e urgência dos pacientes e de seus familiares, mas a pesquisa séria, além de ser audaciosa, tem que ser cautelosa e por isso eu digo que estamos na fase da promessa, bem embasada, com muitos testes promissores. Vamos aguardar, remata a conferencista.

(* Lygia da Veiga Pereira é professora associada e chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LANCE) da USP)

Rui Sintra – Jornalista

14 de março de 2018

Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer

Câncer é um nome usado para definir mais de 100 doenças distintas, que tem em comum o crescimento descontrolado das células de um determinado tecido. Esse crescimento descontrolado afeta os tecidos adjacentes e distantes formando as metástases. O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 8.8 milhões de mortes em 2015.

O câncer é causado por alterações que ocorrem no material genético das células e que são capazes de reprogramar as células normais e transformá-las em células tumorais. O sequenciamento do genoma humano e o desenvolvimento de novas metodologias de análise do material genético permitiram aos cientistas identificar essas alterações e, com isso, compreender os diferentes passos dessa transformação.

O conhecimento acumulado ao longo da últimas 4 décadas começa a ser utilizado em benefício dos pacientes com câncer, permitindo um diagnóstico mais precoce, um melhor acompanhamento da doença e o desenvolvimento da medicina personalizada na oncologia, na qual é possível selecionar o tratamento mais eficaz com base nas informações genéticas do tumor. Nesta palestra, vamos falar um pouco sobre as bases genéticas do câncer, sobre o processo de transformação celular e sobre como a medicina personalizada tem sido utilizada para mudar a história de alguns tipos de câncer.


Resenha

Anamaria A. Camargo (PhD)

Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer foi o tema abordado em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, organizado pelo IFSC/USP e que ocorreu no último dia 25 de Abril, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, com a participação da Dra. Anamaria A. Camargo (PhD), Coordenadora do Centro de Oncologia Molecular do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Hospital Sírio-Libanês (SP).

Abordando o tema de forma bem genérica, em diálogo realizado mesmo antes de sua palestra, a pesquisadora sublinhou o fato do câncer ser uma doença genética causada por alterações que herdamos dos nossos pais e também por alterações que são introduzidas ao longo de nossa vida, tanto por ação do ambiente como da própria fisiologia das células.

Essas alterações determinam o comportamento das células tumorais e caracterizar essas alterações tem sido muito importante para a medicina, por ter permitido desenvolver novos métodos de diagnóstico e terapias mais direcionadas contra a doença.

Normalmente, as terapias que se conhecem, nomeadamente, radioterapia e quimioterapia, afetam todas as células normais, que se dividem, e essas novas terapias, ao contrário, vão afetar apenas as células tumorais, provocando menos efeitos colaterais e uma eficácia maior.

Contudo, existe a necessidade de identificar quais são os pacientes que se beneficiam desse novo tratamento e aí aparece o papel extremamente importante trazido pela medicina personalizada, que é identificar qual a melhor droga para o paciente, por forma a ter o melhor resultado. Isso tem sido a história da medicina personalizada, que é uma história recente, mas que já tem tido resultados muito interessantes para alguns tipos de câncer, como o de pulmão, de mama, nas leucemias, e até mesmo no câncer do cólon.

13 de março de 2018

Doença Arterial Coronária: Treinamento Físico e Reabilitação Cardíaca

A palestra abordará o papel do exercício físico na prevenção de doenças cardiovasculares (prevenção primária) e na reabilitação dos pacientes que tenham apresentado eventos coronarianos e na prevenção de novos eventos (prevenção secundária).

Mostra-se que o treinamento físico adequado também é benéfico para pacientes com insuficiência cardíaca crônica.

 

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Resenha

Dr. Roberto M. M. Verzola

Doença Arterial Coronária: Treinamento Físico e Reabilitação Cardíaca, foi o título da palestra apresentada, incluída em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, ocorrida no dia 19 de maio, no IFSC/USP, com a participação do conhecido e respeitado médico cardiologista da cidade de São Carlos e professor do Departamento de Ciências Fisiológicas, Laboratório de Fisiologia do Exercício, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Dr. Roberto M. M. Verzola.

Verzola abordou o papel do exercício físico na prevenção de doenças cardiovasculares (prevenção primária) e na reabilitação dos pacientes que já apresentaram eventos coronarianos, bem como na prevenção de novos eventos (prevenção secundária), tendo mostrado que o treinamento físico adequado também é benéfico para pacientes com insuficiência cardíaca crônica.

Sabe-se que o exercício físico contribui para essa prevenção, mas, contudo, existe a necessidade de se poderem transmitir ao público os seus reais benefícios. Neste aspecto, o Dr. Roberto Verzola é enfático ao afirmar que o exercício físico atua de diversas formas, como, por exemplo, na circulação coronária, já que quanto mais precoce for iniciado mais ele aumenta a circulação da lateral coronária e aumenta o número de vasos que irriga a mesma região, sendo, por isso, um benefício enorme. Quando algum desses vasos tem problema de esclerose ou obstrução e o paciente aumenta a capacidade física, isso eleva a capacidade aeróbica máxima, ou seja, o consumo máximo de oxigênio. Então, o indivíduo desenvolve uma capacidade de captar e usar esse oxigênio com maior eficiência na produção do ATP, que é utilizado no exercício: são inúmeras as vantagens, elucida Verzola, acrescentando que, com isso, o aumento da capacidade de gasto de oxigênio no próprio músculo cardíaco aumenta, igualmente, a capacidade de bombeamento do músculo.

Com o avanço da idade, tudo isso beneficia o paciente, que fica com menos instabilidade no andar, sofre menos quedas e beneficia-se no sentido de que a solicitação muscular aumentada previne a osteoporose, sendo que é a melhor opção para prevenir a osteoporose, tanto do idoso, quanto da mulher e do homem. O exercício físico é benéfico antes e após qualquer episódio coronário. Se for executado após o citado episódio, não existe qualquer dúvida que todos os benefícios colhidos anteriormente irão ter grande utilidade para a recuperação do paciente, que, durante esse estágio, deverá imediatamente ser sujeito a uma prevenção secundária, desta feita executada por fisioterapeutas especializados em reabilitação cardíaca., alerta Verzola, atendendo a que esse trabalho requer algumas preocupações com relação aos resultados que irão ser colhidos daí para a frente: o paciente tem uma cicatriz decorrente do infarto e ela diminui o desenvolvimento e a performance cardíaca, mas os benefícios continuam para a vida toda.

Muitas pessoas têm dúvidas em relação ao grau de reabilitação atingida por um paciente, após um acidente cardiovascular. Na verdade, a reabilitação começa na fase hospitalar, ainda dentro da UTI. Vinte e quatro horas após o incidente, o paciente deverá começar a fazer exercícios com os membros, orientado por um fisioterapeuta cardiovascular. Depois que ele sai da UTI, da terapia intensiva / unidade coronária, o paciente vai para o quarto e continua fazendo fisioterapia: a esses dois momentos, seguidos, dá-se o nome de Fase-1. A seguir a essa fase aparece a Fase-2, onde o paciente, já em processo ambulatório, é sujeito a exercícios físicos supervisionados, sendo que após três ou quatro meses ele entra nas designadas Fase-3 e Fase-4, em que ele está livre, mas com a obrigatoriedade de fazer atividade física para o resto da vida.

Outro aspecto que vale abordar, neste contexto, é o chamado paciente com insuficiência cardíaca crônica, que é uma insuficiência cardíaca estável – portanto, tratada – e que já tem um tempo de evolução, como explica o nosso convidado. Por exemplo, depois do infarto você pode ter uma insuficiência cardíaca aguda, porque o episódio foi agudo. Mas esse infarto pode decorrer de uma doença valvular, cardiopatia isquêmica, doença de Chagas ou febre reumática. Esse aspecto é importante. Até há cerca de quinze ou vinte anos, era um tabu pensar em fazer atividade física aeróbica e, pior ainda, assistida, porque se pensava que isso aumentava a mortalidade: nada mais falso. É óbvio que existe um risco transitório durante a execução de exercício físico, mas, em longo prazo, o benefício é muito maior, a qualidade de vida melhora muito. A insuficiência cardíaca crônica é uma insuficiência cardíaca instalada já há algum tempo, explica o médico.

Por outro lado, muitas pessoas tem receio de fazer exercício físico, ao verem notícias relacionadas com indivíduos que morrem em academias ou praticando algum esporte. Para Verzola, é necessário ver, em primeiro lugar, se essas pessoas estavam sendo bem orientadas, como estavam fazendo determinadas cargas de exercícios, se fizeram atividades prévias monitorizadas para garantir que determinada carga não acarretasse nenhum risco. Essas mortes, em geral, não são devidas a doença coronária. Essas pessoas têm cardiomiopatia hipertrófica, que não foi diagnosticada, ou miocardite, ou seja, são provocadas por causas cardíacas – não coronárias. Por vezes, eles têm alguma síndrome arritmogênica não diagnosticada… A maioria desses atletas, com vinte e poucos anos, tem morte súbita fazendo um desempenho ou jogando uma partida de futebol… não é doença coronária. E as pessoas fazem confusão. Qualquer demência senil, hoje, é sinônimo de Alzheimer. O Alzheimer virou um guarda-chuva: as pessoas acham que tudo é Alzheimer!, conclui o palestrante.

13 de março de 2018

Termografia: a detecção do infravermelho do corpo humano para o auxílio da medicina

Sabemos que todos os corpos animados e inanimados emitem, ou absorvem radiação infravermelha e esta é oriunda de movimentos rotacionais moleculares.

Como o corpo humano é composto de células vivas, e dependendo do tecido, órgão, ou localização que ocupam emite mais, ou menos radiação eletromagnética.

Essa radiação, portanto pode ser medida com muita precisão e daí podemos aferir e conferir desvios da normalidade do corpo humano para o auxílio do médico.

Essas mensurações das radiações infravermelhas servirão para pesquisas médicas, testes de novas drogas, prevenções de doenças, epidemia s e controle evolutivo de tratamento com frequência, uma vez que é um exame destituído que qualquer risco para paciente.

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Resenha

Dr. Antonio Car los de Camargo Andrade Filho

O Programa Ciência às 19 horas des pediu-se do ano 2014 com a realização da palestra intitulada Termografia: a detecção do infravermelho no corpo humano para auxílio na medicina, um tema que foi abordado no dia 18 de novembro pelo Dr. Antonio Carlos de Camargo Andrade Filho, Coordenador da Rede Lucy Montoro ? Unidade de Jahú.

Nesta palestra, Andrade Filho salien tou o fato dos corpos animados e inanimados poderem emitir, ou absorver radiação infravermelha, sendo esta oriunda de movimentos rota cionais moleculares. Como o corpo humano é composto por células vivas e dependendo do tecido, órgão, ou localização que ocupam, ele e mite mais, ou menos radiação eletromagnética. Essa radiação pode, portanto, ser medida com muita precisão e daí poder-se aferir e con ferir desvios da normalidade do corpo humano como um auxílio para a área médica. Essas mensurações das radiações infravermelhas servem para pesquisas médicas, testes de novas drogas, prevenção de doenças ou epidemias, além de poderem controlar a evolução de tratament os com bastante frequência, uma vez que esse tipo de exame é destituído de qualquer risco para o paciente.

Contudo, é interessante conhecer a história ? embora resumida ? de como apareceu essa técnica, que rem onta ao período do declínio da II Guerra Mundial, quando os aliados buscavam um método que pudesse detectar movimentos suspeitos das forças do Eixo – navios, aviões e comboios de veículos -, principalmente em locais com pouca visibilidade ou mesmo em períodos noturn os, o que de fato conseguiram fazer. Contudo, segundo Andrade Filho, o domínio da tecnologia, naquela época, era bastante primitivo, o que postergou o desenvolvimento dessa técnica em cerca de vinte anos, com o advento da guerra fria e com o aparecimento dos mísseis intercontinentais. Rússia, EUA, Suécia, Japão, além de países mais próximos da então União Soviética, temiam o aparecimento súbito de mísseis que não pudessem ser abatidos, devido às suas velocidades, e foi a partir daí que a detecção precoce desses mísseis, no momento do seu lançamento, passou a ser possível com a tecnologia que se desenvolveu nessa époc a, que, entretanto, cresceu e evoluiu muito. Simultaneamente, a classe médica que trabalhava ao serviço das forças armadas na Europa ocidental e oriental, junto com seus colegas asiáticos e americanos, começou a pensar no uso civil e pacífico dessa técnica no campo da medicina, principalmente voltada para a detecção precoce de doenças, ou no auxílio de diagnósticos clínicos. Embora a intenção foss e altruísta e importante, o certo é que essa tecnologia, por ser extremamente sensível para fins militares, ficou bloqueada para ser desenvolvida na área da medicina, daí o fato da classe médica ter avançado muito pouco na utilização da detecção do infravermelho do c orpo humano para fins de diagnóstico. Só com a queda do Muro de Berlim e com a pulverização da ex-URSS, essa tecnologia passou a ser m ais divulgada no meio civil, tendo começado, então, a existir um interesse crescente no uso da detecção das anomalias do infravermelh o do corpo humano, uma tecnologia que é considerada muito sensível, só que de baixa especificidade.

O Dr. Andrade Filho explicou o significado do termo baixa sensibilidade: Por exemplo, uma ressonância magnética tem uma especificidade maior na área anatômica e morfológica, mas baixa esp ecificidade na área metabólica: por outro lado, a termografia tem uma alta sensibilidade para detectar qualquer anomalia de emissão d o infravermelho do corpo humano. Qualquer doença, por menor acometimento que possa causar, já dá uma anomalia na emissão do infraverme lho – para mais ou para menos – e isso a ressonância magnética, a tomografia, a cintilografia, bem como outros exames subsidiários mé dicos, não têm essa sensibilidade, mas têm especificidades maiores em cada área, de tal maneira que a termografia médica situa-se com o um exame de triagem, mostrando se o paciente tem alguma anomalia, ou não. Contudo, segundo nosso entrevistado, outra importância desse exame é na prevenção de epidemias. Por exemplo, ao nível de aeroportos, portos, estações ferroviárias e estações rodoviárias, uma câmera termográfica colocada nos locais de embarque e desembarque pode detectar, com muita sensibilidade, alguém que esteja inici ando um quadro infeccioso – por exemplo, pelos vírus ebola, gripe aviária, gripe suína, etc. A o nível de centro cirúrgico, a termografia também se mostra quase que imprescindível nos dias de hoje: Essa tecnologia pode auxiliar um cirurgião cardíaco que, por exemplo, esteja fechando uma artéria coronária de um paciente e queira saber se essa artéria vai funci onar ? ou não – após a sua religação. Antigamente, só se sabia esse resultado depois que o cirurgião fechava o peito do paciente, sem se poder antever ou acompanhar em tempo real a eventual ocorrência de uma trombose. Se algo corresse mal, havia a necessidade de abri r o peito desse paciente novamente. Hoje não, explica Andrade Filho, que acrescenta: Hoje, um cirurgião, com uma câmera de termografia, conecta-se à artéria coronária, solta o fluxo sanguíneo e em tempo real vê se o músculo está recebendo toda a irrigação necessária ou se a artéria está profundindo normalmente, não tendo a necessidade de reabrir o pacient e novamente. Na Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão, essa técnica já se encontra bastante difundida, ao contrário do que acont ece no Brasil, que só agora começa a ter uma expansão exponencial: Eu estudo isso há quase 2 9 anos e, no início, éramos apenas dois médicos que utilizavam isso no Brasil. Atualmente, o nosso país já conta com uma sociedade mé dica com titulação para isso, além de cursos específicos de formação para essa área, comenta Andrade Filho.

Sendo uma aliada da medicina, a termografia já está num curso de desdobramento e, n este momento, ela já participa nos chamados exames acoplados, como, por exemplo, a utilização do Raio-X acoplado à termografia, da ressonância magnética acoplada à termografia e, mais recentemente, o próprio software da ressonância magnética está conseguindo fazer, no mesmo momento, a termografia de todos os planos dos tecidos, de tal maneira que a Ressonância Magnética Termográfica torna-se um exame muito mais completo, mais específico e mais sensível: A termografia, desdobrando-se na sua utilização ao nível de pronto-socorro e de centro cirúrgico, pode salvar muitas vidas, principalmente pela sua facilidade de uso e de sua grande sensibilidade, conclui Andrade Filho.

13 de março de 2018

Onde a Física e a Medicina se encontram: Física Médica e Neurofísica

O que pode fazer um físico em um hospital ou uma clínica? O físico médico é um físico ou é um médico? Como a Física pode auxiliar no entendimento do cérebro humano e suas doenças? Esta palestra responderá a estas e outras questões, abordando um pouco da história do entrelaçamento entre as áreas de Física e Medicina e descrevendo a profissão e áreas de atuação de um Físico Médico, profissional cuja demanda está aumentando no mercado de trabalho. Também falará sobre a área de pesquisa multidisciplinar conhecida como Neurofísica, em que não só a Física e a Medicina, mas também a Biologia, Psicologia, Computação e Química se encontram para desvendar os mistérios do cérebro humano.

 

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Resenha

Chegou ao fim a programação estipulada para o ano de 2012 do programa Ciência às 19 Horas. Na última edição, realizada no dia 13 de novembro, que decorreu no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC), foi dado destaque ao tema Onde a Física e a Medicina se encontram: Física Médica e Neurofísica, uma palestra apresentada pela Profa. Dra. Gabriella Castellano, docente Grupo de Neurofísica do Instituto de Física Gleb Wataghin (UNICAMP).

Nesta interessante palestra, a convidada incidiu seu olhar sobre a atividade de um físico médico, ainda pouco conhecida entre nós, bem como o entrelaçamento que existe entre as áreas da Física e da Medicina nesse seu trabalho.

As áreas mais importantes da designada física médica são a radioterapia, medicina nuclear e a radiologia ou radiodiagnóstico, sendo que todas elas envolvem o manuseamento de equipamentos complexos, lidando com radiação ionizante. Daí a necessidade, segundo a palestrante, de se ter um profissional que tenha conhecimento, aptidão e especialização neste tipo de radiação, sabendo como ela interage com os tecidos do corpo humano e que danos e benefícios ela pode causar nas pessoas: esse profissional é o físico médico.

Sempre que uma estrutura hospitalar possua equipamentos desse tipo, torna-se necessária a presença de um físico médico. Atualmente, os hospitais têm investido na compra de equipamentos de radioterapia, que servem, principalmente, para o tratamento de câncer: daí que os físicos médicos sejam considerados uma peça fundamental nesses procedimentos, porque uma vez que o médico diagnostica qual é o tipo de câncer que um paciente tem, prescrevendo um tratamento, quem irá fazer o planejamento desse mesmo tratamento, juntamente com o médico, será o físico médico, cabendo a este sugerir qual será o melhor tipo de terapia que irá ser utilizado para tratar esse tumor, de que forma é que a radiação irá ser canalizada, se haverá riscos de reações adversas, quais os ângulos que deverão ser aplicados na radiação, qual a intensidade dela, etc. E o objetivo é sempre tentar destruir o tumor sem danificar ou comprometer todo o tecido que se encontra em redor dele e que está são. Sobre o enquadramento legal desta atividade profissional, Gabriela Castellano explica:

Atualmente, existe uma legislação que obriga os centros de radioterapia a terem, no seu quadro de recursos humanos, a figura do físico médico. Contudo, para outras áreas, como a medicina nuclear e o radiodiagnóstico, ainda não existe legislação, mas está-se caminhando nesse sentido. Na medicina nuclear, o usual é utilizarem-se radiofármacos, que são moléculas que possuem elementos radioativos, e que ao serem ingeridas ou injetadas nos pacientes, essas moléculas emitem radiações internas que podem ser utilizadas para se fazerem imagens de determinadas partes do corpo humano. É óbvio que toda a manipulação desses radiofármacos precisa ser feita por profissionais altamente qualificados e especializados, que possam calcular a dose certa que pode ser administrada em determinado paciente, exatamente para que se possa fazer determinada imagem e não outra coisa qualquer que possa prejudicar esse paciente. Por outro lado, como os radiofármacos geralmente são feitos nos próprios centros de medicina nuclear, existe a necessidade de existirem físicos médicos nesses locais, por forma a que o trabalho deles tenha uma sequência lógica, principalmente na interligação com o pessoal de radiofarmácia.

A formação de um físico médico e sua saída para o mercado de trabalho

A física médica é uma disciplina multidisciplinar, onde o físico tem que ter conhecimentos vários, não só no aspecto da física comum, como também nas áreas de medicina, biologia, química e, inclusive, conhecimentos profundos de matemática e computação, porque esse profissional irá lidar  com softwares extremamente complexos e com algoritmos complicados, principalmente para captura e tratamento de imagens com definições de alto padrão, que nada têm a ver com as usuais imagens da radiologia convencional, os tão conhecidos Raios-X. Há quem questione se este profissional é um físico, ou se é um médico: na verdade, ele é um físico e não um médico, mas trabalha a par com os médicos, em parceria estreita com eles. Quanto à formação destes profissionais, a Profa. Gabriela Castellano elucida:

Vou dar o exemplo da UNICAMP, onde existe um curso de graduação em física médica, em que o aluno faz a maioria de suas disciplinas dentro da área da física básica, passando depois para disciplinas específicas: biologia, medicina, física aplicada à medicina, física de radioterapia, física de medicina nuclear, física de radiologia, etc., tudo isso já canalizado, como se vê, para a área médica. São quatro anos de curso, acrescido de um ano de estágio em um hospital ou clínica, e mais um período de residência em física médica num centro de radioterapia, para depois ingressar definitivamente em um hospital ou centro. Contudo, um dos problemas no Brasil, nesta área, é que existem pouquíssimos centros que oferecem esse tipo de residência na área de física médica, mas há a esperança de que esse panorama possa mudar, já que foi lançado recentemente um edital, tendo em vista a possibilidade de serem oferecidas mais bolsas destinadas à residência; como informação complementar, essas residências têm uma carga horária pesada ? cerca de 60 horas semanais ?, o que demonstra o quanto um físico médico fica preparado para exercer sua atividade.

No Brasil, a demanda por esses profissionais está crescendo muito, mas ainda existem dois problemas que necessitam ser resolvidos: o primeiro, diz respeito à legislação, porque embora seja importante a ação do trabalho do físico médico, esta profissão tem ainda que ser reconhecida legalmente na área específica da radioterapia e essa falta de reconhecimento faz com que muitas clínicas e hospitais ainda prescindam da contratação desses profissionais, o que, para nossa entrevistada, é um erro. O segundo problema diz respeito aos próprios médicos, que são proprietários ou possuem cargos de administração em hospitais, que ainda não perceberam a importância de ter um físico médico ao seu lado, até para gerir e manusear, de forma correta, equipamentos que são extremamente sensíveis e fidedignos, dependendo deles e dos resultados alcançados o sucesso dos diagnósticos e tratamentos, tendo em vista o bem-estar dos pacientes.

Fazendo uma comparação, nesta área, com a realidade norte-americana, o Brasil ainda está engatinhando:

Nos Estados Unidos, o físico médico é o profissional mais bem pago em todas as áreas da Física Aplicada e tem uma demanda muito grande. Por exemplo, no Brasil existem alguns (poucos) equipamentos de ressonância magnética e outros mais dedicados à medicina nuclear, enquanto que nos Estados Unidos existem largas centenas desses equipamentos que estão distribuídos pelos principais hospitais e clínicas. Por outro lado, no Brasil existe apenas um técnico, designado de Cientista Clínico, cuja sua missão, conjuntamente com os pesquisadores, é desenvolver protocolos específicos em ressonância magnética, principalmente no capítulo de geração de imagens: não só ele é o único no Brasil a fazer esse trabalho, como também ele é o único com essa especialidade abaixo da linha do Equador. Comparativamente, só nos Estados Unidos existem cerca de trinta cientistas clínicos para esse objetivo. Agora, imaginemos quantos equipamentos de ressonância magnética existem nos Estados Unidos e quantos existem no nosso país, conclui Gabriela Castellano.

 (Rui Sintra – Jornalista)

13 de março de 2018

Pesquisa e inovação em medicamentos no Brasil: os desafios para reduzir nossa dependência externa

O desenvolvimento de novas drogas é um processo longo, caro e de alto risco. Apesar dos avanços científicos recentes, e de o Brasil estar entre os 10 maiores mercados de medicamento do mundo, as empresas farmacêuticas brasileiras dependem em grande escala da importação de princípios ativos. Entre os entraves para a inovação no setor farmacêutico no Brasil estão a dificuldade para se estabelecer interações entre indústria e universidade, a burocracia nas agencias regulatórias, baixa concentração de cientistas nas indústrias e, a ausência de institutos de pesquisa e inovação no país.
Nas últimas décadas, o nosso grupo de pesquisa na UFSC estabeleceu várias colaborações com a maioria das empresas brasileiras de produtos farmacêuticos, tentando desenvolver novos medicamentos, especialmente aqueles derivados de produtos naturais, notadamente de plantas da nossa biodiversidade. Apresentaremos alguns casos de sucesso que surgiram a partir de tais parcerias.
O esforço recente de vários ministérios, para estimular a inovação, e a criação da política industrial brasileira, traz esperanças, de que o Brasil, poderá superar o atual cenário, e se tornar a médio e longo prazo, um pais autossuficiente na produção dos seus medicamentos essenciais, fator que terá certamente grande impacto econômico e social, com reflexos diretos no sistema único de saúde.

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Resenha

João Batista Calixto

O programa “Ciência às 19 horas” retomou sua atividade neste ano de 2012, recebendo a visita do Prof. Dr. João Calixto, docente e pesquisador do Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina, que proferiu a palestra intitulada: Pesquisa e Inovação em Medicamentos no Brasil: os desafios para reduzir nossa dependência externa, evento que decorreu pelas 19 horas, no auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), no dia 20 de março.

Sabendo-se que o Brasil está entre os dez maiores mercados mundiais na área de medicamentos, existe algo contraditório, já que as empresas farmacêuticas nacionais ainda dependem da importação de princípios ativos, principalmente vindos da Índia, China e Coréia, na maior parte das vezes de origem laboratorial duvidosa. João Calixto concorda com essa afirmação, acrescentando que essa é uma questão que não é só aplicada à área dos medicamentos, sendo, também, um problema que acontece em diversas áreas relacionadas com a média e alta tecnologia:

São problemas que ficam claros quando se observa o déficit comercial brasileiro em quase todas essas áreas. Quanto à área dos medicamentos, que é considerada um bem essencial, envolve uma tecnologia altamente complexa e importante. As grandes empresas que fabricam medicamentos encontram-se sediadas, basicamente, em seis países, mas isso não justifica que o Brasil tenha ficado para trás nessa corrida ou nessa disputa. Extrair petróleo do fundo do mar é mais fácil do que fazer um medicamento: então, porque é que um dá certo e outro não? É tudo uma questão de política de Estado. Principalmente a partir da época do governo militar, foram definidas algumas estratégias consideradas como prioridades do Estado, Petrobrás, Embraer e Embrapa, e que duram até afora, com sucesso. Nesse período, quer a área de medicamentos, quer algumas áreas dedicadas à eletrônica não foram entendidas como prioritárias. Curiosamente, a ciência evoluiu bastante e, hoje, o Brasil ocupa uma posição estratégica em nível mundial, na área científica, mas não conseguiu acompanhar esse ritmo de desenvolvimento. Por outro lado, as empresas brasileiras, embora tenham parques fabris importantes, ainda têm um peso excessivo de empreendedorismo familiar, ou seja, trabalham em nichos de mercado, sobrevivendo, em grande parte, dos designados medicamentos genéricos, que foram criados há dez anos ? refere o pesquisador.

Com efeito, e segundo a opinião do Prof. João Calixto, o Brasil possui grandes empresas farmacêuticas, principalmente no Estado de São Paulo -, com capital nacional, mas elas não possuem laboratórios de pesquisa, fazem pouca inovação e quase não se articulam com o meio acadêmico. Sabendo-se que o mercado brasileiro de medicamentos ocupa o sétimo ou oitavo lugar, no mundo, é curioso verificar que existe um déficit, recorde-se que o medicamento é um bem essencial, de caráter estratégico. A população vai envelhecendo, vai necessitando de mais cuidados, e o Brasil está com déficit na balança comercial na ordem dos US$ 11 bilhões nas áreas médica e hospitalar. Em comparação, a Índia continua a dar cartas, como explica o pesquisador:

Porque é que a Índia exporta toneladas de princípios ativos? Em 1996/97 houve uma pressão internacional muito forte através da lei de patentes e, nessa época, o Brasil tinha uma dívida externa monumental, quase impagável, e essa questão da lei foi negociada de forma quase impositiva, no nosso país. O Brasil aceitou a pior lei de patentes que se podia imaginar, com implantação imediata, mas retroagindo. Por sua vez, a Índia também foi pressionada, mas ela conseguiu condicionar a sua participação na lei até 2006, ou seja, ela ficou copiando formulações, chamou especialistas do exterior e teve tempo de se modernizar, transformando-se, por fim, num polo importante, jogando o Brasil lá para trás. Daí que tenha sobrado para as empresas brasileiras o conhecido medicamento genérico, mas de uma forma algo desarticulada, sem se ter tido determinados cuidados com sua fabricação. O Brasil importa os princípios ativos, mas depois existem problemas de qualidade do produto, incertezas nas dosagens, variação de preços, etc. Estamos numa situação difícil; somos a sexta economia mundial, um dos países no topo do desenvolvimento científico e, por outro lado, temos estas descompensações, comenta o pesquisador.

As relações entre empresas e universidades

Ao longo dos anos e até ao atual momento, as universidades e as empresas continuam de costas voltadas, cada uma falando seu idioma: não há uma interação plena, não há diálogos, apenas monólogos, fato que também tem contribuído para espécie de estagnação no setor. João Calixto não sabe se esse problema é uma causa ou uma consequência do que foi dito acima. Na opinião do pesquisador, para algumas pessoas a desculpa poderá estar no fato da ciência brasileira ser ainda muito jovem, mas segundo ele isso não é justificativa, já que a ciência pode ser jovem mas nascer moderna.

No Brasil, a ciência virou uma mercadoria de luxo, uma plataforma para enriquecer currículos, um status, em que as pessoas olham para o seu próprio umbigo e não estão nem aí para o país. Dizem, apenas eu sou um cientista e isso não existe em nenhum outro país. O cientista tem que estar inserido socialmente onde vive. A ciência não tem pátria, mas o cientista tem: ele tem um compromisso com seu país, que o está financiando. Essa falta de relacionamento e de diálogo entre universidades e empresas teve origem no falso conceito de que o cientista era dominado pelos interesses econômicos e produtivos das empresas; não há muito tempo atrás, qualquer grupo de pesquisa que trabalhasse com empresas era imediatamente rotulado por seus colegas como mercenário, e isso é uma ideia completamente retrógrada. O mundo mudou e a visão tem que ser abrangente, moderna e flexível e temos que deixar de construir clones de nós mesmos (alunos). Todo mundo quer estudar para fazer concurso público, para ter um emprego estável, ninguém, quer ser inovador, ninguém quer arriscar; o próprio cientista não quer arriscar. E, não tendo riscos, esta nova geração de estudantes, de doutores, vai trilhar os mesmos caminhos de seus mestres e esses caminhos a gente sabe onde vão dar a uma ciência sem inovação. Para que as ideias, projetos e ações não fiquem amorfos, sempre tem que existir a crítica, salutar e pertinente, construtiva. Já reparou que nosso modelo científico e tecnológico não tem crítica há longos anos. Parece um clube que só quer ter elogios, onde todos querem dinheiro mas ninguém fala que é necessário mudar o rumo da ciência do país, que é preciso mais comprometimento, mais e melhor avaliação, mais inserção social, da necessidade de ter o setor produtivo do lado dos cientistas. O que todo o mundo quer é ter uma zona de conforto, escrever papers ou ver seu nome inserido em alguns, para falsamente engrossar seu currículo: só isso não basta, desabafa João Calixto.

A Burocracia do Estado

A burocracia das agências de fomento à pesquisa é um apêndice da burocracia do Estado e, por isso, muita coisa no Brasil foi feita para não funcionar. Esta humorística afirmação de João Calixto foi feita com um sorriso de tristeza, ao exemplificar, de seguida, casos verdadeiramente impensáveis:

Vou dar para você um exemplo relacionado com biodiversidade, onde os cientistas recebem dinheiro do Estado para desenvolver pesquisa e que, na sequência, esses cientistas estão proibidos, por lei, de aplicá-la. Temos casos de indústrias que foram recentemente punidas pelo Estado, porque fizeram experimentos sérios na área de biodiversidade, desenvolvendo produtos inovadores, na sequência de pesquisas subsidiadas. Assim não dá! Por outro lado, a burocracia do Estado cobre e protege muita incompetência de todo esse processo; contudo, a burocracia não é culpada de tudo o que acontece. Há no Brasil uma série de leis que justificam aquilo que não devia ser justificado e a burocracia é uma delas. Não se pode reclamar que não existe dinheiro. Existe e muito! Só que o dinheiro que é investido não é proporcional aos resultados que se obtém; não há uma verdadeira estratégia nacional, uma política de Estado para as áreas de ciência e tecnologia, pontua João Calixto.

O futuro

Já que o Brasil não possui centros capazes de fazer inovação, o Prof. João Calixto foi desafiado pelo governo federal para ajudar a neutralizar o grande gargalo que existe na área de medicamentos, através da criação e construção de um centro, com padrão internacional, que seja capaz de fazer essa ligação. O desafio foi aceito, o centro está praticamente pronto, mas o pesquisador se confronta agora com algo inusitado:

Você não imagina o quão difícil está sendo apetrechar o centro com recursos humanos de alta qualidade. É um drama! Você chega à conclusão que, apesar do Brasil formar dezenas de milhar de doutores, não existe gente altamente qualificada nas áreas de ponta, ou seja, o país é obrigado a trazer especialistas de fora. As pessoas ficam assustadas, mas o certo é que se o país nunca fez medicamentos, como é que se resolve esse problema? Trazendo especialistas de fora para nos ensinar, para nos atualizar e modernizar. Isto é sério! Os cientistas perdem a noção da realidade, pois não saem de dentro da universidade e perdem o compasso, refere João Calixto.

Para o nosso entrevistado, o futuro não vai ser fácil, até porque o país está adiando muitas decisões que já deveriam ter sido implantadas há pelo menos dez anos. Para o nosso entrevistado, o Brasil está formando doutores clones de seus mestres e a tendência é perpetuar procedimentos:

A área de Ciências Exatas está déficit no país e isso é altamente prejudicial ao desenvolvimento nacional. O país tem que alterar rapidamente o rumo, mas essa mudança de quadrante não vai agradar a muita gente, especialmente aos políticos. Estamos enviando milhares de estudantes para o exterior, através de bolsas de estudo, por forma a se capacitarem, e isso é extraordinariamente positivo, mas levanta uma questão: para que universidades é que esses estudantes e pesquisadores estão indo? Elas são de qualidade? Quando esses estudantes e pesquisadores regressarem, qual será o retorno desse esforço nacional? Não seria mais eficaz e mais barato trazer gente de fora, altamente capacidade, para nos ensinar ? como fez a China, Índia e Coreia? Só que os espaços que existem para se fazer estas discussões e reflexões são muito pequenos, ou simplesmente não existem. O futuro está difícil.

(Rui Sintra – jornalista)

12 de março de 2018

Células Tronco: promessas e realidade da terapia celular

Em 1999, as células-tronco foram eleitas o avanço científico mais importante do ano pela revista americana Science. Desde então, muitas conquistas significativas sobre células-tronco foram obtidas, e com isso cresceu a expectativa da população em relação à medicina regenerativa.
A palestra abordará este tema de grande interesse, com um foco especial no uso de células-tronco como agente terapêutico em doenças comuns, como diabetes e cardiopatas. Apesar da capacidade de diferenciação das células-tronco embrionárias estar bem caracterizada em camundongos e em humanos, seu uso em terapia celular e em pesquisa tem sido dificultado por questões de compatibilidade, segurança e ética. Por outro lado, as células-tronco adultas não apresentam estes empecilhos, apesar da extensão de sua plasticidade ainda estar sob investigação. Abordaremos, ainda, a importância de se trabalhar com as duas classes de células-tronco humanas, de forma a se cumprir com suas promessas terapêuticas.

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Resenha

Lygia da Veiga Pereira

Decorreu no dia 21 de março, pelas 19 horas, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), a primeira edição de 2011 do já conhecido programa Ciências às 19 Horas, tendo como destaque a palestra intitulada – Células-Tronco: Promessas e Realidade da Terapia Celular, ministrada pela pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, do Instituto de Biociências da USP (*), que, de uma forma aberta e completamente decodificada, discutiu os rumos das pesquisas desenvolvidas na atualidade, além das perspectivas futuras e dos desafios desse novo tipo de tratamento.

Com efeito, para Lygia Pereira, a terapia celular vem ocupando, desde há alguns anos, um espaço enorme de divulgação, principalmente na mídia, e, segundo a palestrante, essa mídia tende a apresentar os pequenos avanços que foram feitos nessa área de uma forma muito sensacionalista, até porque existe uma expectativa muito grande da população e dos pacientes em terem resultados positivos e de essas promessas poderem virar realidade. Assim, segundo a pesquisadora, qualquer pequeno avanço é notícia de primeira página:

Isso faz com que a população, os leigos, tenha uma percepção de que a terapia com células-tronco já seja uma realidade e que nós já estejamos tratando derrames, infartos diabetes através desse procedimento. Tudo isso é ainda uma promessa. As únicas terapias que estão consolidadas, utilizando células-tronco, e que qualquer médico pode aconselhar, são os transplantes de medula óssea, um procedimento clínico que já é feito há cerca de cinqüenta anos; e o transplante de medula óssea é um transplante de células-tronco, células essas que são responsáveis pela fabricação do sangue. Então, quando alguém tem, por exemplo, uma leucemia, uma das formas de tratamento é através do transplante de medula óssea, e desde 950 que isso é feito. Por enquanto, esse é o único tratamento com células-tronco que é consolidado na medicina, esse é o único tratamento com base em células-tronco que um médico pode receitar para seu paciente. Tudo o resto, lesão de medula, doença cardíaca, AVC, ainda é experimental, refere Lygia Pereira.

Segundo a pesquisadora, para a Doença de Parkinson, por exemplo, ainda se está na fase de testes em camundongos, enquanto que em outras doenças já se avançou um pouco mais, tendo-se entrado na fase de testes em humanos:

De vez em quando aparece nos jornais, principalmente na TV, títulos como este: paciente cardíaco tratado com células-tronco sai da fila de transplantes; essa noticia é maravilhosa, contudo, esse paciente faz parte de um grupo grande de pacientes que está sendo testado, ou seja, ele faz parte de um experimento. Um resultado positivo conta pouco, o que temos de ver é quantos pacientes melhoraram com a introdução das células-tronco versus os que não foram tratados com elas. Esse paciente melhorou por coincidência, por mero acaso, ou foi graças às células-tronco?… Tudo isto é muito mais complexo do que aquilo que a mídia divulga. O importante é as pessoas saberem que, apesar de em algumas áreas nós já termos avançado muito, o certo é que nenhum médico sério pode oferecer tratamentos com células-tronco para nenhuma das doenças que falamos atrás, porque isso ainda está em fase de experimentação, de pesquisa, sublinha Lygia Pereira.

Quando questionamos a pesquisadora sobre quanto tempo demorará até se conseguir ter respostas concretas, Lygia foi incisiva:

Bem, isso vai depender da área de pesquisa. Os tratamentos com células-tronco têm diferentes velocidades, conforme o tipo de doença. Por exemplo, no caso da diabetes auto-imune, em que o paciente tem essa doença porque seu sistema imunológico ataca suas células do pâncreas, o Prof. Júlio Voltarelli, da USP de Ribeirão Preto, está tendo resultados muito bons nos testes que estão sendo feitos em humanos, aplicando células-tronco. Então, o tratamento para esse tipo de doença está mais avançado, está mais próximo de uma realidade clínica: mas, atenção, estar mais próximo não significa que existe uma certeza de que esse tratamento vai virar uma realidade clínica. Contudo, esses estudos do Prof. Voltarelli estão, de fato, muito avançados e estão muito perto de virar tratamento. Outras doenças, como, por exemplo, lesão de medula e paralisia, nós ainda não vimos nenhum resultado animador nos testes feitos em humanos. Foi aprovado, nos Estados Unidos, recentemente, um ensaio clínico utilizando células-tronco embrionárias e vamos ver se elas funcionam para esses tipos de doenças. As doenças do sistema nervoso são bem mais complexas, daí que você tenha velocidades diferentes na aplicação das células-tronco, enfatiza a pesquisadora.

Lygia Pereira não arrisca dizer em quanto tempo se poderá ter respostas concretas e positivas na aplicação de células-tronco para determinadas doenças:

Há dez anos eu dizia que demoraria dez anos para haver uma evolução concreta e estamos neste estágio: hoje eu não vou dizer que espero ter respostas positivas daqui a dez anos. Eu entendo a expectativa e urgência dos pacientes e de seus familiares, mas a pesquisa séria, além de ser audaciosa, tem que ser cautelosa e por isso eu digo que estamos na fase da promessa, bem embasada, com muitos testes promissores. Vamos aguardar,  remata a conferencista.

(* Lygia da Veiga Pereira é professora associada e chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (LANCE) da USP)

 

Rui Sintra – Jornalista – IFSC

9 de março de 2018

Diversidade genética do HIV e sua relação com o mecanismo da AIDS

O HIV é o patógeno emergente mais relevante do último século. Este vírus tem com sucesso se expandido de forma insidiosa por todo o mundo levando, na ausência do tratamento, a um curso inexorável para a morte na quase totalidade dos casos que acomete. A principal causa do sucesso deste patógeno está na diversidade genética gerada pelo mesmo.

Esta diversidade genética favorece a evasão do HIV do sistema imune, propicia resistência aos medicamentos anti-retrovirais, dificulta o diagnóstico pelo uso de testes moleculares e torna-se um empecilho para o desenvolvimento de uma vacina preventiva.

Nesta apresentação serão demonstrados de detalhes sobre a origem do patógeno e os conhecimentos relacionados à replicação viral que propiciaram estratégias modernas de tratamento. Além disso, serão discutidos os mecanismos relacionados ao vírus e ao hospedeiro que interferem na progressão da doença e a dinâmica da distribuição deste vírus no globo terrestre.

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8 de março de 2018

A Óptica a serviço da Vida: Melhorando a melhor idade

Técnicas modernas envolvendo Lasers e LEDs, conjugadas às existentes técnicas em fisioterapia, têm proporcionado consideráveis melhoras nos tratamentos de diversas doenças reumáticas, degenerativas, dentre outras. Sendo técnicas não invasivas e de fácil aplicação, os resultados alcançados têm promovido um enorme bem estar para os pacientes.
Além destas aplicações, técnicas modernas usando Lasers e LEDs têm, também, permitindo o tratamento do Câncer de Pele dentre outros. Durante esta apresentação será feita uma revisão destes métodos e seus avanços recentes.

8 de março de 2018

Terapia celular com células tronco: doenças degenerativas e inflamatórias

Serão discutidas as características biológicas das cédulas tronco de vários tecidos e suas aplicações Clinicas, presentes e futuras, na regeneração de diferentes tecidos e órgãos lesados por doenças degenerativas e na interrupção do dano orgânico causado por doenças inflamatórias, principalmente as causadas por ativação do sistema imunológico.

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