Nuvem de Tags: espaço

12 de abril de 2018

A Amazonia vista do espaço e do chão – pesquisador do IPAM e astronauta da NASA partilham experiências

Na busca por um destino digno e saudável para a espaçonave chamada Terra, dois cientistas e um astronauta pedalaram mil e cem quilômetros pela Transamazônica, entre os estados do Pará e Amazonas, para viver, analisar e disseminar diversas realidades daquele ecossistema brasileiro.

Este é o Projeto Transamazônica + 25, que celebra os 25 anos da primeira viagem de Osvaldo Stella por aquela região e que agora combina conhecimento científico com um olhar documental para estudar as mudanças sofridas pela paisagem e populações locais.

O relato de Osvaldo Stella Martins (Engenheiro Mecânico, PhD em Ecologia e Recursos Naturais – IPAM- Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), transformado em uma palestra que ocorreu no dia 02 de abril do corrente ano, no superlotado Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, foi enriquecido pelos depoimentos do astronauta-chefe da NASA, Capitão da Marinha dos Estados Unidos da América, Chris Cassidy, veterano de dois voos espaciais e que volta à Estação Espacial Internacional no próximo ano para mais uma missão.

A primeira missão espacial de Cassidy ocorreu em 2009, com duração de duas semanas. Ele confessa que por ter sido sua primeira vez no espaço, toda sua atenção e concentração estiveram voltadas para as particularidades da missão, quase sem tempo para observar e analisar as múltiplas metamorfoses e características do planeta, com especial foco na região amazônica.

Já na sua segunda missão, ocorrida em 2013, onde permaneceu seis meses na Estação Espacial Internacional, Cassidy teve mais tempo para observar a Terra: De fato, me apercebi como nosso planeta é frágil e como a Amazônia se divide nitidamente em áreas distintas: um verde exuberante entrecortado por um azul que representa a água cristalina, enquanto várias áreas despontam cinzentas e de alguma forma inférteis graças aos impactos negativos provocados pelo homem.

Na entrevista que ambos concederam à Assessoria de Comunicação do IFSC, Cassidy confirmou que irá regressar em 2019 à Estação Espacial Internacional para mais uma missão e que seu olhar vai certamente incidir com mais atenção na Amazônia, para detectar minuciosamente as agressões perpetradas pelo homem e tentar registrar as suas graves feridas.

Clique nas imagens abaixo para assistir às entrevistas de Osvaldo Stella Martins e Chris Cassidy.

(Rui Sintra – jornalista)

Assista as entrevistas

Chris Cassady

Osvaldo Stella Martins

16 de março de 2018

24 maneiras de morrer com um buraco negro

O Programa Ciência às 19 Horas regressou no passado dia 08 de março, pelas 19 horas, para mais uma temporada, esta relativa ao ano 2016. Coube ao Prof. Dr. Rodrigo Nemmen – docente e pesquisador do IAG/USP – apresentar a palestra intitulada 24 maneiras de morrer com um buraco negro, um evento que lotou por completo o Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP).

Nesta palestra, foram enfatizados os motivos pelos quais os buracos negros são tão fascinantes e por que são tão perigosos e têm um poder tão destrutivo. De fato, existem várias maneiras de se ser morto/a por um buraco negro, algumas delas de forma bem bizarra, tendo o palestrante incidido sua atenção em sete perigos.

Um buraco negro é uma região do espaço, na qual nada escapa, resultante de uma deformação no espaço-tempo, consequência da chamada Teoria da Relatividade Geral, que foi formulada precisamente há cem anos e três meses. De acordo com Einstein, que escreveu um manual de instruções sobre a gravidade, toda massa do universo curva o tecido do espaço ao seu redor. A gravidade é, justamente, essa curvatura.

Ao pedirmos ao Prof. Nemmen que nos desse uma definição mais palpável dessa curvatura, ele preferiu optar por apresentar analogias: A primeira analogia imediata é você imaginar que esse palco cósmico do espaço – ou seja, esse teatro onde os astros se movem -, na ausência de qualquer massa (planeta, estrela…), pode ser análogo ao estado de um trampolim sem ter alguém em cima. Então, esse espaço cósmico é plano. É como se fosse um trampolim, quando você não tem nenhuma pessoa em cima dele. Agora, no momento em que você coloca um astro, um planeta, ou qualquer coisa que tenha massa, nesse espaço, o tecido do espaço se deforma. Isso é análogo ao exemplo de quando alguém sobe num trampolim, salienta o palestrante. Contudo, segundo nosso entrevistado, essa analogia – e qualquer outra – irá esbarrar em limitações. Porque você vai pensar: Mas, para onde está curvando o espaço? Ele não está curvando para nenhum lugar. Na verdade, se isso fosse medido, a curvatura mostraria que suas regras começariam a falhar. Porque, o que ela vai lhe dizer é que a geometria euclidiana funciona no espaço sem massa. Funciona no trampolim, sem ninguém. Agora, se você começar a aplicar as regras de Euclides ou o teorema de Pitágoras no espaço deformado ao redor de uma estrela, ou de um buraco negro, melhor jogar tudo no lixo, porque vai ser inútil.

Existe um forte poder destrutivo dos buracos negros, um tema que foi amplamente abordado na palestra do Prof. Rodrigo Nemmen. Contudo, nosso convidado teve oportunidade de nos falar um pouco sobre isso antes de sua apresentação. Eu vou falar desses vários poderes no decurso de minha palestra. Vou falar com mais detalhes. Mas, por exemplo, o poder gravitacional dos buracos negros é a origem de toda essa destruição; porque toda a gravidade atinge todos os seus extremos mais destrutivos do Universo, perto de um buraco negro. Então, a gravidade é o grande agente destrutivo. Por exemplo, a maneira mais imediata de você morrer com um buraco negro é cair lá dentro, já que quando você cruza a superfície do buraco negro, a gravidade vai aprisionar você lá para sempre e imediatamente você vai colapsar para o centro do buraco negro e ser esmagado, sublinha Nemmer.

Algumas pessoas chamam os buracos negros de átomos gravitacionais, porque eles são criaturas puramente compostas de gravidade. Não possuem uma estrutura complicada como a da Terra, por exemplo, que tem várias camadas. Nemmen sublinha que a gravidade dos buracos negros é tão intensa, que ela faz toda a composição de um buraco negro colapsar para um ponto no centro dele. Então, toda a massa dele está nesse ponto central, que é protegido por uma superfície chamada Horizonte de Eventos. Quando se cruza esse Horizonte de Eventos, segundo Nemmen (…) é melhor você assinar um testamento antes (…) cai-se imediatamente no centro do buraco negro e tudo será esmagado pela gravidade dele, que é o núcleo, que chamamos de Singularidade.

Como os buracos negros distorcem as noções de realidade e espaço-tempo? As noções de espaço e tempo de todas as pessoas que estão na Terra são baseadas em um ambiente relativamente seguro, que é o do nosso planeta. É um ambiente em que a geometria euclidiana é válida e onde é muito segura. Aqui, o espaço e tempo estão bem definidos. Agora, quando nos deslocamos para perto de um buraco negro, ele literalmente irá distorcer as nossas noções de espaço e tempo, conforme explica nosso convidado: Se você ficar aqui na Terra, medindo o passar do tempo no seu relógio, e se nesse exato momento eu fizer uma viagem para perto de um buraco negro e ficar um tempo lá – sem cair – e voltar para a Terra, você vai ver que se passou muito mais tempo no seu relógio, do que no meu (isso depende de como eu circundei o buraco negro). Por exemplo, se eu ficar muito perto da superfície de um buraco negro durante três horas, sem cruzar a superfície e voltar, no seu relógio terão passado alguns anos. O que você percebeu como passagem de tempo de alguns anos, no meu relógio foram apenas algumas horas. Esse é um exemplo de como eles distorcem nossa concepção de espaço e tempo. Mas tudo isso sai do manual de instruções de gravidade escrito pelo Einstein, no qual espaço e tempo dependem do ponto de vista. Espaço e tempo são relativos. Espaço e tempo são elásticos e essa elasticidade que ilustrei é exacerbada pelos buracos negros.

Dentre os exemplos de como morrer com um buraco negro, Nemmen ilustra um em particular – a Espaguetificação: Se você tiver o azar de cair em um buraco negro, a atração gravitacional que os seus pés sentirão será muito maior do que aquela que a sua cabeça sentirá. A força gravitacional será muito mais forte nos seus pés, do que em sua cabeça. Então, na prática, você será espichado, porque os seus pés vão começar a cair mais rápido do que a sua cabeça, então você será espichado e virar um espaguete, comenta com humor nosso entrevistado.

Mas, afinal, o que ainda falta descobrir sobre os buracos negros? Para nosso entrevistado, aquilo que mais o apaixona é poder fazer uma fotografia de um buraco negro. Geralmente, essas criaturas cósmicas estão bem longe: estima-se que a mais próxima esteja a cerca de mil anos de distância. É um buraco negro estelar e tem uma massa dez vezes maior que a massa do sol. Por outro lado, um dos buracos negros mais massivos e que se encontra próximo do planeta Terra está no centro da nossa galáxia e chama-se Sagitário A-estrela: Esse “cara” tem quatro milhões de vezes a massa do sol concentrada e colapsada dentro do Horizonte de Eventos. Queremos fazer uma imagem do buraco negro, porque nunca fizemos isso antes. Dentro do Horizonte de Eventos – se Einstein estiver correto -, nunca teremos acesso a ela. É outro universo (literalmente) dentro do buraco negro. O que gostaríamos de fazer com essa foto é testar se Einstein estava certo no que concerne às propriedades do buraco negro e ao redor dele. Esse capítulo da enciclopédia da gravidade ainda está em aberto. Então, é isso que queremos explicar, fazendo uma fotografia de um buraco negro: parece ficção científica, conclui nosso entrevistado.

(Rui Sintra – jornalista)
16 de março de 2018

O Pouso do Curiosity em Marte

Dialogar com o Prof. Ivair Gontijo é apaixonante, principalmente pela forma como ele consegue nos contagiar ao descrever seu trabalho, seus receios e sucessos, num ambiente altamente avançado em nível científico e tecnológico, como é o da NASA (EUA).

O mineiro Ivair Gontijo completou sua graduação em Física e mestrado em Óptica no Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1985 e 1987, respectivamente. Em 1988, mudou-se para a Escócia, onde obteve o doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Glasgow, em 1992, tendo, na sequência, trabalhado como pesquisador em lasers de semicondutores, detectores de luz e estudos de materiais, tanto na Universidade de Glasgow quanto na Heriot-Watt University, em Edimburgo, igualmente na Escócia. Em 1998, Ivair mudou-se para Los Angeles, Califórnia, onde trabalhou na University of California, Los Angeles (UCLA) por dois anos e meio, desenvolvendo novos materiais e dispositivos baseados em cristais fotônicos.

Uma decisão de mudar de área levou o cientista brasileiro a trabalhar entre 2000 e 2005 para empresas de comunicação por fibra óptica, como gerente de projetos. Com a migração da indústria de fibra óptica para a Ásia, Ivair mudou novamente de área, passando a projetar lentes esféricas para cirurgias de catarata em uma empresa de biotecnologia com fábricas na Califórnia, Suíça e Japão. Ivair já produziu duas novas patentes para a empresa e existe mais de um milhão de pessoas no mundo usuárias das lentes por ele projetadas. Desde 2006, Ivair trabalha no Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, em Pasadena, Califórnia. Em seu primeiro projeto, liderou a fabricação dos transmissores e receptores de micro-ondas para o radar que controlou a descida final, em Marte, do veículo exploratório Curiosity, sendo que, atualmente, Ivair trabalha em um projeto que visa enviar uma sonda para Europa, uma das luas de Júpiter.

Foi exatamente sobre a aventura do pouso do Curiosity, em Marte, que incidiu mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, que ocorreu no dia 26 de maio, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), onde uma vasta plateia se aglomerou para ouvir o Prof. Ivair Gontijo

Em entrevista exclusiva concedida à Assessoria de Comunicação do IFSC-USP, Gontijo considera-se um trapezista, alguém que passa a vida caminhando na corda bamba e que já se habituou com todos os solavancos e desiquilíbrios, mas que, simultaneamente, se sente confortável em estar nessa situação, até porque a regra é tombar algumas vezes e sempre voltar a subir na corda, continuando em frente. Com acentuado humor, Gontijo conta que na época em que começou a trabalhar em Los Angeles, na área de fibra óptica, pensou que finalmente poderia ficar rico, mas a empresa onde trabalhava acabou quebrando e, ao invés de ganhar muito dinheiro, em seis meses todos os funcionários da citada empresa estavam procurando novo trabalho.

Após esse incidente no percurso profissional de Ivair Gontijo. ele trabalhou em duas empresas de comunicação por fibra óptica e, logo em seguida começou à procura de empregos quando as indústrias de fibra óptica migraram para a Ásia, uma época onde cerca de trezentos mil engenheiros perderam seus empregos, no ano de 2003, nos EUA. Com o regresso de muitos técnicos e pesquisadores que se encontravam sediados na China, Índia, Brasil e um pouco por mundo, todo esse contingente regressou aos Estados Unidos, tendo migrado para outras áreas: Comecei a projetar lentes para cirurgia de catarata, numa empresa de biotecnologia. Nessa época, eu tinha enviado meu currículo para doze pessoas na NASA, sempre com alguma esperança, mas nunca recebi qualquer tipo de resposta. Na verdade, eu sempre digo que não sou bom para descobrir quais são as boas oportunidades na vida. Aquelas oportunidades que eu achava que eram as grandes oportunidades, nenhuma delas deu certo. Aquelas coisinhas, muito pequenininhas, que nem esperava que dessem certo, foram as que de fato abriram meu caminho. Coloquei o meu currículo num site relativo a uma conferência e foi assim que uma pessoa do Jet Propulsion, da NASA, entrou em contato comigo e me chamou para uma entrevista, recorda Ivair.

 

De repente, o veículo ‘Curiosity’ estava entregue a um cientista brasileiro

No Jet Propulsion, propuseram a Ivair o desenvolvimento de um projeto relacionado com lasers de semicondutores e uma semana depois descobriram que ele tinha experiência em montagens de circuitos de radiofrequência; aí, colocaram-no a trabalhar no projeto Mars Science Laboratory (MSL), que enviaria o jipe Curiosity para Marte: Na verdade, o MSL não tinha ninguém que soubesse trabalhar com radiofrequência, ou que tivesse uma visão ampla para mexer não só com física dos semicondutores dos dispositivos eletrônicos, como também colocar tudo aquilo numa caixa, transformando o conjunto em um dispositivo (transmissores de radar) que pudesse ser integrado com o resto da espaçonave. Foi assim que passei a gerenciar um grupo de técnicos só para essa finalidade, comenta nosso entrevistado. Essa equipe construiu o radar que mais tarde iria controlar a descida do Curiosity (com um peso de 900 Kg) em Marte: Se esse equipamento não funcionasse, o resto seria irrelevante, porque iria se transformar em um monte de ferro velho depositado em Marte. Aquilo tinha que descer, custasse o que custasse, e a missão do radar foi medir a altura que o Curiosity estava do solo marciano, bem como indicar a velocidade de descida. Sem essas medidas, todo o equipamento iria descer de uma forma descontrolada e iria virar um monte de ferro velho, mas no final deu tudo certo, afirma Ivair.

A descida do Curiosity, em Marte, foi acompanhada em rede nacional de televisão, nos Estados Unidos, com muita apreensão, pois todos sabiam que existiam milhares de razões e de problemas para que algo desse errado: afinal, controlar remotamente a descida do veículo, num ponto específico do planeta Marte, mesmo contando com o auxílio de dois satélites que já se encontram na órbita daquele planeta, não era tarefa fácil, embora toda a equipe da NASA tivesse dado o seu melhor.

Para Ivair Gontijo, os momentos finais da descida foram dramáticos. Toda a física aplicada naquele projeto estava certa, as ideias e cálculos estavam corretos, só que era um projeto de muitos detalhes: um parafuso mal apertado jogaria todo o projeto para o lixo. Então, se todos os detalhes fossem feitos de forma correta, o projeto iria dar certo: Eu só acreditei mesmo quando vi a primeira foto tirada pelo próprio Curiosity, com a sombra do veículo parado na superfície do planeta: e dava para ver, inclusive, as rodas dele. Durante a descida, parecia um ensaio, parecia que não era de verdade, foi tudo absolutamente perfeito. Não teve nenhum problema durante a descida, comemora Gontijo.

Após esse grande sucesso, a NASA decidiu entregar a Ivair Gontijo outra missão, esta para ser concluída daqui a aproximadamente dez anos e numa área completamente diferente da anterior: agora, o desafio de Gontijo é contribuir para o projeto de lançar uma sonda com destino a Europa – uma das luas do planeta Júpiter – colocando o equipamento em uma órbita muito próxima da superfície, com a intenção de um estudo mais aprofundado. Júpiter é coberto de gelo, e ele se move, se quebra, tem várias rachaduras e sai material lá de baixo. Parece que abaixo do gelo existe um oceano, água líquida, uma espécie de oceano global, prevendo-se que exista mais água aí do que em nosso planeta: Na Terra existe água, logo vida. É importante saber se existem essas condições propícias à vida na lua Europa, que também é a grande pergunta que fazemos sobre Marte; se existem essas condições, que chamamos de habitabilidade, a vida pode-se ter formado lá, também”, justifica Ivair.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

A Amazônia vista do espaço e do chão

Na busca de um destino digno e saudável para a espaçonave Terra, dois cientistas e um astronauta pedalaram mil e cem quilômetros pela Transamazônica, entre os estados do Pará e Amazonas, para viver, analisar e disseminar diversas realidades daquele nosso ecossistema.

Este é o Projeto Transamazônica + 25, que celebra os 25 anos da primeira viagem de Osvaldo Stella por aquela região, e que agora combina conhecimento científico com um olhar documental para estudar as mudanças sofridas pela paisagem e populações locais.

O relato é enriquecido pela experiência, no chão e no espaço, do astronauta da NASA, Chris Cassidy, veterano de dois voos espaciais e que volta à Estação Espacial Internacional este ano para mais uma missão.

14 de março de 2018

24 Maneiras de Morrer com um Buraco Negro

Por que os buracos negros são tão fascinantes?
Será por causa da fascinante física envolvida?
Do seu incrível poder destrutivo?
Da maneira estranha pela qual eles distorcem as nossas noções de realidade, espaço e tempo?
Qualquer que seja a explicação, o fato é que os buracos negros são perigosos?
Há várias maneiras de ser morto(a) por um buraco negro e nesta apresentação o palestrante discutirá algumas delas.
Algumas são simples, outras são verdadeiramente bizarras.

 

 

 


Resenha

Prof. Dr. Rodrigo Nemmen

O Programa Ciência às 19 Horas regressou no passado dia 08 de março, pelas 19 horas, para mais uma temporada, esta relativa ao ano 2016. Coube ao Prof. Dr. Rodrigo Nemmen – docente e pesquisador do IAG/USP ? apresentar a palestra intitulada 24 maneiras de morrer com um buraco negro, um evento que lotou por completo o Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP).

Nesta palestra, foram enfatizados os motivos pelos quais os buracos negros são tão fascinantes e por que são tão perigosos e têm um poder tão destrutivo. De fato, existem várias maneiras de se ser morto/a por um buraco negro, algumas delas de forma bem bizarra, tendo o palestrante incidido sua atenção em sete perigos.
Um buraco negro é uma região do espaço, na qual nada escapa, resultante de uma deformação no espaço-tempo, consequência da chamada Teoria da Relatividade Geral, que foi formulada precisamente há cem anos e três meses. De acordo com Einstein, que escreveu um manual de instruções sobre a gravidade, toda massa do universo curva o tecido do espaço ao seu redor. A gravidade é, justamente, essa curvatura.
Ao pedirmos ao Prof. Nemmen que nos desse uma definição mais palpável dessa curvatura, ele preferiu optar por apresentar analogias: A primeira analogia imediata é você imaginar que esse palco cósmico do espaço – ou seja, esse teatro onde os astros se movem -, na ausência de qualquer massa (planeta, estrela…), pode ser análogo ao estado de um trampolim sem ter alguém em cima. Então, esse espaço cósmico é plano. É como se fosse um trampolim, quando você não tem nenhuma pessoa em cima dele. Agora, no momento em que você coloca um astro, um planeta, ou qualquer coisa que tenha massa, nesse espaço, o tecido do espaço se deforma. Isso é análogo ao exemplo de quando alguém sobe num trampolim, salienta o palestrante.
Contudo, segundo nosso entrevistado, essa analogia – e qualquer outra – irá esbarrar em limitações. Porque você vai pensar: Mas, para onde está curvando o espaço? Ele não está curvando para nenhum lugar. Na verdade, se isso fosse medido, a curvatura mostraria que suas regras começariam a falhar. Porque, o que ela vai lhe dizer é que a geometria euclidiana funciona no espaço sem massa. Funciona no trampolim, sem ninguém. Agora, se você começar a aplicar as regras de Euclides ou o teorema de Pitágoras no espaço deformado ao redor de uma estrela, ou de um buraco negro, melhor jogar tudo no lixo, porque vai ser inútil.
Existe um forte poder destrutivo dos buracos negros, um tema que foi amplamente abordado na palestra do Prof. Rodrigo Nemmen. Contudo, nosso convidado teve oportunidade de nos falar um pouco sobre isso antes de sua apresentação. Eu vou falar desses vários poderes no decurso de minha palestra. Vou falar com mais detalhes. Mas, por exemplo, o poder gravitacional dos buracos negros é a origem de toda essa destruição; porque toda a gravidade atinge todos os seus extremos mais destrutivos do Universo, perto de um buraco negro. Então, a gravidade é o grande agente destrutivo. Por exemplo, a maneira mais imediata de você morrer com um buraco negro é cair lá dentro, já que quando você cruza a superfície do buraco negro, a gravidade vai aprisionar você lá para sempre e imediatamente você vai colapsar para o centro do buraco negro e ser esmagado, sublinha Nemmer.
Algumas pessoas chamam os buracos negros de átomos gravitacionais, porque eles são criaturas puramente compostas de gravidade. Não possuem uma estrutura complicada como a da Terra, por exemplo, que tem várias camadas. Nemmen sublinha que a gravidade dos buracos negros é tão intensa, que ela faz toda a composição de um buraco negro colapsar para um ponto no centro dele. Então, toda a massa dele está nesse ponto central, que é protegido por uma superfície chamada Horizonte de Eventos. Quando se cruza esse Horizonte de Eventos, segundo Nemmen (…) é melhor você assinar um testamento antes (…), cai-se imediatamente no centro do buraco negro e tudo será esmagado pela gravidade dele, que é o núcleo, que chamamos de Singularidade.
Como os buracos negros distorcem as noções de realidade e espaço-tempo? As noções de espaço e tempo de todas as pessoas que estão na Terra são baseadas em um ambiente relativamente seguro, que é o do nosso planeta. É um ambiente em que a geometria euclidiana é válida e onde é muito segura. Aqui, o espaço e tempo estão bem definidos. Agora, quando nos deslocamos para perto de um buraco negro, ele literalmente irá distorcer as nossas noções de espaço e tempo, conforme explica nosso convidado: Se você ficar aqui na Terra, medindo o passar do tempo no seu relógio, e se nesse exato momento eu fizer uma viagem para perto de um buraco negro e ficar um tempo lá – sem cair – e voltar para a Terra, você vai ver que se passou muito mais tempo no seu relógio, do que no meu (isso depende de como eu circundei o buraco negro). Por exemplo, se eu ficar muito perto da superfície de um buraco negro durante três horas, sem cruzar a superfície e voltar, no seu relógio terão passado alguns anos. O que você percebeu como passagem de tempo de alguns anos, no meu relógio foram apenas algumas horas. Esse é um exemplo de como eles distorcem nossa concepção de espaço e tempo. Mas tudo isso sai do manual de instruções de gravidade escrito pelo Einstein, no qual espaço e tempo dependem do ponto de vista. Espaço e tempo são relativos. Espaço e tempo são elásticos e essa elasticidade que ilustrei é exacerbada pelos buracos negros.
Dentre os exemplos de como morrer com um buraco negro, Nemmen ilustra um em particular – a Espaguetificação: Se você tiver o azar de cair em um buraco negro, a atração gravitacional que os seus pés sentirão será muito maior do que aquela que a sua cabeça sentirá. A força gravitacional será muito mais forte nos seus pés, do que em sua cabeça. Então, na prática, você será espichado, porque os seus pés vão começar a cair mais rápido do que a sua cabeça, então você será espichado e virar um espaguete, comenta com humor nosso entrevistado.
Mas, afinal, o que ainda falta descobrir sobre os buracos negros? Para nosso entrevistado, aquilo que mais o apaixona é poder fazer uma fotografia de um buraco negro. Geralmente, essas criaturas cósmicas estão bem longe: estima-se que a mais próxima esteja a cerca de mil anos de distância. É um buraco negro estelar e tem uma massa dez vezes maior que a massa do sol. Por outro lado, um dos buracos negros mais massivos e que se encontra próximo do planeta Terra, está no centro da nossa galáxia e chama-se Sagitário A-estrela: Esse cara tem quatro milhões de vezes a massa do sol concentrada e colapsada dentro do Horizonte de Eventos. Queremos fazer uma imagem do buraco negro, porque nunca fizemos isso antes. Dentro do Horizonte de Eventos – se Einstein estiver correto -, nunca teremos acesso a ela. É outro universo (literalmente) dentro do buraco negro. O que gostaríamos de fazer com essa foto é testar se Einstein estava certo no que concerne às propriedades do buraco negro e ao redor dele. Esse capítulo da enciclopédia da gravidade ainda está em aberto. Então, é isso que queremos explicar, fazendo uma fotografia de um buraco negro: parece ficção científica, conclui nosso entrevistado.
13 de março de 2018

O pouso do “Curiosity” em Marte

Por mais de dois mil anos, a humanidade tem estudado o planeta Marte e grandes avanços foram feitos nas últimas décadas, com satélites terrestres em órbita marciana e veículos robotizados na superfície. Agora, já sabemos que Marte teve oceanos no passado, mas por alguma razão a água sumiu! No dia 6 de Agosto de 2012, o projeto MSL (Mars Science Laboratory) da NASA fez um pouso dramático, colocando na superfície de Marte o veículo “Curiosity”, de 900 kg, carregado de instumentos para estudar o planeta.

As várias missões para Marte, idealizadas e construídas no Jet Propulsion Laboratory, da NASA, em Los Angeles, e os detalhes da construção e lançamento do veículo “Curiosity”, serão abordados neste seminário. Além disso, a construção dos componentes mais críticos do radar que controlou os últimos 7 minutos da descida em Marte foi liderada pelo palestrante, que descreverá sua participação no projeto.

BIOGRAFIA DO PALESTRANTE:

O mineiro Ivair Gontijo completou a graduação em Física e mestrado em Óptica no Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1985 e 1987, respectivamente. Em 1988, mudou-se para a Escócia, onde obteve o doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Glasgow, em 1992. Na sequência, trabalhou como pesquisador em lasers de semicondutores, detetores de luz e estudos de materiais, tanto na Universidade de Glasgow quanto na Heriot-Watt University, em Edimburgo. Em 1998, Ivair mudou-se para Los Angeles, Califórnia, onde trabalhou na University of California, Los Angeles (UCLA) por dois anos e meio, desenvolvendo novos materiais e dispositivos baseados em cristais fotônicos. Uma mudança de área o levou a trabalhar entre 2000 e 2005 para empresas de comunicação por fibra óptica, como gerente de projetos. Com a migração da indústria de fibra óptica para a Ásia, Ivair mudou novamente de área, indo projetar lentes asféricas para cirurgias de catarata em uma empresa de biotecnologia, com fábricas na Califórnia, Suíça e Japão. Ivair já produziu duas novas patentes para a empresa e existem mais de 1 milhão de pessoas no mundo usuárias das lentes por ele projetadas. Desde 2006, Ivair trabalha no Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, em Pasadena, Califórnia. Em seu primeiro projeto, liderou a fabricação dos transmissores e receptores de micro-ondas para o radar que controlou a descida final em Marte do veículo “Curiosity”. Atualmente, Ivair trabalha em um estudo para enviar uma sonda para “Europa”, a lua de Júpiter.

(www.jpl.nasa.gov)


Resenha

Dr. Ivair Gontijo

O mineiro Ivair Gontijo completou sua graduação em Física e mestrado em Óptica no Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1985 e 1987, respectivamente. Em 1988, mudou-se para a Escócia, onde obteve o doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Glasgow, em 1992, tendo, na sequência, trabalhado como pesquisador em lasers de semicondutores, detectores de luz e estudos de materiais, tanto na Universidade de Glasgow quanto na Heriot-Watt University, em Edimburgo, igualmente na Escócia. Em 1998, Ivair mudou-se para Los Angeles, Califórnia, onde trabalhou na University of California, Los Angeles (UCLA) por dois anos e meio, desenvolvendo novos materiais e dispositivos baseados em cristais fotônicos.

Uma decisão de mudar de área levou o cientista brasileiro a trabalhar entre 2000 e 2005 para empresas de comunicação por fibra óptica, como gerente de projetos. Com a migração da indústria de fibra óptica para a Ásia, Ivair mudou novamente de área, passando a projetar lentes esféricas para cirurgias de catarata em uma empresa de biotecnologia com fábricas na Califórnia, Suíça e Japão. Ivair já produziu duas novas patentes para a empresa e existe mais de um milhão de pessoas no mundo usuárias das lentes por ele projetadas.

Desde 2006, Ivair trabalha no Jet Propulsion Laboratory (JPL), da NASA, em Pasadena, Califórnia. Em seu primeiro projeto, liderou a fabricação dos transmissores e receptores de micro-ondas para o radar que controlou a descida final, em Marte, do veículo exploratório Curiosity, sendo que, atualmente, Ivair trabalha em um projeto que visa enviar uma sonda para Europa, uma das luas de Júpiter.

Foi exatamente sobre a aventura do pouso do Curiosity, em Marte, que incidiu mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, que ocorreu no dia 26 de maio, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP), onde uma vasta plateia se aglomerou para ouvir o Prof. Ivair Gontijo.

15 de fevereiro de 2018

Uma breve história do Universo

  • As estrelas sempre estiveram no céu?
  • De que são feitos os corpos celestes?
  • Qual o tamanho do Universo?
  • Qual sua origem?
  • Ele terá um fim?

Graças a avanços científicos recentes, somos a primeira geração da Humanidade a responder a estas perguntas, baseados em um modelo do universo confirmado por observações experimentais.

Fale conosco
Instituto de Física de São Carlos - IFSC Universidade de São Paulo - USP
Programa Ciência às 19 horas
Obrigado pela mensagem! Assim que possível entraremos em contato..