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16 de março de 2018

Prof Nicholas Suntzeff fala sobre o universo

O Prof. Nicholas Suntzeff (Distinguished professor da Texas A&M University – EUA) foi o palestrante convidado em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, que ocorreu no dia 20 de junho, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), uma apresentação que foi subordinada ao tema – O Universo.

Mundialmente conhecido por ter criado, em 1994, junto com Brian Schmidt, o programa de observação de supernovas distantes, observações essas que quatro anos mais tarde mostraram que a expansão do universo é acelerada, dando origem ao conceito de Energia Escura (Schmidt e Adam Riess receberam o Prêmio Nobel de 2011), Suntzeff concedeu uma entrevista exclusiva à Assessoria de Comunicação do IFSC/USP, antes de sua palestra, onde falou de sua teoria, do Universo, como um todo, e da interação que teve com os alunos do Instituto nesta sua passagem pelo Brasil e pelo IFSC.

Assista à entrevista, clicando na imagem abaixo.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Luz: Ciência e Vida – para todos

Em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, ocorrida no dia 05 de maio último, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), coube ao docente e pesquisador de nosso Instituto, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, apresentar a palestra Luz, Ciência e Vida.

Nesta apresentação, que teve o objetivo principal de comemorar o Ano Internacional da Luz, o palestrante sublinhou o quanto a luz é fundamental em nossa vida, sob diversos aspectos, desde o fato de ser a fonte geradora da própria existência do homem, assimilada pelos organismos vegetais e difundida ao longo das cadeias alimentares, até aos mais relevantes avanços da ciência e tecnologia, permitindo alcançar perspectivas cada vez mais ousadas e concretas em direção ao entendimento da natureza, passando pelas praticidades do dia-a-dia e pelo importante sentido da visão.


A palestra de Bagnato, que congregou uma plateia entusiasmada, sublinhou as comemorações do Ano Internacional da Luz (2015), que celebra importantes datas relacionadas com eventos marcantes relacionados ao estudo da luz e que revolucionaram a ciência, razão pela qual a UNESCO escolheu este ano para, de forma simples mas marcante, estimular o mundo acadêmico e os diversos nichos da sociedade a refletirem sobre a importância desse fenômeno, que é essencial ao ser humano.

Idealizada no espírito dessa celebração, a palestra do pesquisador do IFSC/USP transmitiu os aspectos mais fundamentais da luz, tanto como fenômeno físico – o que ela é e como se comporta -, quanto em seus aspectos úteis ou importantes e as consequências de sua existência e de sua compreensão na vida do nosso cotidiano e no estabelecimento e avanço do conhecimento científico.

Com demonstrações práticas que ocorreram no próprio auditório onde ocorreu a palestra e com demonstrações e exposições alusivas ao Ano Internacional da Luz, que ocorreram após a sessão – em espaço reservado para o efeito -, mas aberto a todo o público, todos tiveram a oportunidade de conhecer aspectos simples, porém importantes, desse fenômeno que, por vezes, nem damos por ele, mas que nos cerca e envolve a cada minuto de nossas vidas.

A exposição

Na exposição que foi montada em celebração ao Ano Internacional da Luz, a equipe de Difusão Científica do CePOF/IFSC trouxe várias novidades: a inauguração de um Planetário Itinerante, uma exposição trazendo opções de ensino de óptica para deficientes visuais e uma exposição sobre as próprias comemorações do Ano Internacional da Luz, um evento que foi idealizado pelo Prof. Bagnato, tendo como coordenador-geral o Prof. Euclydes Marega, igualmente pesquisador de nosso Instituto.

O planetário insuflável que esteve em demonstração comporta até quarenta pessoas em seu interior e possui projeção em altíssima resolução. A coordenadora deste trabalho é a pesquisadora, Dra. Wilma Barrionuevo, que, auxiliada pelo técnico Leandro Pingueiro, tem a missão de levar o planetário até escolas e locais públicos, para que estudantes e a população em geral tenham acesso a filmes sobre temas diversos, como a formação do universo, células biológicas, óptica e luz, entre outros tópicos da ciência.

Já a exposição sugerindo técnicas para o ensino de óptica a deficientes visuais foi montada por vários alunos do Grupo de Óptica do nosso Instituto, coordenados pela física Hilde Buzzá. Durante a exposição, os visitantes tiveram os olhos vendados e puderam entender, na prática, como é realizado este aprendizado.

A terceira atração da exposição, que falou sobre a luz, trouxe os principais cientistas envolvidos com esse tema e os principais experimentos desenvolvidos pelos mesmos. O tema contou com a participação de professores, alunos e técnicos do próprio Grupo de Óptica do IFSC/USP.

A luz, mesmo que muita gente não perceba, porque nos é dada de graça, é o elemento mais importante que existe na Terra. A vida não existiria sem a luz; toda a energia que nós temos para formar vida vem da luz do sol; não teríamos calor na Terra se a luz não viesse da energia luminosa que vem do sol; então ela já é importante aí.

Agora, a luz é algo que sempre teve uma conotação divina e que a ciência conseguiu entender muito bem, manipulá-la e utilizá-la.

Então, a luz, hoje, tem uma aplicabilidade imensa. Toda a revolução que estamos passando no mundo moderno tem a ver com a luz. A evolução nas telecomunicações só foi possível com as fibras ópticas.

A evolução na iluminação pública, primeiro com a lâmpada de Edison, e depois com os LED’s… Então, a luz faz parte da vida. E mais do que isso, a ciência conseguiu entender o suficiente para utilizá-la e, hoje, a luz tem aplicação em quase todas as terapias.

Imagine o que seria das análises clínicas se não fossem os vários tipos de microscópios, os efeitos ópticos da interação com a matéria… Então, a luz é importante. Mas, mais importante do que tudo isso é que as pessoas têm que entender melhor o mundo ao seu redor. E, para isso, elas têm que entender o que veem e porque veem, e se não veem, o que está acontecendo? Então, a interação da luz com tudo, bem como com o que enxergamos e até onde isso é uma realidade, é extremamente importante.

É a sociedade que tem de enxergar soluções

Para o Prof. Bagnato, a luz é a origem de tudo, até porque no início, o Universo realmente foi uma grande flutuação de luz. Mas, até onde é que a luz pode chegar? É difícil responder essa pergunta, porque no início tudo era luz e continua sendo tudo luz. Provavelmente, no final, tudo continuará sendo luz. O que nos preocupa, no Ano Internacional da Luz, não é apenas a luz que enxergamos, mas sim aquela que a mente deveria enxergar. Então, a luz é um significado que vai além da parte científica e da matéria, e que atinge um pouco a parte filosófica. Estamos vivendo um momento em que as mentes têm que aprender a enxergar, não só com os olhos. E o Ano Internacional da Luz dá essa conotação, sublinha Vanderlei Bagnato.

Para o pesquisador, essa comemoração provoca que todos enxerguem um pouco mais do que o óbvio, principalmente em lugares obscuros, por exemplo no Terceiro Mundo, onde as pessoas não entendem o quanto elas têm que contribuir para o coletivo. Hoje, temos 2,5 bilhões de crianças que terminam a sua vida no pôr-do-sol, porque não têm luz elétrica. A maior causa de acidentes com crianças, na África, é a queimadura devido às lâmpadas que ainda funcionam com querosene e óleo. Então, ao mesmo tempo em que se está usando o laser e a luz para curar o câncer, nós não estamos dando alternativas para a sociedade básica. É um momento de reflexão, pontua Bagnato.

Para o pesquisador do IFSC/USP, a sociedade tem que começar a entender que quem tem de enxergar e ver onde estão as soluções não são os governos, mas sim a sociedade. As pessoas que hoje estão aqui, os jovens que vieram em grande número assistir a esta palestra, provavelmente amanhã serão governos e governantes. Se eles não aprenderem a enxergar o que precisa – e isso vem à luz -, não vamos a lugar nenhum, conclui Bagnato.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Projeto Mar sem Fim

Em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, realizado no dia 17 de agosto no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, no IFSC-USP, o tema intitulado Projeto Mar sem Fim foi magistralmente apresentado pelo palestrante convidado, o jornalista João Lara Mesquita.

A palestra consistiu na apresentação de algumas viagens realizadas através do Projeto Mar Sem Fim pela costa brasileira, argentina, chilena e antártica, entremeadas com dados a respeito das descobertas que estas viagens proporcionaram. O palestrante mostrou os ecossistemas da costa brasileira, sua ocupação desordenada, os aspectos positivos da legislação ambiental e como os brasileiros, infelizmente, deram as costas ao mar. Finalizando, João Lara Mesquita falou e mostrou aspectos das viagens feitas para a Antártica, a importância daquele continente para o clima mundial, a cadeia da vida marinha em todos os oceanos e o trabalho que os cientistas brasileiros fazem no continente gelado.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação do IFSC, João Mesquita explicou o fundamento do projeto, cujo  objetivo é trazer à tona a discussão da questão do ecossistema marítimo. Como jornalista e ambientalista, Mesquita é sagaz ao ponto de detectar que, de cada dez matérias que saem sobre o meio ambiente, sete ou oito são continentais: Eles se esquecem de falar do mar e nós temos todos os motivos para falar do mar. Ele é a placenta que nos deu cria, somos fruto da aventura portuguesa, uma aventura marítima fabulosa. Fico triste de ver como ela é desconhecida no Brasil, como ela é pouco valorizada. Nós temos um litoral vastíssimo e as pessoas não sabem a importância do mar. A maioria das pessoas associa mar com lazer (praia, fim de semana, férias etc). O objetivo deste projeto é, sinteticamente, mostrar que nossos oceanos são muito mais do que isso; são importantíssimos para a vida no planeta Terra: é o ecossistema mais importante que existe e o objetivo do projeto é justamente levantar essa questão na mídia, focar e mostrar essa importância.

Para o palestrante, o litoral brasileiroestá, infelizmente, ao Deus dará: Nós temos uma legislação ambiental que é considerada por muitos especialistas como uma das mais completas do mundo, mas ela é inexequível, pois não há fiscalização, não se sabe quem deve fazer o quê: a legislação ambiental brasileira delega umas vezes para o município, outras para o estado, e muitas das vezes até para a federação, critica Mesquita: E você percebe que não se sabe que o poder público, que está em atuação no litoral brasileiro, não entende o que concerne e o que não concerne ao poder estadual e assim por diante: o estado não permite, o município vai lá e permite, ou seja, há um constante conflito e há um conflito de interesse no litoral a empreendedores que querem construir e devem e podem construir desde que respeitem certas regras – pela fragilidade do ecossistema e por uma série de outras coisas. Isso não é, de forma alguma, observado pelo poder público, não existe multa: quando as pessoas infringem leis, demoram anos para serem cobradas e menos de 1% delas acabam sendo efetivamente cobradas.

Para o palestrante, essa é tônica de sua afirmação que os brasileiros deram as costas ao mar, porque, segundo ele, a população, ao não exigir, apenas demonstra não saber a importância do litoral. O poder público no Brasil só age sobre pressão. Quando houve muita pressão sobre as queimadas na Amazônia, diminuiu, depois a sociedade afrouxa, aumenta de novo. O povo saiu para a rua em Junho último: o poder recuou, mas depois a população relaxou. E se você não sabe a importância dessa faixa do litoral, que depende de 90% da cadeia da vida marinha, se o público não exige, é aí que não acontece mesmo. Eu reivindiquei meu trabalho para isso porque percebi, ao longo dos anos, esta falta de importância, comenta João Lara.

Outra observação feita por João Lara Mesquita foi o trabalho que os cientistas brasileiros estão fazendo na Antártica. De uma forma geral, é um trabalho tido como muito bem feito, é um trabalho que dizem ser um dos melhores que existem nas Américas e é um trabalho que, para nosso entrevistado, é feito com muita abnegação e com poucos recurso. Até muito recentemente, o recurso era praticamente mínimo, próximo do zero. O Brasil tem apenas uma base próxima da Antártica. A Argentina e o Chile possuem cerca de dez bases. Mas, mesmo assim, o trabalho é feito com muita abnegação: Estuda-se o clima, o impacto que a atividade humana pode gerar na Antártica, uma vez que esta é considerada a base do clima. Então, estuda-se, por exemplo, as queimadas da Amazônia, na Antártica, através de tubos que você introduz na neve e ela registra o que aconteceu cem, duzentos, trezentos anos atrás. Estudam também as queimas da Antártica, utilizando este método, onde descobrem cinzas de queimadas, fumaças das queimadas etc.

Dando um exemplo concreto, João Lara refere que os cientistas extraem pequenas quantidades de sangue dos mamíferos marinhos e percebem que existem compostos que não são originados na Antártica, mas que são utilizados na agricultura, farmacologia etc: Então, se no mínimo 5% das pessoas que assistem aos meus documentários ou ouvem minhas palestras pensarem nisto, eu já me sinto feliz. É uma paixão. Nunca haverá um movimento em massa; é de grão em grão, é um gesto que já percebo nas crianças, hoje em dia. Nós não tivemos esse estudo na escola, porém, meus filhos já aprendem que o lixo deve ser guardado e reciclado, por exemplo. Eu sou otimista, acredito que a nova geração conseguirá fazer essa parte, concluiu João Lara Mesquita.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Ciência mais que Divertida

O Prof. Dr. Antonio Carlos Pavão, docente do Departamento de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco, foi o palestrante convidado de mais uma edição do programa “Ciência às 19 Horas”, que decorreu no dia 29 de maio, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas.

Na palestra intitulada Ciência mais que Divertida o pesquisador destacou o papel central da ciência para a transformação social, tendo abordado aspectos relacionados com a educação e divulgação científica.

Mas, será que a ciência, como agente de transformação social no país, sempre assumiu esse papel ao longo dos anos? Para o convidado do IFSC, sim, a ciência sempre assumiu esse papel, tendo enfatizado que o Brasil não é um país isolado de seus pares no mundo e que existem exemplos marcantes na História da Humanidade onde o conhecimento determinou o rumo dessa mesma história.

Repare, por exemplo, que o Brasil foi descoberto devido à Química. Ficou admirado dessa minha afirmação? Eu explico. Os portugueses chegaram ao nosso país no dia 22 de abril e logo no dia 02 de maio parte da frota lusitana rumou para a Índia, em busca de especiarias (cravo, canela, menta, etc.). Então, porque é que eles fizeram essas navegações tão complexas? Porque o mercantilismo estava se desenvolvendo de uma forma rápida, precisa ganhar novos mercados e algumas das especiarias não serviam apenas como temperos; elas serviam, também – e principalmente – para conservar os alimentos e isso era crucial para as viagens. Por exemplo, repare que o cravo tem uma substância que é um antibiótico natural, que tem a propriedade de conservar os alimentos por muito mais tempo. Atualmente, todos os alimentos contêm aditivos químicos e as especiarias, nessa época remota, faziam o papel que esses aditivos fazem hoje – refere o pesquisador.

Para Pavão, quem detém o conhecimento detém o poder e, no Brasil, a produção científica não se reflete propriamente na produção industrial. Quando o governo passa a investir mais em ciência e tecnologia, o país tende a se desenvolver mais, e para o acadêmico não existem dúvidas de que no Brasil é fundamental que isso aconteça, mas, para ele, ainda há um longo caminho para ser percorrido.

Contudo, existem questões que precisam ser respondidas: como é que a ciência pode contribuir para a educação dos jovens e o que precisa mudar para que essa educação atinja os níveis desejáveis, até para que nosso país fique mais próximo da excelência internacional?

Para estas questões, o Prof. Antonio Pavão sublinha que é necessário melhorar o ensino dedicado às ciências exatas, porque hoje ainda existe o estigma de que a ciência é chata, rotineira; que o aluno não percebe as conexões que existem entre aquilo que ele está aprendendo e o mundo que o rodeia. Para o pesquisador pernambucano, o que precisa ser feito com urgência é motivar os alunos para que construam e aprofundem seus conhecimentos em ciência e tecnologia. Mas, de que forma?

Motivando! – acrescenta nosso convidado – E uma das alternativas é colocar problemas reais, verdadeiros, para que os alunos resolvam. Por exemplo, colocar para eles a questão de como despoluir um rio, de como medir o Ph em fontes naturais de água, questioná-los sobre quantas e quais as espécies de árvores que existem em São Carlos; fazê-los pesquisar a vida cotidiana das formigas ou das baratas, seus habitats, a importância que esses bichinhos têm para o equilíbrio ambiental; ensinar os alunos a medir a velocidade do vento e como aproveitar essa energia Tudo isso pode motivar os alunos e ajudar a que eles se apaixonem pela ciência e tecnologia, tendo sempre presente que tudo o que estão fazendo tem uma ação direta sobre o nosso próprio planeta. Tudo isso é um conjunto de experimentos verdadeiros, com resultados que podem surpreender, e isso é estimulante para o aluno. A isso eu chamo de experimento final aberto e seria muito importante começar a implantar isso junto de nossos jovens – acrescenta Antonio Pavão.

Se existem dificuldades para que os alunos brasileiros se apaixonem e trabalhem com ciência, também é certo que os temas científicos não suscitam grande interesse por parte do cidadão comum, e isso é um fator preocupante para o convidado do IFSC. Antonio Pavão insiste que para uma eficaz difusão do conhecimento, a divulgação científica é fundamental, até para a construção de um país novo, de um mundo novo.

Para o exercício da cidadania você tem que se apropriar de conhecimentos sobre ciência e tecnologia – por exemplo, avaliar a qualidade e as especificidades do celular que você quer comprar, de um carro, de um eletrodoméstico, ou de outros bens de consumo -, senão você corre o risco de ser manipulado e enganado. Além disso, a sociedade nos coloca questões cotidianas em que o cidadão tem que se posicionar, como, por exemplo, se você é a favor ou contra a clonagem, se concorda com a utilização de células-tronco para tratamentos de doenças, se concorda com usinas termonucleares, etc. Para o cidadão se posicionar sobre essas e outras questões, ele tem que conhecer os temas, tem que estar por dentro das questões relacionadas com ciência e tecnologia. Por isso existe a necessidade de aprofundar a divulgação científica. Toda a produção científica tem que estar associada à sua divulgação, de forma abrangente, quer seja nas escolas, no cinema, na mídia, na rua ou em casa junto com a família – acrescenta o cientista.

Antonio Pavão concorda que o Brasil tem progredido bastante na área científica, só que ainda carece de qualidade. Repare-se que nosso país é o maior produtor de artigos científicos da américa latina, mas, por outro lado, se prestarmos atenção aos fatores de impacto, por exemplo, aí já a Argentina fica na frente. Antonio Pavão afirma que o Brasil deve afinar seu rumo e trabalhar em uma produção de conhecimento que tenha objetivos muito claros de melhoria da condição de vida de toda a população, pensando o planeta como um todo.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

A ciência como agente de transformação social

O médico Miguel Nicolelis foi o palestrante convidado na última edição de 2011 do programa CIÊNCIA ÀS 19 HORAS, que decorreu no dia 22 de novembro, pelas 19 horas, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, IFSC-USP. Subordinada ao tema A CIÊNCIA COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL, a palestra de Nicolelis excedeu todas as expectativas, perante um numeroso público que lotou o auditório.

O mote foi dado através da ideia da criação de um projeto privado, com o objetivo de se construírem institutos de pesquisa independentes que possam promover a pesquisa científica básica e aplicada, de nível mundial, em áreas estratégicas consideradas essenciais para o desenvolvimento do Brasil. Mais do que a produção de pesquisa acadêmica, a missão é estabelecer iniciativas educacionais e sociais com o intuito de fortalecer as comunidades mais excluídas.

Foi com base nessa filosofia que Nicolelis avançou na criação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (INN-ELS), gerido pela AASDAP – Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa, no Estado do Rio Grande do Norte, onde já foram dados importantes passos para um processo local de minimização das desigualdades sociais e econômicas entre diferentes regiões do país, descentralizando a produção e a disseminação do conhecimento e tornando a educação científica qualificada acessível a crianças e jovens do ensino público.

Em atividade desde 2003, a AASDAP integra, atualmente, dois centros de pesquisa em neurociências (Natal e Macaíba – RN), um centro de educação científica, com três unidades (Natal e macaíba – RN e Serrinha – BA), para 1400 crianças e jovens com idades entre os 11 e os 17 anos, oriundos de escolas públicas da região, bem como um centro de saúde inteiramente voltado para os cuidados materno-infantis em Macaíba.

Segundo Nicolelis, o objetivo deste projeto, desde seu início, tem sido levar a ciência para as comunidades instaladas no entorno do Instituto:

Ele foi concebido como uma estrutura que teria uma ação dedicada à transformação social nas comunidades da periferia de Natal e na cidade de Macaíba. Assim, o projeto já nasceu com a ideia de ser criado um programa denominado “Escola para toda a vida”, que começa no atendimento das mães, no decurso do pré-natal, e que foi desenvolvido no nosso centro de saúde, onde hoje se faz cerca de 12 mil atendimentos por ano em mulheres residentes na periferia; até há bem pouco tempo essas mulheres não tinham qualquer atendimento pré-natal, principalmente o relacionado com alto risco. Foi o início de tudo. Em quatro anos que dura este nosso projeto, conseguimos reduzir a zero a mortalidade materna no pré-natal – que era uma das mais altas da região = 85 mortes por cada 100 mil mulheres – refere Nicolelis.

O resultado foi que, a partir desse processo, as crianças já têm a chance de nascer com um potencial neurobiológico perfeitamente normal, ou seja, elas não perdem a oportunidade de desenvolver o seu sistema nervoso em todas as suas potencialidades. Foi a partir desse momento que o Instituto decidiu construir uma escola, que ficará pronta em meados do ano que vem, com capacidade para cinco mil crianças, e que funcionará em tempo integral, envolvendo desde crianças do berçário até ao final do ensino médio, conforme explicou o palestrante:

Nosso trabalho começou nas escolas públicas da região, onde criamos um programa dedicado a mil crianças e que funcionou no turno oposto ao praticado nas escolas. Ou seja, foi uma aposta na educação científica desenvolvida de forma totalmente prática, onde as crianças aprendem todos os conceitos fundamentais da ciência moderna, fazendo experimentos da mesma forma que nós, pesquisadores, fazemos nos nossos laboratórios de pesquisa. Este projeto começou em 2005 e, atualmente, temos cinco unidades funcionando no Estado do Rio Grande do Norte e uma escola em Serrinha, na Baía. No próximo ano iremos inaugurar o denominado CAMPUS DO CÉREBRO, que constitui a maior ação da AASDAP, numa parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Esse CAMPUS receberá o nosso Instituto, que terá uma área de 13 mil metros quadrados, e uma escola com uma área de quinze mil metros quadrados, e cujo nome será ESCOLA PARA TODA A VIDA. O nosso trabalho inicia-se com o nascimento da criança e todo o seu acompanhamento, em tempo integral, até ao final do ensino médio. É o primeiro projeto nacional de escola em tempo integral – pontua Miguel Nicolelis.

Através da primeira turma formada pelo Instituto, que começou em 2007, Nicolelis afirma que o nível de evasão escolar se fixou em 3% (atualmente, no Brasil, a evasão escolar situa-se em 50% no ensino fundamente). Ou seja, todos os alunos abrangidos por esse curso de educação continuam no ensino médio e, pela primeira vez na história local, crianças dessas comunidades começaram a entrar na Universidade Federal do Rio Grande do Norte:

O desempenho acadêmico dessas crianças mudou completamente, sinal que elas começaram a acreditar e a desenvolver seu potencial intelectual, a ponto de se transformarem, neste momento, na elite educacional local. Demonstramos, assim, que o casamento entre neurociência e pedagogia tem um futuro muito promissor – refere o palestrante.

O governo tem estado muito atento a este projeto, dando, paulatinamente, apoio ao desenvolvimento do mesmo, segundo afirma Nicolelis. O Instituto já está mantendo diálogos aprofundados com o MEC sobre a possibilidade de expandir esse projeto por todo o Brasil:

Já apresentei o programa aos Presidentes Lula e Dilma, bem como a Ministro da Educação, Fernando Haddad – cujo seu ministério é nosso parceiro desde há quatro anos. A ideia é criar um programa chamado ALBERTO SANTOS DUMONT: EDUCAÇÃO CIENTÍFICA, que seja disseminado por todos os institutos federais e de tecnologia do país, com o objetivo final de atingir um milhão de crianças – acrescenta Nicolelis.

Segundo o palestrante, todo esse projeto não é mais do que uma forma de se tentar formar novos cidadãos:

Queremos que essas crianças aprendam a pensar, a valorizar a própria cultura e as suas raízes, mas principalmente para que eles aprendam que é possível agir na sociedade, uma vez que eles irão usar o método científico aplicado ao seu cotidiano – conclui Miguel Nicolelis.

Rui Sintra – jornalista

16 de março de 2018

Prof. Sergio Machado Rezende disserta sobre ciência e tecnologia para o desenvolvimento do Brasil

Em mais um programa “Ciência às 19 Horas”, realizado no IFSC-USP, no dia 14 de setembro, pelas 19 horas, o Prof. Sergio Machado Rezende, docente e pesquisador da UFPE – Universidade de Pernambuco, abordou o tema intitulado “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”, numa palestra que traçou a história da ciência no nosso país.

Pessoa simples, afável e bom conversador, Sergio Machado Rezende ocupou o cargo de ministro da pasta da Ciência e Tecnologia no segundo mandato do Presidente Lula (2006-2010), sendo que, atualmente, considera seu laboratório, na UFPE, o seu reduto, o seu cotidiano reinventado na sua paixão, mas nem por isso negando sua participação em inúmeras palestras para dissertar, principalmente perante jovens estudantes universitários, um tema que para ele é muito querido: “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”.

Na conversa amena que mantivemos com Sergio Rezende, o ex-ministro referiu que o Brasil começou tarde no desenvolvimento das áreas de Ciência e Tecnologia, mas sublinhou que seu desenvolvimento tem sido constante. Na opinião do pesquisador, o Brasil teve algumas épocas onde as dificuldades imperaram, com diversos imobilismos e retrocessos em algumas questões, como, por exemplo, orçamentos e políticas, mas o certo é que, de maneira geral, o Brasil evoluiu bastante nas últimas décadas:

Para citar apenas um número, em 1987 o país formou cerca de quatro mil mestres e cerca mil doutores, enquanto que, em 2010, o número total de formados ultrapassou cinquenta mil – cerca de quarenta mil mestres e dez mil doutores. Multiplicar por dez, no espaço de vinte anos, o número de jovens formados, é uma façanha. Tanto é, que hoje o Brasil começa a despertar a atenção internacional e muitos países – mesmo do designado primeiro mundo – mostram interesse em entender como é que a ciência no Brasil cresceu tanto em tão curto espaço de tempo, afirma Sergio Rezende.

Para o ex-ministro, uma das explicações está no aparecimento de inúmeros líderes que surgiram nas universidades – na pós-graduação e na pesquisa universitária – e que deram outras perspectivas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação: Eu costumo dizer isso nas palestras que profiro, principalmente aos jovens, pois eles desconhecem que há vinte anos não havia praticamente nada no nosso país, em termos de pesquisa – não havia laboratórios, equipamentos, pessoal qualificado. Mesmo que a situação de hoje não seja ainda considerada ideal e que ainda exista muito para fazer, o certo é que nós estamos fazendo um grande progresso: ele é notável e é notado no exterior, já que a ciência e tecnologia são áreas fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país -salienta o ex-ministro.

De fato, se repararmos com atenção, há muita coisa acontecendo em ciência, tecnologia e inovação no Brasil e, segundo Sergio Rezende, o país irá ser completamente diferente daqui a dez ou vinte anos, quando o sistema estiver todo implantado e disseminado. Para o ex-ministro, a ciência brasileira tem que ser tratada que nem futebol: o Brasil é bom no futebol porque em todas as cidades existem escolinhas de futebol e campos para os mais novos aprenderem e praticarem. Para Rezende, acontece o mesmo com a ciência e tecnologia, já que estamos construindo agora mais escolas e universidades e o nosso país tem tudo para ser muito bom na geração de conhecimento e de inovação.

Um dos temas que não poderia faltar nesta conversa foi a experiência que Sergio Rezende teve à frente do MCT e na possível nostalgia que o pesquisador sentiu quando regressou à UFPE: Eu me considero uma pessoa com muita sorte e sinto uma felicidade extrema em ter encontrado os parceiros certos na época certa. Fui para Recife ainda jovem, em grande parte porque o Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP) me convenceu. Eu era professor no Rio de Janeiro, recém formado doutor, e havia uma proposta de se construir um departamento de Física, com pesquisa, em Recife: claro que eu achava aquele desafio uma completa “doideira”: sair do Rio de Janeiro e ir para o Nordeste era coisa de doido. Mas o Prof. Sergio Mascarenhas insistiu, dizendo que ele próprio tinha ido para São Carlos (SP) para contribuir para a implantação de um instituto da USP, e que a cidade não tinha nada – e era verdade. Se prestarmos alguma atenção, a cidade de São Carlos é, hoje, um importante pólo de tecnologia, formando pessoas para todo o Brasil e inclusive para o exterior, e muitos estudantes de países da América do Sul escolhem São Carlos para completar seus estudos, já para não falar que a cidade tem um importante pólo de empresas tecnológicas. Por exemplo, eu estive na empresa “Opto”, cuja criação eu acompanhei na década de 80, e é impressionante sua evolução ao longo do tempo. Esse é um excelente exemplo de uma empresa de tecnologia nacional, formada dentro do IFSC-USP. Bem, voltando ao Prof. Sérgio Mascarenhas, ele tanto insistiu que acabei indo para Recife. Em Pernambuco, além de ter conseguido alcançar uma carreira de professor e de pesquisador, também tive a oportunidade de desempenhar diversos cargos como gestor, conciliando bem todas essas atividades. Fui, durante muitos anos, chefe de departamento, depois fui diretor de centro, diretor científico da FAPESPE, secretário de estado e secretário municipal – recorda o ex-ministro.

Sergio Rezende confessou que a única motivação que teve para ocupar esses cargos foi a enorme vontade que sentiu em poder contribuir com algo para o bem público e, refira-se, conseguiu fazer tudo isso sem abandonar as suas atividades de pesquisa. Quando entrou pela primeira vez no governo federal, (2003-2005 – primeiro mandato do Presidente Lula), foi no cargo de Presidente da FINEP, tendo sido convidado, em 2005, a assumir o MCT (segundo mandato do Presidente Lula): Realmente, aceitei esse desafio não pelo cargo, mas sim pelo fato de poder fazer coisas novas e  emocionantes pelo Brasil. Claro que, após determinado tempo, o sacrifício pessoal começa a pesar nos nossos ombros, a família começa a ficar cada vez mais distante e tudo isso começou a me desgastar, inclusive em termos de saúde. Assim, no meio de 2010, iniciei o planejamento do meu retorno à universidade, ao meu laboratório de Física, e aí juntei todo material que eu dispunha e escrevi o livro intitulado Livro Azul, uma publicação que é a síntese das propostas colhidas durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, visando um período de dez anos e, ainda, a parte de conteúdo documental que conta com um livro com a história  do MCT, outra publicação com todas as entidades que compõem a pasta e, ainda, um com o mapeamento dos mestres e doutores do País – sublinha o pesquisador.

Numa breve pausa de sua fala e com o olhar momentaneamente fixado no vazio, Sergio Rezende afirmou que a partir desse momento sentiu que tinha feito alguma coisa de útil a favor do Brasil: dei o melhor de mim, tive um grande apoio do Presidente Lula, não só no aumento do orçamento do ministério, como, também, na implantação das políticas. Estou plenamente realizado – desabafou Rezende – Agora, estou usufruindo de coisas que ajudei a implantar, como, por exemplo, poder fazer ciência com recursos. O que eu sinto do passado é uma grande satisfação de ter contribuído para fazer algo de bom em prol do desenvolvimento do nosso país. Acredite que me sinto muito mais saudável, completou Rezende, esboçando um largo e repentino sorriso.

Questionado sobre a hipótese de voltar ao MCT, Sergio Rezende disse que chegou a ser sondado em meados do ano passado, mas respondeu que já tinha feito o que podia e sabia fazer, tendo sublinhado que mais do que fez seria impossível e que precisava voltar para meu laboratório, precisava regressar às suas origens: O plano de ciência e tecnologia que elaboramos em 2007 foi integralmente cumprido e isso me dá uma enorme satisfação e um sentimento de… Dever cumprido.

(Rui Sintra – Jornalista)

16 de março de 2018

A Ciência VISTA pelo surdo

Tudo começou no início da década de setenta – comentou a Profa. Vivian Rumjanek, docente e pesquisadora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, um pouco antes de iniciar a sua palestra intitulada A Ciência VISTA pelo Surdo, inserida em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, realizada no IFSC no dia 16 de agosto.

O que leva uma Bioquímica Médica a se interessar por surdos e suas problemáticas? Que correlação existe entre as duas áreas? Para Vivian, a correlação existe em termos médicos e em termos sociais, mas o que mais aflige é que o surdo é um deficiente, ou uma pessoa com necessidades especiais, que está invisível para todos. Você consegue identificar, de imediato, um cadeirante, um amputado, um portador de alguma outra deficiência física, um cego, mas um surdo você não identifica: a deficiência dele não é identificável em um primeiro momento e isso é aflitivo. Como a grande maioria dos surdos não fala, essa maioria vive num mundo completamente diferente das restantes pessoas. A única referência de comunicação que o surdo tem é a visão, nada mais.

Vivian Rumjanek contou que o seu interesse por este assunto começou no início da década de 1971, quando o então Presidente dos EUA, Richard Nixon e o Secretário de Estado, Henry Kissinger, preocupados em desatolar seu país dos pântanos vietnamitas, instituíram a denominada Diplomacia do Ping-Pong com a República Popular da China, de Mao Tse-Tung, tendo-se estabelecido, entre outras iniciativas, a estruturação do Eixo Washington – Beijing e o ingresso da China Popular na ONU:

Fui convidada, nesse período, para participar em um congresso em Beijing. Cheguei ao aeroporto chinês com quatro horas de antecedência do horário estipulado e, claro, o meu guia ainda não tinha chegado para me acolher. E ali fiquei eu durante quatro horas, única não asiática, sem qualquer referência, perdida numa multidão de chineses, sem qualquer hipótese de me comunicar, pois ninguém falava outro idioma que não fosse o chinês, sem saber sequer onde era o banheiro, já que tudo estava escrito em chinês. Mesmo ouvindo o ruído em meu redor eu me senti completamente perdida, em pânico. Foi aí que eu comecei a pensar na sensação que deveria ter o indivíduo surdo e como é importante, mesmo imprescindível, ele ter uma comunicação visual, já que dificilmente tem outra ao seu dispor.

Foi a partir desse momento que Vivian Rumjanek iniciou sua caminhada rumo a um entendimento mais profundo dessa temática, tendo-se envolvido não só no estudo da deficiência auditiva, como, também, em diversos projetos com a finalidade de minimizar os efeitos nefastos da solidão atroz vivida pelos surdos e pela dificuldade que eles têm em progredir, principalmente nas escolas, universidades e, principalmente, na ciência.

Vivian Rumjanek confidenciou-nos que na sua palestra iria levantar questões relativas com a falta de intérpretes em LIBRAS e a inexistência desses profissionais em diversos setores, como, por exemplo, hospitais, escolas, universidades e institutos, o que prejudica fortemente a comunicação, integração e desenvolvimento da pessoa surda no cotidiano.

Atualmente, a Profa. Vivian Rumjanek trabalha com cerca de duzentas crianças surdas, no Rio de Janeiro, desenvolvendo atividades que têm o intuito de abrir, para elas, as portas à ciência e tecnologia.

(Rui Sintra: Jornalista)

14 de março de 2018

A ciência do filme “Interestelar”

Viagens interestelares são possíveis? O que há dentro de um buraco negro? Dá pra viajar no tempo? Existem outras dimensões?

O filme Interestelar nos leva ao longo de uma fantástica viagem muito além dos confins do nosso sistema solar.

Nesta palestra, o Prof. Nemmen revelará que os incríveis eventos fictícios do filme, assim como os efeitos especiais inéditos, são baseados em áreas fascinantes da ciência.

O Prof. Nemmen falará sobre buracos negros, viagens interestelares, planetas fora do sistema solar, buracos de minhoca e mais, descrevendo as leis que governam o nosso universo e os fenômenos assombrosos que estas leis tornam possíveis.

Esta palestra acontecerá logo após a exibição do filme Interestelar, que será exibido no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, às 15h45

13 de março de 2018

Luz: Ciência e Vida

A luz é fundamental em nossa vida sob diversos aspectos, desde ser a fonte da própria vida, assimilada pelos organismos vegetais e difundida ao longo das cadeias alimentares, até os mais relevantes avanços da ciência e da tecnologia, permitindo alcançar voos cada vez mais altos em direção ao entendimento da natureza, passando pelas praticidades do dia-a-dia e pelo importante sentido da visão.

O ano de 2015 celebra importantes aniversários de eventos marcantes relacionados ao estudo da luz, que revolucionaram a ciência. Por tudo isso, a UNESCO escolheu 2015 como o ANO INTERNACIONAL DA LUZ, de forma a estimular o mundo acadêmico e os diversos nichos da sociedade a refletirem sobre a importância desse fenômeno, que nos é essencial.

Esta palestra foi idealizada no espírito dessa celebração, onde vamos apresentar os aspectos mais fundamentais da luz tanto como fenômeno físico – o que ela é e como se comporta -, quanto em seus aspectos úteis ou importantes, e as consequências de sua existência e de sua compreensão na vida cotidiana e no estabelecimento e avanço do conhecimento científico.

Demonstrações práticas serão realizadas ao vivo, dando a oportunidade de conhecer aspectos simples, porém importantes, desse fenômeno, do qual por vezes não nos damos conta, mas que nos cerca e envolve a cada minuto de nossas vidas. Além disso, você terá a oportunidade de apreciar uma exposição comemorativa do Ano Internacional da Luz!

Você é nosso convidado! Venha, traga sua família e seus amigos para essa festa da ciência… e de todos nós!

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Resenha

Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato

Em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, ocorrida no dia 05 de maio último, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), coube ao docente e pesquisador de nosso Instituto, Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato, apresentar a palestra “Luz, Ciência e Vida”.

Nesta apresentação, que teve o objetivo principal de comemorar o Ano Internacional da Luz, o palestrante sublinhou o quanto a luz é fundamental em nossa vida, sob diversos aspectos, desde o fato de ser a fonte geradora da própria existência do homem, assimilada pelos organismos vegetais e difundida ao longo das cadeias alimentares, até aos mais relevantes avanços da ciência e tecnologia, permitindo alcançar perspectivas cada vez mais ousadas e concretas em direção ao entendimento das natureza, passando pelas praticidades do dia-a-dia e pelo importante sentido da visão.

A palestra de Bagnato, que congregou uma plateia entusiasmada, sublinhou as comemorações do Ano Internacional da Luz (2015), que celebra importantes datas relacionadas com eventos marcantes, relacionados ao estudo da luz, que revolucionaram a ciência, razão pela qual a UNESCO escolheu este ano para, de forma simples mas marcante, estimular o mundo acadêmico e os diversos nichos da sociedade a refletirem sobre a importância desse fenômeno, que é essencial ao ser humano.

Idealizada no espírito dessa celebração, a palestra do pesquisador do IFSC/USP transmitiu os aspectos mais fundamentais da luz, tanto como fenômeno físico ? o que ela é e como se comporta -, quanto em seus aspectos úteis ou importantes e as consequências de sua existência e de sua compreensão na vida do nosso cotidiano e no estabelecimento e avanço do conhecimento científico.

Com demonstrações práticas que ocorreram no próprio auditório onde ocorreu a palestra e com demonstrações e exposições alusivas ao Ano Internacional da Luz, que ocorreram após a sessão, em um espaço reservado para o efeito – mas aberto a todo o público -, todos tiveram a oportunidade de conhecer aspectos simples, porém importantes, desse fenômeno que, por vezes, nem damos por ele, mas que nos cerca e envolve a cada minuto de nossas vidas.

13 de março de 2018

Projeto Mar Sem Fim: Redescobrindo a Costa Brasileira

A palestra consiste da apresentação de algumas viagens realizadas, pelo Projeto Mar Sem Fim, pela costa brasileira, argentina, chilena e antártica, entremeadas com dados a respeito das descobertas que estas viagens proporcionaram.

O palestrante irá mostrar os ecossistemas da costa brasileira, sua ocupação desordenada, os aspectos positivos da legislação ambiental e como os brasileiros, infelizmente, deram as costas ao mar.

Finalizando, João Lara Mesquita falará e mostrará aspectos das viagens feitas para a Antártica, a importância daquele continente para o clima mundial, a cadeia da vida marinha em todos os oceanos e o trabalho que os cientistas brasileiros fazem no continente gelado.

 

 

 


Resenha

João Lara Mesquita

Viagens realizadas pelo jornalista João Lara Mesquita, no âmbito do denominado Projeto Mar Sem Fim. A exploração das costas brasileira, argentina, chilena e antártica, entremeadas com dados a respeito das descobertas que estas viagens proporcionaram. A ocupação desordenada, os aspectos positivos da legislação ambiental e como os brasileiros, infelizmente, deram as costas ao mar: a importância da Antártica para o clima mundial, a cadeia da vida marinha em todos os oceanos e o trabalho que os cientistas brasileiros fazem no continente gelado. Estes foram alguns motivos que nos levaram a indagar o palestrante convidado do Programa Ciência às 19 Horas, referente ao mês de agosto (dia 17), que decorreu, como habitualmente, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas.

O objetivo da palestra de João Lara Mesquita foi trazer à tona a discussão sobre a questão do ecossistema marítimo. João Lara percebeu, como jornalista e ambientalista, que, de cada dez matérias que saem sobre o meio ambiente, sete ou oito são continentais. Para o jornalista, todo o mundo se esquece de falar do mar, que é a placenta que criou a humanidade e pelo qual o Brasil é fruto fruto da aventura portuguesa, uma aventura marítima fabulosa e fico triste de ver como ela é desconhecida no Brasil, como ela é pouco valorizada, refere Mesquita.

O brasileiro tem um litoral vastíssimo e, para o palestrante, o povo consegue enxergar a importância do mar em suas vidas: A maioria das pessoas associa o mar com lazer (praia, fim de semana, férias etc). E o objetivo, sinteticamente, é mostrar que nossos oceanos são muito mais do que isso, são importantíssimos para a vida no planeta Terra. É o ecossistema mais importante que existe e o objetivo do projeto é justamente levantar essa questão na mídia, focar e mostrar essa importância, conclui o jornalista.

13 de março de 2018

Ciência mais que divertida

Através de experimentos simples e atraentes associados a uma análise histórica das repercussões do desenvolvimento científico, será destacado o papel central da Ciência para a transformação social. Em particular, serão explorados aspectos da educação e divulgação científica.

 

 

 

 

 

 


Resenha

Antonio Carlos Pavão

O Prof. Dr. Antonio Carlos Pavão, docente do Departamento de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco, foi o palestrante convidado de mais uma edição do programa ?Ciência às 19 Horas?, que decorreu no dia 29 de maio, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas.

Na palestra intitulada Ciência mais que Divertida, o pesquisador destacou o papel central da ciência para a transformação social, tendo abordado aspectos relacionados com a educação e divulgação científica.

Mas, será que a ciência, como agente de transformação social no país, sempre assumiu esse papel ao longo dos anos? Para o convidado do IFSC, sim, a ciência sempre assumiu esse papel, tendo enfatizado que o Brasil não é um país isolado de seus pares no mundo e que existem exemplos marcantes na História da Humanidade onde o conhecimento determinou o rumo dessa mesma história.

Repare, por exemplo, que o Brasil foi descoberto devido à Química. Ficou admirado dessa minha afirmação? Eu explico. Os portugueses chegaram ao nosso país no dia 22 de abril e logo no dia 02 de maio parte da frota lusitana rumou para a Índia, em busca de especiarias (cravo, canela, menta, etc.). Então, porque é que eles fizeram essas navegações tão complexas? Porque o mercantilismo estava se desenvolvendo de uma forma rápida, precisa ganhar novos mercados e algumas das especiarias não serviam apenas como temperos; elas serviam, também – e principalmente – para conservar os alimentos e isso era crucial para as viagens. Por exemplo, repare que o cravo tem uma substância que é um antibiótico natural, que tem a propriedade de conservar os alimentos por muito mais tempo. Atualmente, todos os alimentos contêm aditivos químicos e as especiarias, nessa época remota, faziam o papel que esses aditivos fazem hoje ? refere o pesquisador.

Para Pavão, quem detém o conhecimento detém o poder e, no Brasil, a produção científica não se reflete propriamente na produção industrial. Quando o governo passa a investir mais em ciência e tecnologia, o país tende a se desenvolver mais, e para o acadêmico não existem dúvidas de que no Brasil é fundamental que isso aconteça, mas, para ele, ainda há um longo caminho para ser percorrido.

Contudo, existem questões que precisam ser respondidas: como é que a ciência pode contribuir para a educação dos jovens e o que precisa mudar para que essa educação atinja os níveis desejáveis, até para que nosso país fique mais próximo da excelência internacional?

Para estas questões, o Prof. Antonio Pavão sublinha que é necessário melhorar o ensino dedicado às ciências exatas, porque hoje ainda existe o estigma de que a ciência é chata, rotineira; que o aluno não percebe as conexões que existem entre aquilo que ele está aprendendo e o mundo que o rodeia. Para o pesquisador pernambucano, o que precisa ser feito com urgência é motivar os alunos para que construam e aprofundem seus conhecimentos em ciência e tecnologia. Mas, de que forma?

Motivando! ? acrescenta nosso convidado – E uma das alternativas é colocar problemas reais, verdadeiros, para que os alunos resolvam. Por exemplo, colocar para eles a questão de como despoluir um rio, de como medir o Ph em fontes naturais de água, questioná-los sobre quantas e quais as espécies de árvores que existem em São Carlos; fazê-los pesquisar a vida cotidiana das formigas ou das baratas, seus habitats, a importância que esses bichinhos têm para o equilíbrio ambiental; ensinar os alunos a medir a velocidade do vento e como aproveitar essa energia Tudo isso pode motivar os alunos e ajudar a que eles se apaixonem pela ciência e tecnologia, tendo sempre presente que tudo o que estão fazendo tem uma ação direta sobre o nosso próprio planeta. Tudo isso é um conjunto de experimentos verdadeiros, com resultados que podem surpreender, e isso é estimulante para o aluno. A isso eu chamo de experimento final aberto e seria muito importante começar a implantar isso junto de nossos jovens ? acrescenta Antonio Pavão.

Se existem dificuldades para que os alunos brasileiros se apaixonem e trabalhem com ciência, também é certo que os temas científicos não suscitam grande interesse por parte do cidadão comum, e isso é um fator preocupante para o convidado do IFSC. Antonio Pavão insiste que para uma eficaz difusão do conhecimento, a divulgação científica é fundamental, até para a construção de um país novo, de um mundo novo.

Para o exercício da cidadania você tem que se apropriar de conhecimentos sobre ciência e tecnologia ? por exemplo, avaliar a qualidade e as especificidades do celular que você quer comprar, de um carro, de um eletrodoméstico, ou de outros bens de consumo -, senão você corre o risco de ser manipulado e enganado. Além disso, a sociedade nos coloca questões cotidianas em que o cidadão tem que se posicionar, como, por exemplo, se você é a favor ou contra a clonagem, se concorda com a utilização de células-tronco para tratamentos de doenças, se concorda com usinas termonucleares, etc. Para o cidadão se posicionar sobre essas e outras questões, ele tem que conhecer os temas, tem que estar por dentro das questões relacionadas com ciência e tecnologia. Por isso existe a necessidade de aprofundar a divulgação científica. Toda a produção científica tem que estar associada à sua divulgação, de forma abrangente, quer seja nas escolas, no cinema, na mídia, na rua ou em casa junto com a família ? acrescenta o cientista.

Antonio Pavão concorda que o Brasil tem progredido bastante na área científica, só que ainda carece de qualidade. Repare-se que nosso país é o maior produtor de artigos científicos da américa latina, mas, por outro lado, se prestarmos atenção aos fatores de impacto, por exemplo, aí já a Argentina fica na frente. Antonio Pavão afirma que o Brasil deve afinar seu rumo e trabalhar em uma produção de conhecimento que tenha objetivos muito claros de melhoria da condição de vida de toda a população, pensando o planeta como um todo.

(Rui Sintra – jornalista)

12 de março de 2018

A ciência como agente de transformação social

Como cientistas brasileiros, radicados no exterior, poderiam contribuir para o desenvolvimento econômico e sociocultural de seu país natal?
Como resposta a essa indagação, surgiu a idéia de criar um projeto privado, cuja principal meta seria construir institutos de pesquisa independentes que promoveriam pesquisa científica básica e aplicada, de nível mundial, em áreas estratégicas consideradas vitais para o desenvolvimento do Brasil.
A principal missão desses institutos não estaria limitada à produção de pesquisa acadêmica, mas também incluiria o estabelecimento de iniciativas educacionais e sociais, com o intuito de fortalecer as comunidades excluídas da região.
Desse anseio e filosofia surgiu o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), gerido pela Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP). Localizado no estado do Rio Grande do Norte, o IINN-ELS pretende contribuir para o processo de minimização das desigualdades sociais e econômicas entre as diferentes regiões do país, descentralizando a produção e a disseminação do conhecimento, e tornando a educação científica qualificada acessível a crianças e jovens do ensino público.
Em atividade desde 2003, a AASDAP integra atualmente dois centros de pesquisas em neurociências (Natal e Macaíba ? RN); um centro de educação científica, com três unidades (Natal e Macaíba, no RN e Serrinha, na Bahia), para 1400 crianças e jovens de 11 a 17 anos de escolas públicas da região; e, um centro de saúde voltado aos cuidados materno-infantis em Macaíba. Começando a dar frutos, essa experiência tem demonstrado o grande potencial transformador de iniciativas que agregam pesquisa científica a uma missão social.


Resenha

Miguel Nicolelis

O médico Miguel Nicolelis foi o palestrante convidado na última edição de 2011 do programa CIÊNCIA ÀS 19 HORAS, que decorreu no dia 22 de novembro, pelas 19 horas, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, IFSC-USP. Subordinada ao tema A CIÊNCIA COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL, a palestra de Nicolelis excedeu todas as expectativas, perante um numeroso público que lotou o auditório.

O mote foi dado através da ideia da criação de um projeto privado com o objetivo de se construírem institutos de pesquisa independentes que possam promover a pesquisa científica básica e aplicada, de nível mundial, em áreas estratégicas consideradas essenciais para o desenvolvimento do Brasil. Mais do que a produção de pesquisa acadêmica, a missão é estabelecer iniciativas educacionais e sociais com o intuito de fortalecer as comunidades mais excluídas.

Foi com base nessa filosofia que Nicolelis avançou na criação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (INN-ELS), gerido pela AASDAP: Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa, no Estado do Rio Grande do Norte, onde já foram dados importantes passos para um processo local de minimização das desigualdades sociais e econômicas entre diferentes regiões do país, descentralizando a produção e a disseminação do conhecimento e tornando a educação científica qualificada acessível a crianças e jovens do ensino público.

Em atividade desde 2003, a AASDAP integra, atualmente, dois centros de pesquisa em neurociências (Natal e Macaíba, RN), um centro de educação científica, com três unidades (Natal e Macaíba, RN e Serrinha, BA), para 1400 crianças e jovens com idades entre os 11 e os 17 anos, oriundos de escolas públicas da região, bem como um centro de saúde inteiramente voltado para os cuidados materno-infantis em Macaíba.

Segundo Nicolelis, o objetivo deste projeto, desde seu início, tem sido levar a ciência para as comunidades instaladas no entorno do Instituto:

Ele foi concebido como uma estrutura que teria uma ação dedicada à transformação social nas comunidades da periferia de Natal e na cidade de Macaíba. Assim, o projeto já nasceu com a ideia de ser criado um programa denominado ?Escola para toda a vida?, que começa no atendimento das mães, no decurso do pré-natal, e que foi desenvolvido no nosso centro de saúde, onde hoje se faz cerca de 12 mil atendimentos por ano em mulheres residentes na periferia; até há bem pouco tempo essas mulheres não tinham qualquer atendimento pré-natal, principalmente o relacionado com alto risco. Foi o início de tudo. Em quatro anos que dura este nosso projeto, conseguimos reduzir a zero a mortalidade materna no pré-natal ? que era uma das mais altas da região = 85 mortes por cada 100 mil mulheres, refere Nicolelis.

O resultado foi que, a partir desse processo, as crianças já têm a chance de nascer com um potencial neurobiológico perfeitamente normal, ou seja, elas não perdem a oportunidade de desenvolver o seu sistema nervoso em todas as suas potencialidades. Foi a partir desse momento que o Instituto decidiu construir uma escola, que ficará pronta em meados do ano que vem, com capacidade para cinco mil crianças, e que funcionará em tempo integral, envolvendo desde crianças do berçário até ao final do ensino médio, conforme explicou o palestrante:

Nosso trabalho começou nas escolas públicas da região, onde criamos um programa dedicado a mil crianças e que funcionou no turno oposto ao praticado nas escolas. Ou seja, foi uma aposta na educação científica desenvolvida de forma totalmente prática, onde as crianças aprendem todos os conceitos fundamentais da ciência moderna, fazendo experimentos da mesma forma que nós, pesquisadores, fazemos nos nossos laboratórios de pesquisa. Este projeto começou em 2005 e, atualmente, temos cinco unidades funcionando no Estado do Rio Grande do Norte e uma escola em Serrinha, na Baía. No próximo ano iremos inaugurar o denominado CAMPUS DO CÉREBRO, que constitui a maior ação da AASDAP, numa parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Esse CAMPUS receberá o nosso Instituto, que terá uma área de 13 mil metros quadrados, e uma escola com uma área de quinze mil metros quadrados, e cujo nome será ESCOLA PARA TODA A VIDA. O nosso trabalho inicia-se com o nascimento da criança e todo o seu acompanhamento, em tempo integral, até ao final do ensino médio. É o primeiro projeto nacional de escola em tempo integral, pontua Miguel Nicolelis.

Através da primeira turma formada pelo Instituto, que começou em 2007, Nicolelis afirma que o nível de evasão escolar se fixou em 3% (atualmente, no Brasil, a evasão escolar situa-se em 50% no ensino fundamente). Ou seja, todos os alunos abrangidos por esse curso de educação continuam no ensino médio e, pela primeira vez na história local, crianças dessas comunidades começaram a entrar na Universidade Federal do Rio Grande do Norte:

O desempenho acadêmico dessas crianças mudou completamente, sinal que elas começaram a acreditar e a desenvolver seu potencial intelectual, a ponto de se transformarem, neste momento, na elite educacional local. Demonstramos, assim, que o casamento entre neurociência e pedagogia tem um futuro muito promissor,  refere o palestrante.

O governo tem estado muito atento a este projeto, dando, paulatinamente, apoio ao desenvolvimento do mesmo, segundo afirma Nicolelis. O Instituto já está mantendo diálogos aprofundados com o MEC sobre a possibilidade de expandir esse projeto por todo o Brasil:

Já apresentei o programa aos Presidentes Lula e Dilma, bem como a Ministro da Educação, Fernando Haddad ? cujo seu ministério é nosso parceiro desde há quatro anos. A ideia é criar um programa chamado ALBERTO SANTOS DUMONT: EDUCAÇÃO CIENTÍFICA, que seja disseminado por todos os institutos federais e de tecnologia do país, com o objetivo final de atingir um milhão de crianças, acrescenta Nicolelis.

Segundo o palestrante, todo esse projeto não é mais do que uma forma de se tentar formar novos cidadãos:

Queremos que essas crianças aprendam a pensar, a valorizar a própria cultura e as suas raízes, mas principalmente para que eles aprendam que é possível agir na sociedade, uma vez que eles irão usar o método científico aplicado ao seu cotidiano, conclui Miguel Nicolelis.

O programa CIÊNCIA ÀS 19 HORAS voltará a partir do mês de março de 2012.

Aguardamos sua visita na série de palestras que decorrerão todos os meses no IFSC-USP.

Até lá!

Rui Sintra – jornalista

12 de março de 2018

Ciência e tecnologia para o desenvolvimento do Brasil

Na década de 1960 o Brasil tinha pouquíssimos cientistas e pesquisadores, não havia regime de tempo integral para docentes nem ambiente de pesquisa nas universidades. Também não haviam engenheiros ou especialistas em setores básicos da indústria, nosso parque industrial era incipiente e não existia cultura de inovação nas empresas. Na palestra abordaremos aspectos históricos e geopolíticos da ciência e tecnologia no mundo e apresentaremos uma breve história da ciência no Brasil contextualizando o grande progresso feito nas últimas décadas.

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Resenha

Sergio Machado Rezende

Em mais um programa “Ciência às 19 Horas”, realizado no IFSC-USP, no dia 14 de setembro, pelas 19 horas, o Prof. Sergio Machado Rezende, docente e pesquisador da UFPE – Universidade de Pernambuco, abordou o tema intitulado “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”, numa palestra que traçou a história da ciência no nosso país.

Pessoa simples, afável e bom conversador, o Prof. Sergio Machado Rezende, ocupou o cargo de ministro da pasta da Ciência e Tecnologia no segundo mandato do Presidente Lula (2006-2010), sendo que, atualmente, considera seu laboratório, na UFPE, o seu reduto, o seu cotidiano reinventado na sua paixão, nem por isso negando participar em inúmeras palestras para dissertar, principalmente perante jovens estudantes universitários, um tema que para ele é muito querido: “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento do Brasil”.
Na conversa amena que mantivemos com Sergio Rezende, o ex-ministro referiu que o Brasil começou tarde no desenvolvimento das áreas de Ciência e Tecnologia, mas sublinhou que seu desenvolvimento tem sido constante. Na opinião do pesquisador, o Brasil teve algumas épocas onde as dificuldades imperaram, com diversos imobilismos e retrocessos em algumas questões, como, por exemplo, orçamentos e políticas, mas o certo é que, de maneira geral, o Brasil evoluiu bastante nas últimas décadas:
Para citar um número, em 1987 o país formou cerca de 4 mil mestres e mil doutores, enquanto que, em 2010, o número total de formados ultrapassou 50 mil – cerca de 40 mil mestres e 10 mil doutores. Multiplicar por dez, no espaço de vinte anos, o número de jovens formados é uma façanha. Tanto é, que hoje, o Brasil começa a despertar a atenção internacional e muitos países – mesmo do designado primeiro mundo – mostram interesse em entender como é que a ciência no Brasil cresceu tanto em tão curto espaço de tempo -afirmou Sergio Rezende.
Para o ex-ministro, uma das explicações está no aparecimento de inúmeros líderes que surgiram nas universidades – na pós-graduação e na pesquisa universitária – e que deram outras perspectivas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação:
Eu costumo dizer isso nas palestras que profiro, principalmente aos jovens, pois eles desconhecem que há vinte anos não havia praticamente nada no nosso país, em termos de pesquisa – não havia laboratórios, equipamentos, pessoal qualificado. Mesmo que a situação de hoje não seja ainda considerada ideal e que ainda exista muito para fazer, o certo é que nós estamos fazendo um grande progresso: ele é notável e é notado no exterior, já que a ciência e tecnologia são áreas fundamentais para o desenvolvimento de qualquer país -salientou o ex-ministro.
De fato, se repararmos com atenção, há muita coisa acontecendo em ciência, tecnologia e inovação no Brasil e, segundo Sergio Rezende, o país irá ser completamente diferente daqui a
dez ou vinte anos, quando o sistema estiver todo implantado e disseminado. Para o ex ministro, a ciência brasileira tem que ser tratada que nem futebol:
O Brasil é bom no futebol porque em todas as cidades existem escolinhas de futebol e campos para os mais novos aprenderem e praticarem. Acontece o mesmo com a ciência e tecnologia, já que estamos construindo agora mais escolas e universidades e o nosso país tem tudo para ser muito bom na geração de conhecimento e de inovação – acrescenta Sergio Rezende.
Um dos temas que não poderia faltar nesta conversa foi a experiência que Sergio Rezende teve à frente do MCT e na possível nostalgia que o pesquisador sentiu quando regressou à UFPE:
Eu me considero uma pessoa com muita sorte e sinto uma felicidade extrema em ter encontrado os parceiros certos na época certa. Fui para Recife ainda jovem, em grande parte porque o Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC-USP) me convenceu. Eu era professor no Rio de Janeiro, recém formado doutor, e havia uma proposta de se construir um departamento de Física, com pesquisa, em Recife: claro que eu achava aquele desafio uma completa “doideira”: sair do Rio de Janeiro e ir para o Nordeste era coisa de doido. Mas o Prof. Sergio Mascarenhas insistiu, dizendo que ele próprio tinha ido para São Carlos (SP) para contribuir para a implantação de um instituto da USP, e que a cidade não tinha nada – e era verdade. Se prestarmos alguma atenção, a cidade de São Carlos é, hoje, um importante pólo de tecnologia, formando pessoas para todo o Brasil e inclusive para o exterior, e muitos estudantes de países da América do Sul escolhem São Carlos para completar seus estudos, já para não falar que a cidade tem um importante pólo de empresas tecnológicas. Por exemplo, eu estive na empresa “Opto”, cuja criação eu acompanhei na década de 80, e é impressionante sua evolução ao longo do tempo. Esse é um excelente exemplo de uma empresa de tecnologia nacional, formada dentro do IFSC-USP. Bem, voltando ao Prof. Sérgio Mascarenhas, ele tanto insistiu que acabei indo para Recife. Em Pernambuco, além de ter conseguido alcançar uma carreira de professor e de pesquisador, também tive a oportunidade de desempenhar diversos cargos como gestor, conciliando bem todas essas atividades. Fui, durante muitos anos, chefe de departamento, depois fui diretor de centro, diretor científico da FAPESPE, secretário de estado e secretário municipal – recorda o ex-
ministro.
Sergio Rezende confessou que a única motivação que teve para ocupar esses cargos foi a enorme vontade que ele sentiu em poder contribuir com algo para o bem público e, refira-se conseguiu fazer tudo isso sem abandonar as suas atividades de pesquisa. Quando entrou pela primeira vez no governo federal, (2003-2005 – primeiro mandato do Presidente Lula), foi no cargo de Presidente da FINEP, tendo sido convidado, em 2005, a assumir o MCT (segundo mandato do Presidente Lula):
Realmente, aceitei esse desafio não pelo cargo, mas sim pelo fato de poder fazer coisas novas e  emocionantes pelo Brasil. Claro que, após determinado tempo, o sacrifício pessoal começa a pesar nos nossos ombros, a família começa a ficar cada vez mais distante e tudo isso começou a me desgastar, inclusive em termos de saúde. Assim, no meio de 2010, iniciei o planejamento do meu retorno à universidade, ao meu laboratório de Física, e aí juntei todo material que eu dispunha e escrevi o livro intitulado Livro Azul, uma publicação que é a síntese das propostas colhidas durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, visando um período de dez anos e, ainda, a parte de conteúdo documental que conta com um livro com a história  do MCT, outra publicação com todas as entidades que compõem a pasta e, ainda, um com o mapeamento dos mestres e doutores do País – recorda o pesquisador.
Numa breve pausa de sua fala e com o olhar momentaneamente fixado no vazio, Sergio Rezende afirmou:
A partir desse momento senti que tinha feito alguma coisa de útil a favor do Brasil: dei o melhor de mim, tive um grande apoio do Presidente Lula, não só no aumento do orçamento do ministério, como, também, na implantação das políticas. Estou plenamente realizado – desabafou Rezende – Agora, estou usufruindo de coisas que ajudei a implantar, como, por exemplo, poder fazer ciência com recursos. O que eu sinto do passado é uma grande satisfação de ter contribuído para fazer algo de bom em prol do desenvolvimento do nosso país. Acredite que me sinto muito mais saudável – completou Rezende, esboçando um largo e repentino sorriso.
Questionado sobre a hipótese de voltar ao MCT, Sergio Rezende disse:
Cheguei a ser sondado em meados do ano passado, mas eu disse que já tinha feito o que podia e sabia fazer: mais do que fiz era impossível e precisava voltar para meu laboratório, precisava regressar às minhas origens. O plano de ciência e tecnologia que elaboramos em 2007 foi integralmente cumprido e isso dá uma enorme satisfação e um sentimento de… Dever cumprido.
(Rui Sintra – Jornalista)
12 de março de 2018

A Ciência “VISTA” pelo surdo

A comunidade surda é linguística e socialmente marginalizada quanto à educação, principalmente na área científica. Isso decorre de várias barreiras.

A maioria dos surdos não é oralizada, isto é, não faz leitura labial nem fala, e apresenta grande dificuldade com relação à língua Portuguesa escrita.

Dessa forma, além de não escutarem e encontrarem dificuldade no aprendizado formal nas escolas, não absorvem conhecimento informal obtido através da mídia.

Apesar da língua natural de comunicação entre os surdos ser a língua brasileira de sinais (LIBRAS), cerca de 90% dos nossos surdos são filhos de pais ouvintes (que não conhecem LIBRAS) e muitas crianças surdas chegam aos 6, 7 anos sem nenhuma língua e sem organizar seu pensamento.

Com relação à área científica e tecnológica, a exclusão é ainda mais evidente, pois além de envolver muitos conceitos abstratos, a LIBRAS é muito pobre em sinais científicos.

O que iremos discutir é uma abordagem bem sucedida que visa circundar algumas dessas dificuldades.

O mundo do surdo passa a ser visto e não ouvido.

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Resenha

Vivian M. Rumjanek

Tudo começou no início da década de setenta – comentou a Profa. Vivian Rumjanek, docente e pesquisadora do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, um pouco antes de iniciar a sua palestra intitulada A Ciência VISTA pelo Surdo, inserida em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, realizada no IFSC no dia 16 de agosto.

O que leva uma Bioquímica Médica a se interessar por surdos e suas problemáticas? Que correlação existe entre as duas áreas? Para Vivian, a correlação existe em termos médicos e em termos sociais, mas o que mais aflige é que o surdo é um deficiente, ou uma pessoa com necessidades especiais, que está invisível para todos. Você consegue identificar, de imediato, um cadeirante, um amputado, um portador de alguma outra deficiência física, um cego, mas um surdo você não identifica: a deficiência dele não é identificável em um primeiro momento e isso é aflitivo. Como a grande maioria dos surdos não fala, essa maioria vive num mundo completamente diferente das restantes pessoas. A única referência de comunicação que o surdo tem é a visão, nada mais.

Vivian Rumjanek contou que o seu interesse por este assunto começou no início da década de 1971, quando o então Presidente dos EUA, Richard Nixon e o Secretário de Estado, Henry Kissinger, preocupados em desatolar seu país dos pântanos vietnamitas, instituíram a denominada Diplomacia do Ping-Pong com a República Popular da China, de Mao Tse-Tung, tendo-se estabelecido, entre outras iniciativas, a estruturação do Eixo Washington – Beijing e o ingresso da China Popular na ONU:

Fui convidada, nesse período, para participar em um congresso em Beijing. Cheguei ao aeroporto chinês com quatro horas de antecedência do horário estipulado e, claro, o meu guia ainda não tinha chegado para me acolher. E ali fiquei eu durante quatro horas, única não asiática, sem qualquer referência, perdida numa multidão de chineses, sem qualquer hipótese de me comunicar, pois ninguém falava outro idioma que não fosse o chinês, sem saber sequer onde era o banheiro, já que tudo estava escrito em chinês. Mesmo ouvindo o ruído em meu redor eu me senti completamente perdida, em pânico. Foi aí que eu comecei a pensar na sensação que deveria ter o indivíduo surdo e como é importante, mesmo imprescindível, ele ter uma comunicação visual, já que dificilmente tem outra ao seu dispor.

Foi a partir desse momento que Vivian Rumjanek iniciou sua caminhada rumo a um entendimento mais profundo dessa temática, tendo-se envolvido não só no estudo da deficiência auditiva, como, também, em diversos projetos com a finalidade de minimizar os efeitos nefastos da solidão atroz vivida pelos surdos e pela dificuldade que eles têm em progredir, principalmente nas escolas, universidades e, principalmente, na ciência.

Vivian Rumjanek confidenciou-nos que na sua palestra iria levantar questões relativas com a falta de intérpretes em LIBRAS e a inexistência desses profissionais em diversos setores, como, por exemplo, hospitais, escolas, universidades e institutos, o que prejudica fortemente a comunicação, integração e desenvolvimento da pessoa surda no cotidiano.

Atualmente, a Profa. Vivian Rumjanek trabalha com cerca de duzentas crianças surdas, no Rio de Janeiro, desenvolvendo atividades que têm o intuito de abrir, para elas, as portas à ciência e tecnologia.

(Rui Sintra: Jornalista)

12 de março de 2018

Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação

Comemora-se os 25 anos de criação do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) em Março de 2010.

Na ocasião aproveita-se para discutir a história , os caminhos e descaminhos do desenvolvimento socioeconômico do Brasil frente aos grandes desafios da globalização no séc. XXI. O papel do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação emerge como fundamental para todos os problemas avassaladores de nossa sociedade heterogênea, assimétrica e com altos índices de violência, corrupção e baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), Soluções para os grandes desafios do séc. XXI: fome, saúde, energia, água, mudanças climáticas, explosão demográfica, convergem lodos para fatores ligados ao sistema de ciência, tecnologia e inovação se conjugado virtuosamente ao desenvolvimento cultural e humanístico .Essa denominada Terceira Cultura (segundo C.P.Snow) é então discutida como fecho filosófico e histórico da palestra, num viés de esperanças e realidades.

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8 de março de 2018

Ciência, anticiência e o dia-a-dia de todos nós

O DNA está na boca do povo,mas muita gente não sabe bem o que ele significa, nem as suas aplicações para o bem-estar das pessoas em geral.

Aproveitando se dessa ignorância, indivíduos e organizações montaram uma política de demonização da genética que deve ser combatida por ser anti-ética, limitando o direito de todo as usufruírem os benefícios da ciência.

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Ciência, anticiência e o dia-a-dia de todos nós

23 de fevereiro de 2018

Cosmologia: A ciência do Universo

O Universo é infinito?

Do que é feito?

Ele é eterno?

Quão distantes estão as estrelas no céu?

São todas parecidas?

O Universo está expandindo mesmo?

Mas para onde-se por definição ele engloba tudo?

O Universo sempre foi assim?

Como será ele no futuro?

Essas perguntas e várias outras tem sido repetidas de uma forma ou outra há milênios.

Somos a primeira geração da Humanidade que podemos responder com segurança as várias destas perguntas.

Nesta palestra ilustrada com animações, discutiremos de maneira compreensível o que sabemos e o que ainda precisamos saber sobre o Cosmos.

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