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7 de maio de 2019

Prof. Marcelo Urbano Ferreira explica porque a malária volta a assustar o Brasil

O Programa Ciência ás 19 horas, promovido e realizado pelo Instituto de Física de São Carlos – IFSC/USP, apresentou no dia 24 de abril a palestra subordinada ao tema A malária volta assustar o Brasil, com o Prof. Marcelo Urbano Ferreira, do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas ICB/USP.

O palestrante dissertou sobre a relação entre a Amazônia e a USP, abordando a tradicional cooperação técnica com o Ministério da Saúde e suas Secretarias Estaduais e Municipais, referente ao controle da doença.

Esta explanação teve como objetivo expor os recentes resultados de pesquisa de campo na busca de fatores que contribuam para tomada de medidas para melhorar o controle de sua transmissão.

Ferreira também descreveu o constante progresso da malária na última década e enfatizou o aumento expressivo do número de casos na Amazônia, tendo exaltado 129 mil casos no País, somente em 2016, o menor número em 37 anos. No entanto, em 2017, o índice chegou a mais de 193 mil casos notificados, um aumento de quase 50% em relação ao ano anterior, sendo que a situação atual pouco melhorou.

Para a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP, o palestrante sintetizou sua palestra.

Clique na imagem abaixo para assistir.

18 de março de 2019

Todas as luzes se curvam no firmamento – 100 anos do eclipse que transformou Einstein numa celebridade

A primeira palestra de março, relativa à edição de 2019 do programa “Ciência às 19 horas”, que ocorreu em nosso Instituto no dia 14, teve um destaque muito especial atendendo a que a mesma esteve inserida em um vasto programa que comemorou o 140º aniversário do nascimento de Alberto Einstein, evento ao qual foi dado o nome de “2nd Einstein Day”, repetindo, assim, o êxito de 2018.

“Todas as luzes se curvam no firmamento – 100 anos do eclipse que transformou Einstein numa celebridade” foi o título da palestra apresentada pelo Prof. Alberto Saa (Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica – UNICAMP), que sublinhou o fato deste ano se comemorar o centenário da famosa expedição organizada pelo britânico Arthur Eddington a Sobral, no Ceará, e a São Tomé e Príncipe, na costa africana, que confirmaria uma das mais extraordinárias previsões da Relatividade Geral de Albert Einstein, expressa quase que liricamente no título do artigo publicado no “New York Times” na ocasião: “Todas as luzes se curvam no firmamento”.

Saa apresentou e discutiu vários pontos científicos e históricos do contexto no qual essa e outras expedições se inserem e que acabaram transformando Einstein numa das figuras mais populares do século XX.

O dia 14 de março também teve um significado especial, já que se recordou o primeiro aniversário do falecimento do proeminente cientista Stephen Hawking.

Clique na imagem abaixo para conferir os comentários do Prof. Alberto Saa sobre sua palestra.

(Rui Sintra – jornalista)

 

14 de novembro de 2018

Profª Betti Hartman (IFSC/USP) fala sobre a radiação cósmica de fundo

Na última palestra da edição de 2018 do programa Ciência às 19 Horas, realizada no dia 13 de novembro, coube à docente e pesquisadora do IFSC/USP, Profª Betti Hartmann, discorrer sobre o tema A radiação cósmica de fundo – O que as micro ondas nos dizem sobre a origem do Universo, tendo em consideração que essa radiação é uma preciosidade que remonta ao início do universo, muito quente e densa, e que foi criada cerca de 380.000 anos após a grande explosão (Big- Bang) que deu origem ao nosso universo.

Devido à expansão do universo, esta radiação resfriou e hoje tem uma temperatura de apenas -270,43 ° C, podendo ser observada como uma radiação de micro-ondas, quase completamente uniforme, em todo o céu.

Sobre este assunto, Betti Hartmann conversou com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP.

Clique na imagem para assistir aos comentários da pesquisadora.

(Rui Sintra – jornalista)

5 de outubro de 2018

Prof. Ramachrisna Teixeira (IAG/USP) fala da missão espacial “Gaia”

18 de setembro foi a data escolhida para a realização de mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, com a palestra do Prof. Ramachrisna Teixeira (IAG/USP) subordinada ao tema Missão espacial Gaia: uma nova era da Astronomia e que ocorreu, como habitualmente, a partir das 19 horas, no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas”.

Em sua apresentação, Ramachrisna Teixeira mostrou como a Missão Espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia, colocou nas mãos dos cientistas, em 25 de abril de 2018, dados observacionais em quantidade e com qualidade, com as quais até há bem pouco tempo nem se sonhava: entre eles, a grandeza mais importante de toda a Astronomia – a distância de mais de um bilhão de estrelas, que permite dizer onde se encontram, como são e como dançam, iniciando assim, uma nova era no estudo do Universo.

Não se trata de uma nova descoberta, mas sim de uma base de dados sem precedentes sobre a qual repousará o conhecimento astronômico nos próximos 40-50 anos.

Sobre este assunto, o Prof. Ramachrisna Teixeira dialogou com a nossa reportagem.

Confira, clicando na imagem abaixo:

(Rui Sintra – jornalista)

14 de agosto de 2018

No IFSC/USP: Profª Alicia Kowaltowski (IQ/USP) explica o que é o Metabolismo

Após o tradicional período de férias, o Instituto de Física de São Carlos (USP) retomou no dia 09 de agosto, pelas 19 horas, no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas”, o programa Ciência às 19 Horas, com a participação da Profª Drª Alicia Kowaltowski (IQ/USP), que dissertou sobre o tema O que é Metabolismo? Como nossos corpos transformam o que comemos no que somos.

O metabolismo é o conjunto de transformações e reações químicas através das quais se realizam os processos de síntese degradação (ou decomposição) das células. Este fenômeno está relacionado com três funções que são vitais e que ocorrem no corpo humano:

nutrição (inclusão de elementos essenciais no organismo);

respiração (oxidação desses elementos essenciais para produção de energia química);

– e síntese de moléculas estruturais (utilizando a energia produzida).

Havendo influência de diversos fatores no metabolismo, como, por exemplo, genética, idade, sexo, altura, peso e prática de atividade física, entre outros, o gasto de mais ou menos energia depende desses fatores. Por isso, algumas pessoas são magras e, mesmo comendo de tudo, não engordam, enquanto outras enfrentam grandes dificuldades para conseguirem emagrecer.

Assim, em conversa informal mantida com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP antes mesmo de sua palestra, Alícia Kowaltowski abordou o tema, de forma sucinta.

Clique na imagem abaixo para assistir à entrevista.

(Rui Sintra – jornalista)

5 de julho de 2018

Ivair Gontijo (Engenheiro Brasileiro da NASA) fala sobre “A Caminho de Marte”

A Caminho de Marte foi o título da palestra que ocorreu no dia 03 de julho, a partir das 19 horas, no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas” (IFSC/USP), integrada em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, organizado pelo Instituto de Física de São Carlos, em parceria com a Embrapa Instrumentação, tendo como palestrante o físico Ivair Gontijo, pesquisador no Jet Propulsion Laboratory da NASA (EUA).

A principal missão de Ivair Gontijo no Jet Propulsion Laboratory, em Pasadena, Califórnia, foi trabalhar no projeto Mars Science Laboratory (MSL), que enviou o jipe Curiosity para Marte. Na verdade, o MSL não tinha ninguém que soubesse trabalhar com radiofrequência, ou que tivesse uma visão ampla para mexer não só com física dos semicondutores dos dispositivos eletrônicos, como também colocar tudo aquilo numa caixa, transformando o conjunto em um dispositivo (transmissor de radar) que pudesse ser integrado com o resto da espaçonave norte-americana. Foi assim que Ivair passou a gerenciar um grupo de técnicos só para essa finalidade. E foi sob seu gerenciamento que a equipe construiu o radar que mais tarde iria controlar a descida do jeep Curiosity (com um peso de 900 Kg) em Marte. Se esse equipamento não funcionasse, o resto seria irrelevante, porque tudo isso iria se transformar em um monte de lixo depositado em Marte. O Curiosity tinha que descer, custasse o que custasse e a missão do radar foi medir a altura que o Curiosity estava do solo marciano, bem como indicar a velocidade de descida. Sem essas medidas, todo equipamento iria descer de uma forma descontrolada e iria virar um monte de ferro velho na superfície do planeta vermelho.

O relato dessa experiência foi o mote para uma primeira palestra que Gontijo realizou no nosso Instituto, em Junho de 2014 e, agora, passados cerca de quatro anos, Ivair Gontijo volta ao Ciência às 19 Horas para fazer um relato da sua trajetória do interior de Minas Gerais até o Jet Propulsion Laboratory, um dos mais sofisticados laboratórios da NASA. Muitas fotos e vídeos mostraram detalhes fascinantes dos bastidores do projeto do Curiosity, lançamento e operação do mais complexo veículo robótico já enviado para outro mundo, tendo sido abordados também os próximos passos na exploração de Marte.

A missão Mars2020 está em fase de implementação e irá mandar para Marte um novo veículo para coletar amostras com possíveis traços de material orgânico e procurar evidências de vida, dando-se assim os próximos passos no caminho para colocar seres humanos no planeta vermelho.

Nesta edição do programa Ciência às 19 Horas, Ivair Gontijo lançou seu livro que tem o título de sua última apresentação – A Caminho de Marte – tendo conversado com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP sobre os mais importantes capítulos de seu trabalho na NASA.

(Clique na imagem para assistir à entrevista)

Rui Sintra – jornalista – Assessoria de Comunicação IFSC/USP

 

25 de junho de 2018

Carola Chinellato aborda “O que mais vem do céu além da luz das estrelas?”

Em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, ocorrida no dia 19 de junho, no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas” (IFSC/USP), a palestrante convidada foi a Profª Drª Carola Dobrigkeit Chinellato, que dissertou, perante uma plateia entusiasmada, sobre o tema O que mais vem do céu além da luz das estrelas?

Com extrema boa disposição, a pesquisadora tornou extremamente fácil a compreensão de um tema que, à partida, poderia ser complicado para os leigos, tendo começado sua explanação abordando o fato do planeta Terra ser continuamente bombardeado por “raios cósmicos”, que, em sua maioria, são núcleos de átomos que chegam de todas as direções do céu.

A pesquisadora explicou que, ao entrar na atmosfera, cada um desses raios interage com um átomo do ar, produzindo novas partículas, que, por sua vez, também reagem, dando origem a outras, em uma cascata de reações. Ao conjunto das partículas descendo até o solo dá-se o nome de “chuveiro atmosférico”. “Nós não nos damos conta de que estamos sendo atravessados por partículas desses chuveiros e não percebemos nenhum efeito. É como fazer o “Raio X” de um dente: não sentimos nada”, salienta a ProfªCarola.

Alguns raios cósmicos chegam à Terra com energias muito altas, da ordem da energia de uma bola de tênis sacada por um jogador profissional, concentrada em uma partícula subatômica. Os raios cósmicos mais energéticos são justamente os mais raros. Apenas um deles, em média, chega ao topo da atmosfera em um quilômetro quadrado em um ano. Justamente por isso, é tão difícil medi-los. “Para observá-los, necessitamos de detectores gigantescos, como aqueles que existem no Observatório Pierre Auger, instalado nos pampas argentinos, e do qual o Brasil participa ativamente”, enfatiza a pesquisadora, que, na sua palestra, mostrou o papel e a importância desse observatório na tentativa de conhecer a identidade desses raios cósmicos ultraenergéticos, de onde eles vêm, como foram produzidos e como interagem.

Carola Chinellato aceitou nosso convite para, de forma muito simples, resumir sua apresentação.

Clique na imagem para assistir ao depoimento da pesquisadora.

(Rui Sintra – jornalista)

18 de junho de 2018

Guilherme Gomes fala sobre a visão infravermelha na natureza, na medicina e na cena criminal

A termografia é uma técnica que detecta, registra, processa e analisa a temperatura superficial corpórea ou de qualquer objeto, por meio da radiação eletromagnética no comprimento de onda do infravermelho, irradiado por qualquer superfície de um material que esteja acima de 0 K.

Por ser uma técnica inócua, não invasiva, indolor, não radioativa, rápida e que registra de forma objetiva a distribuição térmica da microcirculação da derme e das superfícies corpóreas em tempo real, pode ser usada com objetivos diversos, em vários estudos biológicos, principalmente na fisiologia e medicina.

Ela permite ver o mundo de uma forma diferente, descrever processos nunca antes observados e obter informações e observar disfunções que podem ajudar a prevenir a evolução de patologias, e até auxiliar na elucidação de crimes.

Em entrevista realizada antes de sua palestra no Programa “Ciência às 19 Horas”, ocorrida no dia 13 de junho de 2018, Guilherme Gomes (PhD) abordou o tema, de forma resumida.

Clique na imagem acima para assistir a entrevista.

(Rui Sintra – jornalista)

12 de abril de 2018

A Amazonia vista do espaço e do chão – pesquisador do IPAM e astronauta da NASA partilham experiências

Na busca por um destino digno e saudável para a espaçonave chamada Terra, dois cientistas e um astronauta pedalaram mil e cem quilômetros pela Transamazônica, entre os estados do Pará e Amazonas, para viver, analisar e disseminar diversas realidades daquele ecossistema brasileiro.

Este é o Projeto Transamazônica + 25, que celebra os 25 anos da primeira viagem de Osvaldo Stella por aquela região e que agora combina conhecimento científico com um olhar documental para estudar as mudanças sofridas pela paisagem e populações locais.

O relato de Osvaldo Stella Martins (Engenheiro Mecânico, PhD em Ecologia e Recursos Naturais – IPAM- Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), transformado em uma palestra que ocorreu no dia 02 de abril do corrente ano, no superlotado Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, foi enriquecido pelos depoimentos do astronauta-chefe da NASA, Capitão da Marinha dos Estados Unidos da América, Chris Cassidy, veterano de dois voos espaciais e que volta à Estação Espacial Internacional no próximo ano para mais uma missão.

A primeira missão espacial de Cassidy ocorreu em 2009, com duração de duas semanas. Ele confessa que por ter sido sua primeira vez no espaço, toda sua atenção e concentração estiveram voltadas para as particularidades da missão, quase sem tempo para observar e analisar as múltiplas metamorfoses e características do planeta, com especial foco na região amazônica.

Já na sua segunda missão, ocorrida em 2013, onde permaneceu seis meses na Estação Espacial Internacional, Cassidy teve mais tempo para observar a Terra: De fato, me apercebi como nosso planeta é frágil e como a Amazônia se divide nitidamente em áreas distintas: um verde exuberante entrecortado por um azul que representa a água cristalina, enquanto várias áreas despontam cinzentas e de alguma forma inférteis graças aos impactos negativos provocados pelo homem.

Na entrevista que ambos concederam à Assessoria de Comunicação do IFSC, Cassidy confirmou que irá regressar em 2019 à Estação Espacial Internacional para mais uma missão e que seu olhar vai certamente incidir com mais atenção na Amazônia, para detectar minuciosamente as agressões perpetradas pelo homem e tentar registrar as suas graves feridas.

Clique nas imagens abaixo para assistir às entrevistas de Osvaldo Stella Martins e Chris Cassidy.

(Rui Sintra – jornalista)

Assista as entrevistas

Chris Cassady

Osvaldo Stella Martins

26 de março de 2018

Daniel Vanzella – “Relatividade Geral: entortando nossa visão do universo”

Recordar o legado de Albert Einstein exatamente no dia em que o famoso físico teórico alemão completaria 139 anos de idade.

Foi através desta efeméride que no passado dia 14 de março o Auditório “Prof. Sergio Mascarenhas” lotou sua capacidade para ouvir a palestra proferida pelo docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Dr. Daniel Vanzella, uma apresentação integrada no programa “Ciência às 19 Horas”; excepcionalmente, esta edição do programa se enquadrou dentro de uma outra iniciativa promovida pelo Instituto de Física de São Carlos, denominada “1st. Einstein Day”, que teve também o intuito de homenagear aquele que foi responsável pelo desenvolvimento da teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna.

“Relatividade Geral: entortando nossa visão do Universo” foi o tema explanado por Daniel Vanzella, tendo como base inicial o fato de que há mais de cem anos, Albert Einstein apresentava ao mundo sua nova teoria da gravidade – a Relatividade Geral – e, com ela, a mais quotidiana e antiga das interações fundamentais ganhou uma interpretação profunda e até mesmo fantástica.

Em sua palestra, Daniel Vanzella fez uma rápida incursão pelas bases conceituais dessa teoria, conduzindo o espectador através de ideias que, às vezes, pareciam romper os limites da ficção.

Daniel Vanzella é um daqueles pesquisadores que não precisa muita coisa para prender a atenção de quem o escuta. A paixão e o conhecimento que transmite rapidamente contagiam quem com ele debate ou questiona pormenores relacionados com a Física, principalmente com o tema que apresentou no dia 14 de março – Relatividade Geral.

Vale a pena conferir a entrevista feita com Daniel Vanzella, após sua palestra (clique na imagem para assistir o vídeo).

19 de março de 2018

Recital-Palestra: Divertimentos – Descobertas: Estudos Criativos para o Desenvolvimento Musical

O dia 28 de novembro de 2017 ficou marcado pela última edição de 2017 do programa Ciência às 19 Horas, com uma programação mais alinhada com conceitos culturais. Dessa forma, o Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas recebeu o Recital-Palestra: Divertimentos – Descobertas: Estudos Criativos para o Desenvolvimento Musical, com as participações de Heloisa Fernandes (piano) e Toninho Carrasqueira (Flauta), um evento que incluiu o lançamento do livro com o mesmo título do evento, obra recentemente publicada pela EDUSP.

Esses dois artistas, consagrados internacionalmente, compartilharam com o público sua sensibilidade e técnica refinadas, apresentando um repertório de composições onde tradição e modernidade dialogam e abrem espaço para a criação espontânea, a improvisação e a inspiração do momento, propostas no livro. O livro, da autoria de Toninho Carrasqueira, é o resultadfo de uma vida inteira dedicada à música e à docência, refletindo um novo olhar que amplia os horizontes dos estudantes de música. Aprender melhor, de forma lúdica, criando estudos próprios e exercícios específicos para que o músico se sinta impelido de compor melhor suas npróprias obras, são alguns dos temas abordados na publicação, que apela a um novo olhar, a novas formas de criatividade, tudo focado para um melhor entendimento das estruturas da linguagem musical, num espaço dedicado à música brasileira que ainda sofre com algum tipo de preconceito.

Clique na imagem abaixo para assistir à curta entrevista feita pela Assessoria de Comunicação do IFSC/USP aos dois artistas.

(Rui Sintra – jornalista)

19 de março de 2018

Prof. Rodrigo Nemmen fala sobre a ciência do filme Interestelar

O filme de ficção científica intitulado Interstelar foi o mote principal para a realização da edição do mês de outubro do programa Ciência às 19 Horas, que ocorreu no dia 24 de outubro, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), com a presença do palestrante convidado – Prof. Dr. Rodrigo Nemmen – docente e pesquisador no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP), que dissertou sobre o tema A Ciência do Filme Interestelar, um evento que incluiu a exibição do longa no mesmo dia, entre as 15h45 e 18h35.

O filme retrata um futuro não muito longínquo do presente, no qual a civilização humana está à beira do colapso. Devido à propagação incontrolável de pestes agrícolas, há uma grande escassez de alimentos e alterações na composição da atmosfera, ameaçando levar a humanidade à extinção dentro de poucas gerações. Neste contexto, é organizada uma viagem interplanetária em busca de um planeta potencialmente habitável e no qual seja possível reconstruir a civilização. Fazendo uso de um misterioso wormhole que surgiu no sistema solar e que constitui um portal para outra galáxia, a expedição viaja até um sistema planetário com vários candidatos, circundando um buraco negro supermassivo, denominado Gargantua.

Um dos planetas visitados, o planeta de Miller, possui muita água no estado líquido e orbita muito perto do buraco negro. Neste planeta os astronautas observam efeitos curiosos de gravitação, como ondas gigantes e fenómenos de Relatividade Geral, como grandes dilatações do tempo (uma hora no planeta corresponde a sete anos na Terra).

Tendo em conta que o revisor científico do filme foi Kip Thorne, uma das maiores referências científicas internacionais na área da gravitação e ganhador do Prêmio Nobel da Física – 2017, foi bastante interessante verificar onde estão instaladas as fronteiras entre realidade e a ficção neste filme, que aborda a existência de um buraco de minhoca (wormhole) que possibilita uma viagem intergalática, um fenômeno previsto teoricamente, mas jamais observado na prática. Esse fenômeno foi descrito primeiro por Albert Einstein e Nathan Rosen em 1935 e devido a isso seja oficialmente chamado de ponte de Einstein-Rosen. Segundo a teoria elaborada pelos dois físicos, buraco de minhoca é uma deformação do espaço-tempo que funcionaria como um atalho espacial.

Assim, o Prof. Nemmen revelou que os incríveis eventos fictícios do filme, assim como os efeitos especiais inéditos, são baseados em áreas fascinantes da ciência, falando também sobre buracos negros, viagens interestelares, planetas fora do sistema solar, etc., descrevendo as leis que governam o nosso universo e os fenômenos assombrosos que estas leis tornam possíveis.

Em entrevista à Assessoria de Comunicação do IFSC/USP, o pesquisador falou sobre o que, no filme, corresponde e não corresponde minimamente á realidade científica, tendo discorrido sobre dilatações do tempo, buracos de minhoca, dimensões espaciais, se será – ou não – possível fazer viagens interestelares no futuro, viagens no tempo, etc..

Clique na imagem abaixo para assistir à entrevista.

(Rui Sintra – jornalista)

19 de março de 2018

A supercondutividade e as propriedades emergentes: porque o todo não é apenas a soma de suas partes

O Prof. Eduardo Miranda (Instituto de Física  Gleb Wataghin, Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP ) foi o palestrante convidado de mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas – um evento organizado mensalmente pelo IFSC/USP e aberto à sociedade -, que ocorreu no dia 26 de setembro, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP).

O tema abordado pelo palestrante – A supercondutividade e as propriedades emergentes: porque o todo não é apenas a soma de suas partes – deu uma ideia real de que conhecemos materiais que apresentam uma vasta gama de propriedades surpreendentes, como os cristais líquidos que formam as telas de computadores, supercondutores que conduzem eletricidade sem resistência elétrica, superfluidos que escorrem por tubos sem viscosidade e muitos outros.

Para Eduardo Miranda, todos esses exemplos têm uma coisa em comum: só acontecem quando juntamos um número muito grande de átomos ou moléculas. Fenômenos que só aparecem quando há um número muito grande de constituintes são conhecidos como propriedades emergentes.

A pergunta que muitos pesquisadores se fazem é: Como entidades simples, como átomos, podem se juntar e dar origem a fenômenos tão intrigantes e complexos? É possível entender uma propriedade emergente, sabendo-se apenas como dois átomos interagem entre si? Como partir do microscópico e chegar ao macroscópico?

O palestrante pretendeu, nesta palestra, dar uma ideia dos raciocínios de que lançam mão os físicos para entender a complexidade da natureza a partir das leis simples que regem as interações entre elétrons, núcleos, átomos e moléculas.

Antes de sua palestra, Eduardo Miranda concedeu uma pequena entrevista abordando a temática.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Garatéa-L – a missão lunar brasileira

O Prof. Lucas Fonseca foi o palestrante convidado em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, promovido pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), evento que ocorreu no dia 22 de agosto, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas.

Lucas Fonseca é CEO da empresa de consultoria Airvantis e Diretor da Missão Garatéa, um projeto que pretende enviar, pela primeira vez na história, uma sonda brasileira para sobrevoar a órbita lunar e coletar dados sobre a superfície, conduzindo experimentos científicos pioneiros com micróbios, moléculas e até células humanas. A ideia é a equipe beneficiar da recente revolução dos designados nanossatélites, mais conhecidos como cubesats, uma aposta que colocará o Brasil entre os pares na exploração espacial.

Aquela que será a primeira missão lunar brasileira está sendo desenvolvida em conjunto com cientistas do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), da USP, LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), Instituto Mauá de Tecnologia e da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Abordando o tema Garatéa-L – a missão lunar brasileira, Lucas Fonseca – que foi aluno da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) – aproveitou sua palestra para falar também de seu trabalho na Agência Espacial Europeia e de sua participação – como único brasileiro – na missão Rosetta, que em 2014 logrou pousar, de forma inédita, uma sonda no cometa 67P.

Numa pequena entrevista, Lucas Fonseca explicou os projetos:

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Prof Nicholas Suntzeff fala sobre o universo

O Prof. Nicholas Suntzeff (Distinguished professor da Texas A&M University – EUA) foi o palestrante convidado em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, que ocorreu no dia 20 de junho, no Auditório Prof. Sérgio Mascarenhas, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), uma apresentação que foi subordinada ao tema – O Universo.

Mundialmente conhecido por ter criado, em 1994, junto com Brian Schmidt, o programa de observação de supernovas distantes, observações essas que quatro anos mais tarde mostraram que a expansão do universo é acelerada, dando origem ao conceito de Energia Escura (Schmidt e Adam Riess receberam o Prêmio Nobel de 2011), Suntzeff concedeu uma entrevista exclusiva à Assessoria de Comunicação do IFSC/USP, antes de sua palestra, onde falou de sua teoria, do Universo, como um todo, e da interação que teve com os alunos do Instituto nesta sua passagem pelo Brasil e pelo IFSC.

Assista à entrevista, clicando na imagem abaixo.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Da deriva continental às placas tectônicas: de que forma trabalham o planeta e a ciência

O conhecimento sobre como nosso planeta funciona e como nossa vida é afetada por este funcionamento dinâmico e cada vez melhor caracterizado e compreendido, foi a base da palestra que a Profª Draª Maria Cristina Motta de Toledo (EACH/USP) apresentou em mais uma edição do programa “Ciência às 19 Horas”, evento ocorrido no dia 16 de maio e que abordou o tema “Da deriva continental às placas tectônicas: como trabalham o planeta e a ciência”. Nessa palestra, a oradora abordou não apenas o que se conhece hoje acerca das placas tectônicas, seus movimentos, seus efeitos e conexões com outros processos da Natureza, mas de como esse conhecimento foi adquirido, por meio de uma longa evolução de observações, reflexões e discussões, utilizando o método científico.

A teoria da Tectônica de Placas tem sido cada vez mais divulgada nos meios de comunicação e verifica-se um interesse crescente com relação aos detalhes dos processos dinâmicos envolvidos e também com relação às razões pelas quais esta teoria se encontra tão fortemente estabelecida.

Convidada a falar um pouco sobre este tema, mesmo antes de sua apresentação, Maria Cristina Motta de Toledo referiu que a teoria da Tectônica de Placas tem sido cada vez mais divulgada nos meios de comunicação e verifica-se um interesse crescente com relação aos detalhes dos processos dinâmicos envolvidos e também com relação às razões pelas quais esta teoria encontra-se tão fortemente estabelecida. O movimento constante das placas tectônicas de nosso planeta tem impactos diretos sobre a vida que existe nele, e não só ao nível humano. A dinâmica interna de nosso planeta, o movimento quase constante dessas placas tectônicas é que provoca os terremotos e tsunamis e, com eles, algumas mudanças climáticas, a formação de recursos minerais e o crescimento de cadeias montanhosas, entre outros fatores.

Clique na figura abaixo para acessar a pequena entrevista concedida pela Profª Drª Maria Cristina Motta de Toledo antes de sua palestra.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer

“Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer”

“Medicina personalizada em Oncologia: a contribuição da genética para o tratamento do câncer” foi o tema abordado em mais uma edição do programa “Ciência às 19 Horas”, organizado pelo IFSC/USP, e que ocorreu no último dia 25 de Abril, no Auditório “Prof. Sérgio Mascarenhas”, com a participação da Dra. Anamaria A. Camargo (PhD), Coordenadora do Centro de Oncologia Molecular do Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Hospital Sírio-Libanês (SP).

Em sua apresentação, Anamaria Camargo abordou o fato de o Câncer ser, de fato, um nome usado para definir mais de 100 doenças distintas, que tem em comum o crescimento descontrolado das células de um determinado tecido, situação que afeta os tecidos adjacentes e distantes formando as metástases.

Recordamos que o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e foi responsável por 8.8 milhões de mortes em 2015.

Um pouco antes de sua apresentação, Anamaria Camargo conversou com a Assessoria de Comunicação do IFSC/USP e fez uma espécie de resumo do tema que se mantém, infelizmente, atual.

Para assistir a essa pequena entrevista, clique na imagem abaixo:

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Estamos sozinhos no Universo?

Uma das perguntas mais antigas que a humanidade se faz é: Estamos sozinhos no Universo? Na tentativa de responder a essa e outras questões extremamente complexas da natureza, como a origem da vida, foi criado um novo campo de pesquisa, a Astrobiologia, a qual reúne pesquisadores de diferentes áreas, trabalhando em colaboração.

Os cientistas, atuando como exploradores modernos, vasculham a vida em nosso planeta, desde as profundezas oceânicas até o alto das montanhas, procurando entender como ela surgiu, evoluiu e, em muitos casos, extinguiu-se, com o passar dos bilhões de anos de história da Terra. E hoje, esse esforço se estende para além da Terra, para os planetas e luas do Sistema Solar e mesmo para planetas muito distantes, orbitando outras estrelas de nossa Galáxia. Talvez consigamos encontrar indícios de vida extraterrestre, talvez não, mas o importante é que, no caminho, estamos compreendendo melhor os processos naturais que permitiram que um fenômeno tão complexo, como a vida, tenha surgido e evoluído em nosso Universo.

Das pesquisas e das inúmeras perguntas que se fazem – muitas delas sem resposta, principalmente de como surgiu a vida no nosso planeta e como é que tudo começou e como conseguimos chegar a este estágio, partimos para outro questionamento, que é, exatamente, se estamos sozinhos neste vastíssimo Universo. Mas, a pergunta relacionada com o estarmos sós nesta imensidade é no aspecto da vida inteligente, ou da vida em seu âmbito mais primário? Existem respostas concretas, ou tudo ainda é muito nebuloso, por vezes considerado tabú?

A astrobiologia pode dar respostas mais concretas sobre estes questionamentos?

Assista à entrevista com o Prof. Dr. Douglas Galante, pesquisador no Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), realizada pouco antes de sua palestra intitulada Astrobiologia: estudando a vida no Universo, no dia 21 de março de 2017, no Auditório Professor Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), no Programa Ciência às 19 Horas.

Clique na imagem para assistir à entrevista.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Das margens para o centro: A história da segunda revolução quântica

Na última palestra de 2016, inserida no programa Ciência às 19 Horas, coube ao Prof. Dr. Olival Freire Jr., docente e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA) dissertar sobre o tema Das margens para o centro: A história da segunda revolução quântica. O título desta palestra foi propositalmente enigmático, remetendo para aquilo que alguns chamam de 2ª revolução quântica, que, na verdade, é um conjunto de conceitos e técnicas que se tornaram disponíveis nos anos 60, 70 do século XX, em contraposição com a primeira revolução que aconteceu no início desse mesmo século.

Essa 2ª revolução quântica, que teve enormes impactos na ciência e que promete outros ainda maiores, promete uma alteração no modo de processamento na área de informação quântica. De fato, segundo o palestrante, são apenas promessas. Essa área de informação quântica é hoje uma área da física muito quente, já que aconteceram atividades que foram desenvolvidas às margens da física. Não eram atividades, nem pesquisas muito bem valorizadas ou consideradas: eram pesquisas que trabalhavam com teorias chamadas heterodoxas, que na física podem representar o final da carreira de um jovem físico – se ele se dedicar excessivamente a trabalhos desse tipo, por exemplo.

A ideia de margem e centro é muito usual na ciência, para distinguir o que é mainstream, como explica Olival Jr: O que significa aquela agenda de pesquisa que é perfeitamente bem valorizada numa comunidade científica e o que é que são os temas que não são muito bem considerados, por razões diversas? Procuro sempre argumentar que parte dos conceitos essenciais do que chamamos de 2ª revolução quântica foi formulada num contexto de controvérsias, num contexto em que alguns desses proponentes eram muito mal considerados na comunidade dos físicos, na comunidade científica. Hoje, são altamente bem considerados, recebem premiações e tudo mais. Mas, por que o meu interesse nisso? Não é propriamente um interesse de trazer à luz alguém que foi valorizado na sua trajetória, embora isso seja importante, mas acima de tudo também valorizar e destacar, na ciência, aqueles que, no seu devido tempo, não tiveram destaque. Mas, o meu principal interesse é mostrar que esse é um bom caso para a gente compreender o quão complexa é a atividade científica. Então, ele, para mim, serve como um bom argumento contra qualquer visão simplista do que seja a atividade científica. O que é que eu chamo de atividade simplista? Tipicamente você pensa Não! Ciência é você fazer os dados experimentais, a partir daí extrair uma teoria e por aí afora. Não é assim. Ciência envolve muita conjectura, muita imaginação. Ciência tem uma atividade com uma dimensão social: o modo como você, jovem estudante, se relaciona com os seus colegas, o modo como você entra numa controvérsia. Então, o desenvolvimento da história da ciência, portanto, é um fenômeno tão complexo quanto os fenômenos complexos que a própria ciência estuda, enfatiza o pesquisador.

Quando se fala em renovação da pesquisa sobre os fundamentos da física quântica, isso tem muito a ver com a pergunta anterior, ou seja – e uma vez mais -, das margens para o centro. O palestrante gosta de citar um tema que, tipicamente, estava nos fundamentos da teoria quântica e que, por altura dos anos 50, era considerado um tema morto na ciência, um tema do qual ninguém iria extrair nada interessante. Então, qual era o tema? O tema era o seguinte: será que você pode alterar/modificar a teoria quântica, introduzindo mais variáveis? Essas variáveis são chamadas de variáveis escondidas – que para o palestrante é um nome péssimo, mas que se consagrou na literatura: escondidas em relação às que já são usadas pela teoria.

Será que você pode introduzir essas variáveis adicionais e, mesmo assim, preservar o poder preditivo da teoria quântica? E se você introduzir, isso trará alguma informação nova? Esse tipo de tema era completamente fora do escopo da física, na altura da década de 50. Poucas pessoas brilhantes se preocupavam com isso, sendo que o mais notável deles era Einstein. Na década de 50, outro notável também se dedicou a isso – David Bohm. Certamente, esse era considerado um tema de filosofia. Portanto, um tema fora da física. E foi justamente em torno desse tema que surgiu, quinze anos depois, o chamado Teorema de Bell, um teorema que estabeleceu com precisão quais alterações poderiam ser feitas na teoria quântica, sem a comprometer, e quais alterações que, ao serem feitas, colidissem com a própria teoria quântica. E o Teorema trouxe uma surpresa fenomenal. A surpresa é que, na altura em que ele começou a ser compreendido, no final dos anos 60, se percebeu que não existia um único teste já feito que permitisse fazer aquele contraste previsto pelo Teorema. Então você teve, a partir do início dos anos 70, uma série de experimentos que continuam ainda hoje… esses experimentos todos confirmaram as predições da teoria quântica e, portanto, invalidaram o tipo de teoria modificada que o próprio Bell tinha expectativa… mas o resultado de todo esse processo foi a consolidação, entre os físicos, de um novo fenômeno físico, chamado Emaranhamento Quântico. E é exatamente o Emaranhamento Quântico que é uma das propriedades centrais hoje, na pesquisa em informação quântica. É uma revolução nesse sentido… de uma posição marginal para uma posição muito importante na agenda de pesquisa dos físicos, sublinha Olival Jr..

No resumo de sua palestra, o Prof. Olival Freire Jr. optou por mencionar a frase revolução quântica, em vez de ter escolhido atualização, ou mesmo mudança. Para o palestrante, essa escolha teve o intuito de provocar, mas provocar no sentido delicado. Profissionalmente, eu sou historiador da ciência, mas graças à minha formação em física, ensino essa disciplina, mas meu doutorado foi de história da ciência e, portanto, eu trabalho sistematicamente nessa vertente. Portanto, como historiador da ciência, uso com muito cuidado o termo revolução científica, mesmo para me referir a revolução que todo mundo acha que foi uma revolução lá do Galileu, do Newton… A história da ciência mostra que teve muitos elementos de continuidade entre a física do final do período medieval e a física do Galileu. O problema não foi tão revolucionário quanto pensamos. Então, eu profissionalmente me contenho. Mas eu precisava atrair um pouco a atenção. Mas aí você vai ver que no resumo, eu disse que o termo “revolução quântica” não é meu, mas sim de um grande físico que tem relação com o Instituto de Física de São Carlos, que é o Alain Aspect, que é colaborador do Prof. Vanderlei Bagnato.

Nesse caminho, Olival Freire Jr, está convicto que a divulgação científica se transformou numa atividade, não sem antes ter apresentado uma explicação: a atividade científica tem uma história maior do que se imagina,  ganhou muita força nos últimos 40, 50 anos: Mas, já que falei do Galileu e do Newton, quero dizer que com toda a abertura que se teve no século dezessete para se pensar num universo maior, num universo infinito, ali já começaram as atividades de divulgação científica. E alguns desses divulgadores são grandes filósofos, grandes escritores. O Fontenelle foi um deles, mas um que eu gosto de citar é Voltaire. Voltaire tem uma explicação do que é a física newtoniana, que está traduzida em português. Ele sai da França e vai para a Inglaterra e se encanta com a liberdade que tinha nesse país. E com a mecânica newtoniana, ele ainda escreve uma obra. Pouco depois, todo o projeto da Enciclopédia, os chamados enciclopedistas – Encyclopédie -, dirigida pelo Jean le Rond d’Alembert, é um projeto de divulgação científica. Então, eu acho que, desde quando a ciência se tornou algo mais complexo ou pelo menos do século dezessete em diante, fazer com que o mundo da cultura, o mundo da arte, da literatura, o mundo do cidadão comum, compreenda o que se passa na ciência, quais são as ideias que estão presentes nela, na técnica, se tornou um desafio importante. Nos últimos 50 anos, aí eu diria particularmente depois da 2ª Guerra Mundial – porque acho que a 2ª Guerra Mundial mudou drasticamente a relação da ciência com a sociedade -, com a produção particularmente da bomba atômica, mas não só (a produção do radar também é um produto da 2ª Guerra), tudo isso colocou na ordem do dia a ideia de que a cidadania hoje requer que você tenha algum grau de informação sobre a ciência. E isso que eu estou dizendo não é uma ideia minha, mas de alguém que foi um dos reitores da Universidade de Harvard, um químico chamado James Conant, continua o palestrante, acrescentando que Conant, após a 2ª Guerra, participou do projeto Manhattan.

Quando acabou a 2ª Guerra, Conant passou a organizar cursos que eu chamaria de divulgação científica, mas eram cursos de história e filosofia da ciência, para os graduandos da Universidade de Harvard. Então, é nesse sentido que a divulgação científica  é muito importante. No caso do Brasil, e também no resto do mundo, ela tem uma responsabilidade adicional. É que parte da ciência tem que ser financiada por recursos públicos. Se o público não entende o papel da ciência, o impacto da ciência na sociedade, o financiamento da ciência vira uma coisa de mecenas ilustrados. Nós temos exemplos importantes em que, no caso dos EUA, aquele super collider, aquele acelerador, que em 1993 o congresso americano tomou a medida de fechar porque não era importante. Aquilo ali, provavelmente, vai passar para a história, porque a obra já estava bem adiantada e ficou lá, abandonada. Também se discute que destino dar àquela obra fenomenal. Então, eu acho que a divulgação científica também tem essa dimensão. Se nós queremos que a atividade científica tenha continuidade no nosso país,é preciso que haja recursos públicos.Veja, eu estou em São Paulo e poderia falar do meu estado, que também não compreende muito bem o papel da ciência, mas recentemente nós tivemos um importante político em São Paulo que pôs em dúvida a importância das pesquisas financiadas pela FAPESP. Então, quando eu digo que a sociedade precisa compreender o papel da ciência, é porque, a sociedade, compreendendo, nossos representantes (no judiciário, no mundo político) também vão entender mais. E nesse sentido eu acho que vocês, aqui na USP de São Carlos, têm tido um papel muito importante de vanguarda nesse esforço de divulgação científica, conclui Olival Freire Jr.

(Rui Sintra – jornalista)

16 de março de 2018

Entre o melhor e o pior

A edição do passado dia 25 de outubro do programa Ciência às 19 Horas foi diferente do que é habitual, não só pelo destaque conferido ao palestrante convidado, o Prof. Fabio Jatene, que na circunstância apresentou o tema Implantação de novas tecnologias no país e no cenário econômico mundial, como também pela homenagem que foi feita a seu pai, o famoso e saudoso Adib Domingos Jatene (Xapuri, Acre, 4 de junho de 1929 — São Paulo, 14 de novembro de 2014), médico (cirurgião torácico), professor universitário, inventor e cientista brasileiro.

Antes mesmo da palestra, coube ao Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP) iniciar o pequeno período dedicado à lembrança da vida e obra de Adib Jatene, tendo sido acompanhado pelo Diretor do IFSC/USP, Prof. Tito José Bonagamba, pela futura Reitora da UFSCar, Profª Vera Hoffmann, e pelo Dr. Roberto Verzola, médico cardiologista e docente do Departamento de Ciências Fisiológicas – Laboratório de Fisiologia do Exercício (UFSCar), entre outros convidados.

Depois de ter recordado a vida e obra de Adib Jatene, o Prof. Sérgio Mascarenhas e o Diretor do IFSC/USP entregaram a seu filho, Prof. Fabio Jatene, uma placa de homenagem em reconhecimento à obra do famoso cirurgião torácico.

Filho de imigrantes árabes, Adib Jatene formou-se em medicina na Universidade de São Paulo, onde viria a se tornar professor. Conhecido e respeitado internacionalmente, além das dezenas de inovações no meio médico, como o inventor de uma cirurgia do coração que leva seu nome para tratamento da transposição das grandes artérias em recém-nascidos, e do primeiro coração-pulmão artificial do Hospital das Clínicas .

Jatene foi secretário estadual de Saúde no governo de Paulo Maluf e duas vezes ministro da Saúde durante o Governo Collor e, a última delas, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi membro da Academia Nacional de Medicina e foi agraciado com o Prêmio Anísio Teixeira, em 1991.

Já no que diz respeito à palestra proferida pelo filho do homenageado – Prof. Fabio Biscegli Jatene -, falar de tecnologia é sempre um assunto complexo, caso se decida falar de todos os campos da atividade, e muito mais complexo quando se abordam áreas específicas, como é o caso da medicina. Existem áreas que tiveram e têm ainda um desenvolvimento extraordinário, como, por exemplo, a aviação comercial, agricultura e petróleo, entre muitas outras, mas em outras áreas esses avanços não ocorreram nem ocorrem na mesma proporção.

Para quem ainda não o conheça suficientemente, o Prof. Fabio Jatene é Professor Titular de Cirurgia Torácica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Diretor do Serviço de Cirurgia Torácica do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), e Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, com especialização em Cirurgia Torácica e Cirurgia Cardiovascular. É autor de 219 artigos científicos em revistas científicas nacionais (176) e internacionais (43), foi editor de 7 livros e manuais na área e autor de 52 capítulos em livros nacionais (43) e internacionais (9), tendo recebido 18 prêmios ao longo de sua carreira

Na área profissional do Prof. Fabio Jatene – que concedeu à Assessoria de Comunicação do IFSC/USP uma pequena entrevista antes de iniciar sua palestra -, que é a cirurgia do coração – cirurgia torácica e cardiovascular –, é um fato que a grande maioria dos equipamentos dotados de um maior avanço tecnológico está disponível, observando-se, assim, uma certa heterogeneidade nessa área do conhecimento, a par de outras. Não digo que não é possível que se desenvolvam, no Brasil, equipamentos de ponta que necessitamos para a nossa missão, para a nossa profissão, mas o que acontece é para que você consiga desenvolver e utilizar esses equipamentos existe uma série de requisitos: precisam ser de boa qualidade, o mercado precisa ser atrativo, até porque, se assim não for, os empresários e as restantes pessoas interessadas em desenvolver e comercializar esses equipamentos acabam por se afastar. E nesta condição, ficamos defasados em relação a todo esse processo. Estamos avançando, mas é preciso reconhecer que esses passos ainda são muito tímidos, salienta o cirurgião.

Para Jatene, o fato de não termos tecnologia própria na área médica é um obstáculo até para que se possam diminuir os custos decorrentes de intervenções cirúrgicas, neste caso concreto na área cardiovascular, o que, para nosso entrevistado, causa algum constrangimento em prestar esse tipo de serviço. Esse foi um dos motivos que levou o InCor a desenvolver, nos últimos anos, um projeto chamado Inova-InCor, que é a tentativa de se avançar tecnologicamente na área da cardiopneumologia, que congrega os dois principais focos do Instituto.

E essa é uma iniciativa que não é restrita ao InCor, mas a outras áreas que também têm desenvolvido iniciativas semelhantes. Existe a Agência USP de Inovação, com a qual colaboro, que tem trabalhado fortemente nisso. Mas a ideia do Inova-InCor é criar possibilidades para dentro de nosso ambiente nas várias áreas relacionadas ao Instituto, para que possamos ter avanços significativos na área tecnológica, comenta nosso entrevistado, que acrescenta: Há um enorme interesse, tanto interno – no Instituto -, como em companhias e centros de desenvolvimento externos, no fomento de parcerias com o intuito de auxiliar ao desenvolvimento de equipamentos e projetos mais avançados. E isso é muito interessante! Nós iremos ter agora, neste mês de novembro, um simpósio com a participação do Instituto e de representantes do governo da Coreia do Sul, através de algumas de suas indústrias, com o intuito de ajudar a desenvolver tecnologia exatamente dentro da área médica e principalmente dentro da área da cardiopneumologia . A ideia é que essa parceria seja uma via de mão-dupla. Eles têm muita tecnologia e nós temos necessidade dela; mas, também temos algo para mostrar para eles – nossa experiência. A ideia é incorporar interesses. Como nós temos uma população muito numerosa, tudo isso talvez possa interessar a eles, até porque a nossa mão-de-obra é altamente especializada.

A despeito do atraso verificado, o Brasil tem agora a consciência do que aconteceu anteriormente e do que precisa acontecer a partir de agora e, a partir daqui, tentar tirar esse atraso da melhor maneira. Fabio Jatene é enfático ao afirmar que é importante que se tenha consciência que não só o InCor, como os outros institutos, estão com essas iniciativas de inovação e avanços tecnológicos voltados para suas áreas de atuação, em todas as áreas conhecimento. O ponto positivo desse grande processo é que hoje temos consciência da importância em se poder avançar, sublinha Jatene.

Comparativamente ao que se passa no exterior, o atual estado da arte na cirurgia torácica no Brasil pode ser dividido em duas partes Em relação à possibilidade de assistência, ao atendimento, o Brasil está praticamente no mesmo nível que ocorre no exterior e isso é confirmado pelo Prof. Fabio Jatene. Temos os mais modernos equipamentos, temos as técnicas desenvolvidas e temos os profissionais altamente capacitados para empregá-las.

Contudo, o que chama a atenção, na parte assistencial, é que o Brasil tem – da mesma forma que no assunto abordado acima, relacionado com o desenvolvimento tecnológico – diferentes possibilidades de oferecimento dessa tecnologia a toda a população. Por exemplo, existem hospitais que são considerados entre os melhores do mundo e, por outro lado, existem hospitais com uma qualidade bastante precária, ou seja, existem dificuldades de conseguir dar o melhor a todos que necessitam. Para o Prof. Fabio Jatene, essa situação pode ser resumida através de uma frase simples: “Nós temos o melhor no Brasil? Temos! Para todos? Ainda não!…”

(Rui Sintra – jornalista)

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