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A Grande Aceleração: Vetores de aceleração da tendência ao colapso socioambiental no Antropoceno

Data da Palestra: 14/06/2016
Palestrante: Prof. Luiz César Marques Filho
Instituição: Departamento de História / Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
Palestra nr: 107
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A engrenagem expansiva do capitalismo está levando à falência as estruturas de sustentação e da funcionalidade dos ecossistemas. Diferindo dos colapsos civilizacionais anteriores, o colapso que se desenha à frente é global e ocorre no nível mais amplo da biosfera, da qual as sociedades humanas, tanto quanto as demais espécies, dependem existencialmente.

O Antropoceno, a nova época geológica em que ingressamos, caracteriza-se pelo que se tem chamado “A Grande Aceleração”. Quebrar recordes anuais de emissões de gases de efeito estufa, de temperatura, de desmatamento, de retrações de geleiras, de elevação do nível do mar e de diminuição da biodiversidade, tornou-se agora a norma. Por outro lado, a compreensão de que a economia é um subsistema da ecologia, não está avançando no tabuleiro político global. Capitalismo e colapso ambiental permanecem duas faces de uma mesma moeda. Não se pode conservar um, sem sofrer as consequências do outro.

 

 


Resenha

Prof. Luiz César Marques Filho

Em mais uma edição do programa Ciência às 19 Horas, ocorrida no dia 14 de junho, no Auditório ?Prof. Sérgio Mascarenhas (IFSC/USP), o Prof. Luiz César Marques Filho, docente e pesquisador do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), discorreu sobre o tema Antropoceno: Indicadores de aceleração da tendência ao colapso socioambiental.

De fato, existe uma relação causal entre a engrenagem socioeconômica expansiva, que moldou nossas sociedades desde o século XVI, e a tendência ao colapso ambiental. Essa engrenagem, que, desde o século XIX, designamos pelo termo capitalismo, está ocasionando a falência das estruturas de sustentação e da funcionalidade dos ecossistemas, segundo o palestrante.

Sem relação com os temores apocalípticos de outrora, a tendência a um colapso ambiental vem sendo evidenciada pelas ciências e pelas humanidades desde os anos 1960, um colapso que difere dos das civilizações passadas por não ser nem local, nem apenas civilizacional. Ele é um colapso global que ocorre no nível mais amplo da biosfera, da qual as sociedades humanas, tanto quanto as demais espécies, dependem existencialmente.

O que se observa, em nossos dias, é uma aceleração generalizada dessa tendência. Jan Zalasiewicz e outros estudiosos adotam o termo ?A Grande Aceleração?, ao argumentarem em favor da adoção do ano de 1950 como data de referência para o início de uma nova época geológica – o Antropoceno. A singularidade dos dias que correm é o que se poderia talvez chamar de aceleração da Grande Aceleração.

Hoje, a escala de tempo em que se medem mudanças relevantes nas coordenadas ambientais já não é mais o decênio, mas o ano. Assim, por exemplo, em novembro de 2015, mais 25 espécies animais e vegetais foram declaradas ?criticamente ameaçadas, possivelmente extintas? pela nova Lista Vermelha da União para a Conservação da Natureza (UICN). Também o desmatamento vem se acelerando nas florestas tropicais e boreais, sendo que só entre 2000 e 2012 se perderam 2,3 milhões de km2 de florestas, conforme mostra o Global Forest Watch. Houve em 2015 um aumento de 18% nos incêndios florestais no Maranhão e o maior número de incêndios em 17 anos de monitoramento no estado do Amazonas, pelo Inpe.

No que se refere ao aquecimento global, 2015 marcou o momento em que as temperaturas médias superficiais do planeta ultrapassaram 1º C em relação à média dos anos 1850-1900. Quebrar recordes de temperatura tornou-se agora a norma.

O ano de 2015 foi o mais quente dos registros históricos, batendo o recorde de 2014 e 2016 deverá bater o recorde de 2015, com as temperaturas médias globais da superfície do planeta atingindo 1,1º C em relação ao mesmo período de base. Em fevereiro de 2016, a extensão do gelo no Ártico registrou a menor extensão invernal registrada e a estação de degelo da Groenlândia começou, já em abril, dois meses mais cedo, estabelecendo outro recorde, com temperaturas típicas de julho. Em março de 2015, a temperatura no norte da Antártica atingiu 17,5º C, outro recorde histórico.

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